Coité, cabaça

Nome científico: 
Crescentia cujete
Família: 
Bignoniaceae
Sinonímia científica: 
Crescentia acuminata Kunth, Crescentia angustifolia Willd. ex Seem., Crescentia arborea Raf.
Partes usadas: 
folha, fruto, polpa.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Flavonoides e fenóis (potenciais antioxidantes/anti-inflamatórios), saponinas, taninos, glicósidos, minerais (cálcio, potássio, magnésio nas folhas).
Propriedade terapêutica: 
Diurético, anti-inflamatório, antifúngico, antiviral, antioxidante.
Indicação terapêutica: 
Problemas respiratórios (tosse, bronquite, asma), diarreia, dores (estômago, cabeça), inflamação, ferida..

Origem, distribuição
Espécie nativa das regiões tropicais e subtropicais das Américas. O local exato de origem é incerto, porém há registros de cultivo desde o período pré-hispânico na Península de Yucatán. Ocorre naturalmente nas ilhas do Caribe desde o México, passando pela América Central até o norte da América do Sul, 

Amplamente presente no Norte e Nordeste do Brasil.

Nomes em outros idiomas

  • Inglês: calabash tree, calabash fruit
  • Espanhol: calabazo, totumo
  • Francês: calebassier

Descrição

Árvore de pequeno a médio porte, pode atingir cerca de 5 a 10 metros de altura.

A raiz é lenhosa e profunda, típica de árvores. Caule lenhoso, ereto e de casca acinzentada, podendo apresentar ramos tortuosos.

Folhas simples, de formato oval a alongado, bordas lisas, surgem geralmente agrupadas nos ramos. Cor verde brilhante.

Flores grandes e vistosas, cor esverdeada a amarelada, com manchas arroxeadas. Nascem diretamente no tronco e nos ramos grossos (caulifloria). Possuem forte odor.

Fruto grande, arredondado, com casca muito dura e lenhosa, cor verde quando jovem tornando-se amarronzado ao secar. Contém polpa esbranquiçada com muitas sementes.

Quando secos, os frutos são tradicionalmente usados como recipientes ou utensílios (como cuias), daí o nome comum coité/cuité, cujo significado na lingua tupi é “cuia verdadeira”.

Uso popular e medicinal

Na medicina popular, o uso deste vegetal é amplamente difundido em etnobotânica, mas historicamente pouco estudado em humanos.

O chá do fruto ou polpa serve contra problemas respiratórios (tosse, bronquite, asma).

Existem relatos de preparos para diarreia, dores estomacais, inflamações, aplicações para feridas e dores de cabeça.

As folhas são usadas como diurético e para tratar hematomas.

Evidências científicas

Evidências científicas recentes apontam que C. cujete apresenta atividade anti-inflamatória (estudo de 2025), ação antifúngica (publicado em 2024) e potencial antiviral devido aos compostos flavonoides (2025).

Um estudo avaliou a atividade anti-inflamatória do extrato etanólico 100% do fruto de C. cujete em camundongos ICR com edema de pata induzido por albumina de ovo. Observou-se redução significativa do edema ao longo de 8 horas, com desempenho estatisticamente semelhante ao do diclofenaco sódico (controle positivo), confirmando a atividade anti-inflamatória relevante.

Foi demonstrado que extratos do fruto mostraram atividade antifúngica contra Candida albicans, incluindo algumas linhagens resistentes a antifúngicos comuns. Este é um achado interessante, pois Candida é um fungo responsável por muitas infecções em humanos.

Um estudo in silico (feito com simulações computacionais) identificou a presença de flavonoides da planta com interações promissoras contra proteínas virais de dengue, COVID-19, hepatite C e influenza A, sugerindo potenciais antivirais que merecem mais investigação experimental. Cabe mencionar que isso ainda está em estágios iniciais de pesquisa (computacional), não substitui ensaios clínicos.

 Formas de uso (tradição x ciência), cuidados, contraindicações 

Observação importante: não existem protocolos clínicos padronizados para essa planta. Tudo abaixo é descritivo e educativo, não uma recomendação terapêutica.

