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Picão-preto [1]

Enviado por Sergio Sigrist em sex, 04/12/2015 - 2:17pm
Nome científico: 
Bidens pilosa L.
Família: 
Compositae
Sinonímia popular: 
Amor-seco, carrapicho, carrapicho-de-agulha, carrapicho-picão, coambi, cuambu, erva-picão, fura-capa, goambu, picão, picão-amarelo, pico-pico, piolho-de-padre.
Sinonímia científica: 
Coreopsis corymbifolia Buch.-Ham. ex DC.
Partes usadas: 
A planta toda.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Rico em flavonoides, terpenos, fenilpropanoides, lipídios, benzenoides, princípio amargo, mucilagem.
Propriedade terapêutica: 
Bactericida, fungicida, estimulante, antiescorbútico, antiodontálgico, sialagogo, antidisentérico, antidiabético, antileucorreico, anti-helmíntico, vulnerário.
Indicação terapêutica: 
Febre aftosa, angina, diabetes, distúrbio menstrual, hepatite, laringite, verme intestinal, inflamação, hepatite alcoólica, dor (cabeça, dente, garganta), ferida, laceração etc.
tags: 
Difteria - crupe - angina maligna [2]
Febre [3]
Diabetes [4]
Alívio de dor [5]
Dor de dente [6]
Dor de cabeça - enxaqueca [7]
Dor de garganta - amigdalite - faringite - laringite [8]
Ferida [9]
Hemorroidas [10]
Corrimento vaginal - Leucorreia [11]
Afecção do fígado [12]
Malária - Paludismo [13]

 Esta espécie é considerada planta alimentícia não convencional.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: hairy beggar-ticks
  • Francês: sornet, piquant noir, bident hérissé, herbe aiguille, herbe villebague 
  • Alemão: behaarter zweizahn

Origem, distribuição [3]
Picão-preto é nativo da América tropical, tornou-se uma das principais espécies de planta daninha e de praga em todo o mundo.

Descrição [1]
Espécie herbácea anual, desenvolve-se em todo o País instalando-se em áreas ocupadas com espécies olerícolas (alho, alface, beterraba, cebola, cenoura, tomate), lavouras de banana, mamão, manga, maracujá e pomares de goiaba, laranja, maçã e pêssego. Forma compostos alelopáticos que inibem o desenvolvimento da alface, nabo e repolho.

Hospedeira alternativa do Begomovirus do tomate, transmitido a determinadas culturas pela mosca-branca, da Ralstonia solanacearum (que causa a murcha bacteriana, doença das mais severas para as bananeiras), a cochonilha Orthezia praelonga e o ácaro Brevipalpus phoenicis, que transmitem o vírus da leprose dos citros.

Apresenta caule anguloso, verde, com manchas avermelhadas e pilosidade branca. Folhas opostas com limbo dotado de 5 recortes profundos que atingem a nervura central e com margem serreada, pecíolos verdes ou avermelhados, pilosos. Inflorescência axilar e terminal do tipo capítulo longo-pedunculado.

Capítulos rodeados por um invólucro de brácteas foliáceas semelhante a um cálice e um segundo invólucro de 5 a 6 brácteas não muito desenvolvidas, de coloração amarela, semelhante a uma corola. Flores centrais tubulosas, de coloração amarela. Fruto aquênio preto.

Propaga-se por meio de sementes. Fornece pólen para abelhas.

Uso popular e medicinal [5]
Picão-preto é planta medicinal das mais conhecidas da América do Sul, amplamente utilizada no tratamento de inúmeras doenças dentre as quais inflamação, hipertensão, úlceras, diabetes e infecções de todos os tipos, que estão sendo validadas pela moderna pesquisa científica.

A planta tem longo histórico de uso entre os povos indígenas da Amazônia. Geralmente é arrancada e preparada em decocção ou infusão para uso interno, ou esmagada para uso externo na forma de cataplasma.

Na Amazônia peruana picão-preto é usado contra febre aftosa, angina, diabetes, distúrbios menstruais, hepatite, laringite, vermes intestinais e inflamações (internas e externas). Na região de Piura (norte do país), a decocção das raízes é utilizada para a hepatite alcoólica e vermes. Na tribo Cuna misturam as folhas esmagadas com água para tratar dores de cabeça. Em Pucallpa a folha é enrolada e aplicada a dor de dente; as folhas são também utilizadas para dor de cabeça.

