Uvaia

Nome científico: 
Eugenia pyriformis Cambess
Família: 
Myrtaceae
Sinonímia científica: 
Eugenia albo-tomentosa var. goyazensis O. Berg
Partes usadas: 
Folhas, polpa, caule
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Flavonoides, vitamina C.
Propriedade terapêutica: 
Adstringente, digestiva.
Indicação terapêutica: 
Controle da hipertensão, diminuição do colesterol e ácido úrico, emagrecimento, HIV, tumores (câncer), malária, processos inflamatórios.

Origem
Nativa da Mata Atlântica, Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, mas pode ser encontrava em vários Estados. O nome é indígena, "uvaia" vem do Tupi e significa ”fruta ácida”.

Descrição
Espécie arbórea, o florescimento ocorre entre agosto e setembro e os frutos amadurecem entre outubro e novembro. O amadurecimento não é uniforme, é comum encontrar flores, frutos verdes e maduros no mesmo ramo.

A uvaia tem a polpa muito delicada, com a casca bem fina, de um amarelo-ouro ligeiramente aveludado. O aroma é suave e muito agradável.

Uso popular e medicinal
Algumas espécies de Myrtaceae são utilizadas como plantas medicinais no Paraguai e Argentina, formando um complexo conhecido popularmente como Ñangapary [1,2]. Em outras espécies há pesquisas confirmando a presença de substâncias reconhecidamente potenciais para o uso medicinal.

A infusão de folhas de Eugenia uniflora em água, por exemplo, pode servir para controle da hipertensão, diminuição do colesterol e ácido úrico, emagrecimento e também como adstringente e digestivo [1].

Em folhas e caules de E. moraviana Berg foi isolado o ácido 6ahidroxibetulínico (um triterpeno), o ácido platânico, o ácido betulínico e o b-sitosterol, compostos que tem atraído muita atenção pelo seu potencial de uso no tratamento de HIV, tumores (câncer), malária e processos inflamatórios [3].

Nas folhas de E. uniflora e principalmente nas de E. pyriformis há flavonoides com propriedades inibidoras da xantino-oxidase, atuando no tratamento da gota humana [1,4].

 Culinária
Fruto de polpa firme meio fibrosa, muito suculenta, de cheiro e gosto fortes, lembra vagamente uma pitanga no sabor. Dá para comer ao natural apesar de ser ácida. A frutinha é bem alaranjada, clara e brilhante, do tamanho de um limão médio e de semente única e pequena com polpa farta.

Nada tem a ver com a uva e nem é seu parente distante. É rica em vitamina C. Enquanto a laranja tem em média 40,0 mg de vitamina C, a uvaia tem 200 mg. Tem sabor ácido e doce, ideal para compotas, sorvetes e geleias. Pode ser consumida como sucos e aperitivos e servir de base para molho, vinagre, vinho, licor, doce de massa, pudim e mousse.

Outros usos
Essa espécie pode ser utilizada em programas de reflorestamento e em áreas urbanas e seus frutos apresentam potencialidade de uso industrial. A plantação da uvaia tem ajudado na recuperação de áreas da Mata Atlântica. Seus frutos são muito consumidos pelos pássaros.

 Colaboração

  • Lelington Lobo Franco, Químico-fitologista (Curitiba, PR).

 Referências

  1. SCHMEDA-HIRSCHMANN, G., THEODULOZ, C., FRANCO, L., FERRO, E.B. & ARIAS, A.R. 1987. Preliminary pharmacological studies on Eugenia uniflora leaves: xanthine oxidase inhibitory activity. Journal of Ethnopharmacology 21:183-186.
  2. CONSOLINI, A.E., BALDINI, O.A.N. & AMAT, A.G. 1999. Pharmacological basis for the empirical use of Eugenia uniflora L. (Myrtaceae) as anthypertensive. Journal of Ethnopharmacology 66:33-39.
  3. Lunardi, I.; Peixoto, J.L.B.; Silva, C.C.; Shuquel, I.T.A.; Basso, E.A. & Vidotti, G.J. 2001. Triterpenic acids from Eugenia moraviana. Journal of Brazilian Chemical Society 12(2): 180-183.
  4. THEODULOZ, C., FRANCO, L., FERRO, E.B. & SCHMEDA-HIRSCHMANN, G. 1988. Xanthine oxidase inhibitory activity of Paraguayan Myrtaceae. Journal of Ethnopharmacology 24:179-183.
  5. The Plant List

GOOGLE IMAGES de Eugenia pyriformis
 

 

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