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Ioimbina [1]

Enviado por Sergio Sigrist em qua, 13/11/2013 - 8:52am
Nome científico: 
Pausinystalia johimbe (K.Schum.) Pierre ex Beille
Família: 
Rubiaceae
Sinonímia popular: 
Pau-de-cabinda.
Sinonímia científica: 
Pausinystalia zenkeri W.Brandt
Partes usadas: 
Casca do tronco.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
1 a 6% de alcaloides totais, principalmente alcaloides indólicos do tipo ioimbano, sendo a ioimbina majoritária. Hétero-ioimbanos como ajmalicina e derivados tetracíclicos.
Propriedade terapêutica: 
Afrodisíaca, vasodilatadora, tônica, hipotensora.
Indicação terapêutica: 
Impotência, disfunção erétil, angina de peito, perda de peso, depressão, febre, tosse, lepra.
tags: 
Impotência sexual [2]
Difteria - crupe - angina maligna [3]
Depressão [4]
Febre [5]
Tosse - coqueluche [6]
Hanseníase - lepra [7]

Nomes em outros idiomas

  • Inglês: yohimbe
  • Francês: écorce de yohimbe, hydrochlorure de yohimbine

Origem, distribuição
Planta nativa da África Ocidental e Central (Nigéria, Cabinda, Camarões, República do Congo, Gabão, Guiné Equatorial). 

Descrição
Árvore que pode atingir 9 a 30 m de altura, casca rugosa de cor avermelhada a marron-acinzentada. Folhas de 24 a 47 cm de comprimento por 10 a 17 cm de largura, glabras, obovadas, cuneadas ou arredondadas.

Uso popular e medicinal

A casca da planta contém até 6% de uma mistura de alcaloides, sendo o principal a ioimbina. A presença e a quantidade de atividade de alcaloide na casca de P. johimbe é altamente variável.

Tradicionalmente P. johimbe tem sido usada na África tanto na prescrição quanto no mercado de ervas para febre, tosse, lepra e como afrodisíaco, sendo clinicamente comprovado para a impotência. É hipotensora e tem uma ação anestésica local semelhante a da cocaína mas não é midriática (não dilata a pupila).

A ação vasodilatadora é particularmente forte sobre os órgãos sexuais, daí vem o reconhecimento como afrodisíaca.

Foto: coleta de cascas da árvore em Kribi (Camarões). A coloração vermelha desenvolve-se após alguns minutos (© Vanessa Simons)

P. johimbe é usada como estimulante moderado para evitar sonolência, como alucinógeno, indicado para tratamento de angina de peito, tônico geral, um potenciador de desempenho para os atletas, uma solução para aumentar a clareza das vozes dos cantores durante as longas festas.

Empregada na medicina veterinária para aumentar a resiliência dos cães de caça.  Os remédios são tomados em duas formas: em pó (casca) e líquido (casca cozida em água). 

Atualmente a planta é usada no aumento da libido e em disfunção erétil, perda de peso e depressão.  No caso de disfunção erétil, não há evidências de que os preparados à base do extrato da erva funcionam. A maioria dos estudos clínicos têm focado na droga ioimbina e não no extrato. A ioimbina tem sido usada para relaxar e dilatar os vasos sanguíneos do pênis, que resulta num aumento do fluxo de sangue e ereção. Ele também pode estimular áreas do cérebro envolvidas no desejo sexual.

Estudos sobre a eficácia da ioimbina tiveram resultados conflitantes quanto a disfunção erétil orgânica (causada por problemas físicos) e quando não é causada por problemas físicos e concluem que parece funcionar melhor neste segundo caso.

Ioimbina tem sido investigada para verificar se aumenta a lipólise (queima de gordura do corpo, responsável pelo emagrecimento e perda de peso), aumentando a liberação de noradrenalina (ou norepinefrina) disponível nas células de gordura e de bloquear a ativação dos receptores alfa-2. No entanto, um estudo controlado descobriu que 43 mg/dia de P. johimbe não teve nenhum efeito sobre o peso corporal, o índice de massa corporal, gordura corporal, a distribuição de gordura e os níveis de colesterol.