Chá (decocção ou infusão)

  • Uso tradicional. Dependendo da região, o chá é preparado com a polpa do fruto, folhas e às vezes casca. Indicado para tosse, bronquite, asma, dores estomacai, diarreia, inflamações leves. Normalmente se faz decocção (fervura), especialmente do fruto ou da casca, por serem partes mais duras.
  • O que a ciência diz. Estudos in vitro e in vivo indicam que extratos aquosos e hidroalcoólicos contêm flavonoides, taninos, fenóis, compostos associados às atividades anti-inflamatória e antioxidante. O efeito observado em estudos experimentais é compatível com o uso tradicional, mas não há ensaios clínicos em humanos e não há dose segura definida.
  • Conclusão científica. O chá faz sentido do ponto de vista químico, mas não pode ser considerado comprovadamente seguro ou eficaz para uso contínuo ou terapêutico.

Tinturas (extrato alcoólico)

  • Uso tradicional. Menos comum na tradição popular antiga, mais frequente em práticas fitoterápicas recentes. Utilizada em pequenas quantidades para inflamações e infecções. Uso externo ocasional: o álcool é usado porque “extrai melhor” os princípios ativos.
  • O que a ciência diz. Estudos laboratoriais mostram que extratos alcoólicos extraem maior quantidade de flavonoides e compostos bioativos, apresentam atividade antifúngica e antimicrobiana superior à dos extratos aquosos sendo especialmente relevante para os estudos contra Candida albicans. Porém compostos potencialmente tóxicos também são mais concentrados causando maior risco de efeitos adversos se ingerido.
  • Conclusão científica. Tinturas são úteis em pesquisa, mas não são seguras para uso interno caseiro sem padronização farmacêutica.

Compressas e uso tópico

Uso tradicional. Muito comum e culturalmente difundido, as folhas maceradas ou cozidas são aplicadas sobre inflamações, feridas superficiais, dores musculares e inchaços (esse é um dos usos mais antigos da planta).

O que a ciência diz. O uso tópico é considerado menos arriscado do que o uso interno. Os compostos fenólicos podem reduzir a inflamação local e tem leve ação antimicrobiana. Ainda assim, não há estudos clínicos controlados, pode causar irritação cutânea em pessoas sensíveis.

Conclusão científica. Entre todos os métodos, o uso tópico é o mais compatível com o nível atual de evidência, desde que feito com cautela.

Síntese final

  • Crescentia cujete tem coerência etnobotânica e fitoquímica
  • A ciência ainda está nos estágios iniciais
  • O maior potencial atual está em pesquisa laboratorial e uso tópico tradicional (com cautela)
  • O uso interno exige prudência, pois pode haver toxicidade dependendo da parte da planta e do preparo

  Colaboração

Patrícia Barbosa Nascimento, graduanda em Engenharia Florestal (USP/ESALQ), 2026.

 Referências

  1. The International Journal of Food, Drug and Cosmetics (2025). Evaluation for anti-inflammatory activity of 100% calabash fruit (Crescentia cujete) extract on ICR mice - Acesso em 28 de janeiro de 2026
  2. Journal of Herbal Medicine (2025). In silico analysis of flavonoids from Crescentia cujete for possible antiviral applications - Acesso em 28 de janeiro de 2026
  3. Duazary (Articles of Scientific and Technological Tesearch, 2024). Antifungal effect of Crescentia cujete fruit extracts on clinical strains of Candida albicans - Acesso em 28 de janeiro de 2026
  4. Flora, Vegetação e Etnobotânica (Flovet, 2019). Usos tradicionais da cabaça/coité (Crescentia cujete) no Brasil - Acesso em 28 de janeiro de 2026
  5. Journal of Medicinal Plants for Economic Development (2018). Proximate, phytochemical screening and mineral analysis of Crescentia cujete leaves
  6. - Acesso em 28 de janeiro de 2026
  7. World Flora Online (2026). Crescentia cujete - Acesso em 28 de janeiro de 2026
  8. Image (no changes were made): Dick Culbert, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

GOOGLE IMAGES de Crescentia cujete