Mel de alecrim: benefícios, propriedades e o que a diz a ciência

 

O mel de alecrim vem ganhando destaque entre apreciadores de mel, nutricionistas e entusiastas da alimentação natural. Ele é conhecido pelo aroma marcante, sabor suave e uma série de potenciais benefícios.

 

Mas… o que é tradição, o que é marketing e o que já foi de fato comprovado?

Neste post, você descobre:

  • A composição especial do mel de alecrim

  • Seus potenciais efeitos antioxidantes e antimicrobianos

  • Por que há tanta variação entre diferentes amostras

  • E a resposta para a pergunta: “É o melhor mel do mundo?”

Vamos lá.

O que há de especial no mel de alecrim?

Estudos clássicos como o apresentado na American Chemical Society Publications (1995), mostram que o mel de alecrim possui um conjunto de compostos fenólicos característicos das plantas da família Lamiaceae (a mesma do alecrim, tomilho, orégano e manjericão).

Esses compostos funcionam como marcadores da origem floral: eles ajudam a confirmar que o mel foi realmente produzido a partir do néctar do alecrim.

Outro ponto importante é a análise de pólen. Muitas marcas vendem “mel de alecrim”, mas nem sempre ele é monofloral de verdade. A porcentagem de pólen de alecrim afeta aroma, cor e propriedades bioativas.

Mel rico em polifenóis e antioxidantes

Pesquisas recentes (2023–2025) mostram que méis de plantas aromáticas da família Lamiaceae costumam ser ricos em polifenóis, substâncias antioxidantes naturais. Isso vale para mel de alecrim, tomilho, orégano e manjericão.

O mel de alecrim destaca-se pelo conjunto de fenóis derivados do alecrim, que contribuem para a atividade antioxidante. Isso significa que ele ajuda a neutralizar radicais livres, atuando como protetor celular pelo menos em estudos de laboratório.

Atividade antimicrobiana: o que já foi testado?

Vários estudos testaram o mel de alecrim contra bactérias e fungos. Em condições de laboratório, ele mostra boa atividade antimicrobiana, com capacidade de inibir o crescimento de alguns micro-organismos.

Mas aqui vai um ponto importante:

  • esses testes são in vitro (no laboratório)

  • os resultados variam muito entre amostras

  • ainda não há estudos clínicos suficientes em humanos

Ou seja, o potencial existe, mas ainda não dá para fazer promessas terapêuticas específicas.

Por que cada mel de alecrim é diferente?

A composição do mel muda bastante conforme a região onde as colmeias se situam, o tipo de alecrim presente, clima e solo, manejo do apicultor e a pureza floral (quantidade de alecrim no néctar). Isso explica por que é possível experimentar dois méis de alecrim diferentes e eles não se parecerem tanto assim.

E quanto aos benefícios comprovados em humanos?

Quando falamos de mel em geral, já existem evidências de benefícios para tosse em crianças (mel é recomendado por diretrizes internacionais), cicatrização de feridas e proteção antioxidante geral, porém quando o assunto é mel de alecrim especificamente, faltam ensaios clínicos que confirmem efeitos terapêuticos.

A maior parte dos estudos é laboratorial ou baseada em composição química.

“O mel de alecrim é o melhor do mundo?”

Depende do que se considera “melhor”. Do ponto de vista do sabor e aroma, muitos consumidores consideram um dos mais agradáveis por ser leve, floral e aromático. Do ponto de vista químico, possui bons níveis de polifenóis e atividade antioxidante. Do ponto de vista científico, ainda faltam estudos comparativos e clínicos que demonstrem superioridade absoluta.

Pode-se concluir então que o mel de alecrim é excelente e muito valorizado — mas chamar de “mel melhor do mundo” é uma opinião, não um consenso científico. Mel de alecrim reúne aroma e sabor muito apreciados, composição rica em compostos fenólicos, boa atividade antioxidante e antimicrobiana in vitro e tradição culinária e medicinal. Ainda precisa de mais estudos clínicos para que seus benefícios sejam confirmados em humanos e para estabelecer comparações definitivas com outros tipos de mel.

Se você gosta de méis suaves, aromáticos e com potencial funcional, o mel de alecrim certamente merece um lugar na sua dieta.

 Referências

  1. Food Chemistry Advances (2025). Lamiaceae honey: polyphenol profile, vitamin C content, antioxidant and in vitro anti-inflammatory, cholinesterase and tyrosinase inhibitory activity - Acesso em 22 de novembro de 2025 
  2. Antibiotics (2024). Antibacterial Activity and Prebiotic Properties of Six Types of Lamiaceae Honey - Acesso em 22 de novembro de 2025
  3. Foods (2024). Bioactive Compounds, Antioxidant Properties, and Antimicrobial Profiling of a Range of West Algerian Honeys: In Vitro Comparative Screening Prior to Therapeutic Purpose - Acesso em 22 de novembro de 2025
  4. Food Science and Technology (2023). Biological, physicochemical and antibacterial properties of pure honey harvested at the municipality of Seraïdi (Algeria) - Acesso em 22 de novembro de 2025
  5. Antibiotics (Basel, 2022). Antimicrobial and Antioxidant Activity of Different Honey Samples from Beekeepers and Commercial Producers - Acesso em 22 de novembro de 2025
  6.  American Chemical Society Publications (1995). Plant Phenolic Metabolites and Floral Origin of Rosemary Honey - Acesso em 22 de novembro de 2025
  7. Carbohydrate Polymers (1998). Quality evaluation of Portuguese honey - Acesso em 22 de novembro de 2025