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Moreira, taiúva [1]

Enviado por Sergio Sigrist em ter, 12/08/2014 - 9:44pm
Nome científico: 
Maclura tinctoria (L.) D.Don ex Steud.
Família: 
Moraceae
Sinonímia popular: 
Amora-branca, tatajuva, leite-de-moreira, amoreira, tatajiba, jataíba, tatané, pau-amarelo, pau-de-fogo.
Sinonímia científica: 
Broussonetia plumeri Spreng.
Partes usadas: 
Látex e casca.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Isoflavona, flavonoides, xantonas, flavonas, glicosídeo calcona.
Propriedade terapêutica: 
Antimicrobiana, antibacteriana, anti-inflamatória, analgésica, antinociceptiva, antioxidante, adstringente, cicatrizante.
Indicação terapêutica: 
Dor de dente, dores reumáticas.
tags: 
Dor de dente [2]
Reumatismo - artrite - artrose - dor articular [3]

Nome em outros idiomas

  • Inglês: mora, cuban fustic mulberry
  • Espanhol: mora amarilla 
  • Francês: mûrier des teinturiers 
  • Alemão: färbermaulbeerbaum 

Origem, distribuição
Originária da América Central e América do sul.

Estudos indicam que no Brasil existem 28 gêneros de Moraceae e cerca de 340 espécies representadas por árvores, arbustos, gramíneas, trepadeiras e até mesmo epífitas (plantas que vivem sobre outras plantas, algo comum nas florestas tropicais, onde a competição por luz e espaço não permite que plantas herbáceas prosperem sobre o solo).

O gênero Maclura consiste em 11 espécies com distribuição exclusivamente tropical. Três espécies ocorrem no continente americano, dos EUA até a Argentina. No Brasil só ocorrem a Maclura tinctoria e Maclura brasiliensis.

Descrição

Espécie pioneira (veja destaque), pode atingir de 15 a 30 m de altura, com tronco de 50 a 100 cm, cheia de espinhos. Todas as partes da planta exsudam látex amarelo. Madeira moderadamente pesada, dura, flexível, com alta resistência ao ataque de fungos, cupins e outros organismos xilófagos (insetos que se alimentam de madeira), mesmo em condições favoráveis ao apodrecimento.  Plantas pioneiras têm crescimento rápido, se desenvolvem bem a céu aberto, são árvores de porte alto, têm tempo de vida curto na floresta (entre 6 a 15 anos) e formam sombras que servem de proteção ao crescimento das plantas secundárias.

Sua madeira é excelente para postes, mourões, esteios, estacas, cruzetas, dormentes, caibros, vigas, tacos e tábuas para assoalhos, cabos de ferramentas, revestimentos decorativos, peças torneadas, etc.

Folhas simples, com a parte inferior verde mais clara, medindo de 8 a 15 cm de comprimento. A floração ocorre de setembro a outubro e a colheita das sementes no mês de janeiro.

Apresenta inflorescência feminina capitada, axilar, geralmente solitária, subglobosa, de coloração esverdeada, com cerca de 10 mm de diâmetro. A inflorescência masculina é espiciforme, axilar, em geral solitária, de coloração amarelo-pálida a creme, com 3 a 11 cm de comprimento.

Os frutos desta espécie são doces e consumidos ao natural, mas não difundidos entre a população. São apreciados especialmente pelas aves, que contribuem com a dispersão de suas sementes. Têm forma oblonga, formados de núculas comprimidas, pericarpos carnosos e doces, indeiscentes, de coloração amarelo-esverdeada quando maduros. 

A semente madura é achatada lateralmente, ligeiramente ovalada, com coloração creme e superfície lisa, formando plântulas classificadas como epígea-foliácea, apresentando elevada taxa de germinação.

Uso popular e medicinal
Os extratos desta espécie elaborados a base da madeira e casca possuem atividades antibacteriana e antioxidante. Na saúde bucal, estudos preliminares da atividade antimicrobiana evidenciaram que esta espécie possui efeito antibacteriano a Streptococcus sanguinis (bactéria gram-positiva formadora da placa dental, causa destruição do osso alvéolo e pode levar a perda do dente), Streptococcus mutans (um dos principais causadores da cárie dentária) e outras bactérias periodontopatogênicas. 

Teste em ratos avaliou a atividade anti-inflamatória e analgésica, concluiu que os extratos etanólicos e a scandenone (ou warangalone), uma isoflavona isolada, demonstraram atividade anti-inflamatória e antinociceptiva (que anula ou reduz a percepção e transmissão de estímulos que causam a dor).

Estudos comprovaram a presença de compostos fenólicos particularmente flavonoides, com ação antimicrobiana, antimalária e anti-HIV.

As folhas e cascas do caule são adstringente e cicatrizante, aliviam dores reumáticas. O látex possui ação anti-inflamatória e analgésica, particularmente para dores de dente.

O exsudado da haste e o chá da casca são utilizados pela população nativa devido as suas propriedades anti-inflamatórias. A resina é utilizada contra dores de dentes. Seus frutos são comestíveis e têm um sabor doce, podem ser consumidos crus ou em sucos. 

Estudos encontrados na literatura da análise química de espécies de Maclura tinctoria reportam o isolamento e identificação de flavonoides, xantonas, flavonas e glicosídeos calcona de extratos da casca nas regiões florestais da Bolívia, Peru e Venezuela.

Alguns dos compostos identificados apresentam atividade anti-HIV, antifúngica e antioxidante equivalente a trolox (um potente antioxidante derivado da vitamina E) e betacaroteno.

Outros usos
A resina é utilizada como corante. O corante amarelo é denominado maclurina, solúvel em água. Seus extratos servem para a obtenção de cores que vão do amarelo ao pardo, podendo ser utilizados na tinturaria de tecidos.  

 Referências

  1. Universidade Federal de Goiás (2009): Plantas medicinais utilizadas em saúde bucal pela comunidade de Firminópolis (GO) [4] - Acesso em 8 de outubro de 2017
  2. Evidence-based Complementary and Alternative Medicine (2012): Chemical analysis and study of phenolics, antioxidant activity and antibacterial effect of the wood and bark of Maclura tinctoria [5] - Acesso em 8 de outubro de 2017
  3. RODRIGUES, S.; CAETANO, D. G.; CAETANO, C. M. Espécies frutíferas do centro-sul do Estado de Rondônia, Amazônia brasileira. Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal (FACIMED), Cacoal (RN). 2005.
  4. Cayman Chemical: Trolox [6] - Acesso em 8 de outubro de 2017
  5. HOEHNEA (2013): Germinação de sementes de Maclura tinctoria sob diferentes regimes térmicos influenciados pela luz [7] - Acesso em 8 de outubro de 2017
  6. Florestas Nativas: Taiúva [8] - Acesso em 8 de outubro de 2017
  7. Imagem: Flora Digital (Autores: Eduardo L. H. Giehl [9], Marcio Verdi [10], Rafael M. Callegaro [11]) - Acesso em 8 de outubro de 2017
  8. The Plant List: Maclura tinctoria [12] - Acesso em 8 de outubro de 2017

GOOGLE IMAGES de Maclura tinctoria [13] - Acesso em 8 de outubro de 2017

 

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