Em outras partes da Amazônia a decocção da planta é misturada ao suco de limão para tratar angina, hepatite, dor de garganta e retenção de água. Usam as folhas secas ao sol com azeite para fazer cataplasma e aplicar em feridas e lacerações; e a infusão de flores para tratar a dor de estômago devido a intoxicação alimentar.

Na fitoterapia peruana picão-preto é utilizado para reduzir a inflamação, aumentar a micção e proteger o fígado. É comumente utilizada para a hepatite, conjuntivite, abcessos, infecções fúngicas, infecções urinárias, como um auxiliar de perda de peso e estimular o parto. 

Na medicina herbal brasileira é usado para febres, malária, hepatite, diabetes, dor de garganta, amigdalite, obstruções no fígado (e outras doenças do fígado), infecções urinárias e corrimento vaginal. A infusão ou decocção de toda a planta em gargarejos é indicado para amigdalite e faringite. Externamente é usado em feridas, infecções fúngicas, úlceras, assaduras, picadas de insetos e hemorroidas. Especialistas relatam o uso de picão-preto para normalizar os níveis de insulina e de bilirrubina no pâncreas, fígado e sangue.

No México usam toda a planta ou a folha para tratar a diabetes, doenças do estômago, hemorroidas, hepatite, problemas nervosos e febre. Indicam-na como gargarejo para bolhas na boca e o suco da planta usam em cataplasma externo para o rim e fígado.

Desde 1979 e 1980 cientistas têm demonstrado que as substâncias presentes na erva são tóxicas para bactérias e fungos. Vários flavonoides de picão-preto foram documentados com atividade antimalárica. Em 1991 cientistas suíços isolaram vários fitoquímicos com propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias, o que os levou a sugerir este vegetal na medicina tradicional para o tratamento de feridas, contra inflamação e infecção bacteriana do trato gastrointestinal.

Os principais constituintes químicos de picão-preto são ácidos (beênico, butanodióico ou succínico, cafeíco, cáprico, elaídico, láurico, linoleico, mirístico, palmítico, palmitoleico, paracumárico, tânico e vanílico), esculetina, beta-sitosterol, borneol, cadinol, cafeína, daucosterol, friedelano e friedelina (compostos triterpenos), germacreno D, glucopiranósidos, inositol (uma vitamina do complexo B), isoquercitrina, limoneno, lupeol (triterpenoide), luteolina (um dos principais bioflavonoides), muurolol, okanin-glucósidos, fitol (pigmento presente na clorofila), poliacetilenos (tridecapentaineno, fenilheptatrieno), precoceno (inseticida), piranoses, quercetina (flavonoide antioxidante), sandaracopimaradiol, esqualeno, estigmasteróis, tetrahidroxiauronas, tocopherol quinonas e tridecatetraendieno.

Outros constituintes cujas traduções não foram encontradas são: butoxylinoleates, erythronic acids, phytenoic acid, pilosola.

 Colaboração

  • Cláudia Landi, Biomédica, São Paulo (SP), 2015.

 Referências

  1. MOREIRA, H.J.C; BRAGANÇA, H. B. N. Manual de Identificação de Plantas Infestantes. FMC Agricultural Products, São Paulo (SP). 2011.
  2. MORS, W. B et. alli. Medicinal Plants of Brazil. Reference Publications, Inc.,  Algonac, Michigan. 2000.
  3. Go Botany: Bidens pilosa [14] - Acesso em 29 de novembro de 2015
  4. Plants for a Future: Bidens pilosa [15] - Acesso em 29 de novembro de 2015
  5. Tropical Plant Database (Raintree): picão-preto [16] - Acesso em 29 de novembro de 2015
  6. Imagem: FMC Agricultural Products
  7. The Plant List: Bidens pilosa [17] - Acesso em 29 de novembro de 2015

GOOGLE IMAGES de Bidens pilosa [18] - Acesso em 29 de novembro de 2015

 

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