P. johimbe tem sido citada para a depressão porque bloqueia a enzima monoamina oxidase. No entanto isto só é obtido em doses mais elevadas (acima de 50 mg/dia), que é potencialmente perigoso.

Cuidado
A Comissão E (agência reguladora de ervas) da Alemanha não aprovou o uso desta planta devido a preocupações com a segurança e eficácia e por causar aumento da pressão sanguínea e da ansiedade, além de outros efeitos colaterais.

Nos EUA a ioimbina foi prescrita como um tratamento da disfunção erétil, porém sua popularidade diminuiu desde a introdução do Viagra. O FDA (Food and Drug Administration) tem recebido uma série de relatos de convulsões e insuficiência renal após o uso de yohimbe. 

P. johimbe não é recomendado porque tem um índice terapêutico muito estreito. Há um pequeno intervalo de doses abaixo do qual a erva não funciona e acima a erva é tóxica. Efeitos colaterais de dosagens normais podem incluir tontura, náusea, insônia, ansiedade, taquicardia e aumento da pressão arterial. Doses baixas (40 mg/dia) pode causar efeitos colaterais graves como alterações na pressão arterial, alucinações e paralisia. E overdose pode ser fatal. 

Devido a bloquear a enzima monoamina oxidase, pessoas que tomam P. johimbe devem evitar alimentos que contenham tiramina (por exemplo, fígado, queijo, vinho tinto) e remédios que contenham fenilpropanolamina, como os descongestionantes nasais. Fenilpropanolamina era um fármaco vendido sem receita médica, atualmente é proibido pela ANVISA o uso de medicamentos que contenham essa substância.

Inclusões em farmacopeia
O cloridrato de ioimbina, também denominado cloridrato de quebrachina ou cloridrato de colinina, está inscrito na Farm. Bras. II e na ÖAB 1990. 

Interações com medicamentos [1]
Antidepressivos tricíclicos. Resultado: a associação pode determinar alterações nos niveis tensionais.
 
Anti-hipertensivos. Resultado: o fitoterápico pode interferir no controle dos níveis tensionais. 

Clonidina (anti-hipertensivo). Resultado: o fitoterápico pode antagonizar o efeito do fármaco. 

Medicamentos estimulantes. Resultado: o uso associado está relacionado a aumento no risco de crise hipertensiva.
 
Fenotiazinas (neuroléptico). Resultado: esta associação deve ser evitada devido ao risco de aumento no antagonismo alfa 2 adrenérgico. 

Naloxone (narcoanalgésico). Resultado: o uso associado está relacionado a efeito aditivo terapêutico e adverso. 

 Colaboração

  • Rosane Maria Salvi, Médica, Porto Alegre (RS), 2009.
  • Eliane Diefenthaeler Heuser, Bióloga, Porto Alegre (RS), 2009. 

 Referências

  1. SALVI, R.M.; HEUSER E. D. Interações medicamentos x fitoterápicos: em busca de uma prescrição racional. EDIPUCRS, Porto Alegre (RS). 2008.
  2. The World Agroforestry Centre: Pausinystalia johimbe [8] - Acesso em 13 de novembro de 2016
  3. VeryWell: Safety concerns of yohimbe [9] - Acesso em 13 de novembro de 2016
  4. Sigma-Aldrich: Yohimbe bark extract [10] (Pausinystalia johimbe) - Acesso em 13 de novembro de 2016
  5. Pill Scout (2014): Yohimbe – fat-burning stimulant and sex enhancer [11] - Acesso em 13 de novembro de 2016
  6. The Plant List [12] - Acesso em 13 de novembro de 2016

GOOGLE IMAGES de Pausinystalia johimbe [13] - Acesso em 13 de novembro de 2016

 

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