Tribulus

Nome científico: 
Tribulus terrestris L.
Família: 
Zygophyllaceae
Sinonímia científica: 
Tribulus terrestris var. sericeus Andersson ex Svenson
Partes usadas: 
Raiz, partes aéreas, fruto.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Esteroides, saponinas, flavonoides, alcaloides, protodioscina.
Propriedade terapêutica: 
Afrodisíaco, estimulante, antiespasmódico, natriurético, antiurolítica, imunomodulatória, antidiabética, hipolipidêmica, cardiotônica, hepatoprotetora, anti-inflamatória etc
Indicação terapêutica: 
Estimulante sexual, melhoria do desempenho físico, problemas sexuais de mulheres na menopausa, aumento da função erétil, transtorno do desejo sexual hipoativo.

Origem

Originária da Índia. Nativa da região Mediterrânea, provavelmente nordeste da África e bastante difundida nos trópicos. Apresenta-se como erva ruderal da caatinga brasileira, ocorrendo de maneira subespontânea.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: bindy eye, bindii, bull's head, bullhead, burnut, caltrop, cat head, common dubbeltjie, devil's thorn, doublegee, goat head, ground bur nut, isiHoho, Maltese cross, Mexican sandbur, puncture vine, puncture weed, rose

Descrição [4,8]

Erva rasteira com muitas ramificações geralmente prostradas. Folha estípula caduca, pubescente, falcada.

Flor de 4-10 mm de largura, 5 pétalas, cor amarela. Após a flor brotar, nasce o fruto que deixa cair de 4 a 5 sementes, com 2 espinhos laterais afiados, duros, causam dor em pés descalços e problemas em cascos de animais.

Floresce e frutifica de novembro a abril.

Uso popular e medicinal

Planta amplamente utilizada como estimulante sexual natural na medicina tradicional chinesa, indiana e grega.

Uma revisão sistemática coletou ensaios clínicos e estudos quase-experimentais sobre o efeito de T. terrestris nos parâmetros espermáticos na infertilidade masculina idiopática (infertilidade sem causa definida) e concluiu que o consumo da erva, em geral, resultou na melhora dos parâmetros espermáticos [1].

O aumento da quantidade de esperma e melhora do desempenho sexual deve-se provavelmente aos seus compostos ativos que se convertem em andrógenos fracos, que podem ser convertidos em andrógenos mais potentes dentro do organismo humano. 

Um trabalho analisou a influência de T. terrestris e Lepidium meyenii (maçã-peruana) na composição corporal, libido e desempenho físico em praticantes de musculação. Os autores concluiram não houve influência na composição corporal, nem melhora da libido, mas promoveu a melhora de desempenho físico  [2].

Diversos estudos têm demonstrado que produtos derivados de Tribulus podem aumentar os níveis séricos de testosterona endógena, justificando assim os efeitos observados na função erétil, embora não está claro como o Tribulus influencia esse aumento. 

Os principais constituintes de T. terrestris são esteroides, saponinas, flavonoides e alcaloides. As saponinas hidrolisadas são transformadas em sapogeninas esteroidais, com propriedades antiespasmódico e natriurético (excreta sódio) e aumentam a produção de hormônio luteinizante (LH), testosterona, estrogênio e outros esteroides.

O extrato obtido das partes aéreas da planta seca contém glicosídeos esteroides do tipo furostanol (saponinas), cujo componente ativo predominante é a protodioscina (PTN), que representa 45% do extrato. 

Outros esteroides glicosídeos de saponina foram descritos na literatura incluindo 3-O-ß-D-glucopiranosil (--> 2)-ß-D-glucopiranosil (1--4)-ß-D-galactopiranósido e neo-hecogenina-3-O-ß-D-glucopiranosil (1 --> 4)-ß-D-galactopiranósido.

Saponinas esteroidais podem ser responsáveis pela atividade hormonal, estimulando diretamente os tecidos endócrinos responsivos como o útero e a vagina. Foi proposto que os componentes ativos de T. terrestris podem ser convertidos enzimaticamente a andrógenos fracos semelhantes à dehidroepiandrosterona (DHEA) que poderiam, por sua vez, ser convertidos em andrógenos mais potentes, como a testosterona nas gônadas e tecidos periféricos, correlacionando-se positivamente com o desejo e comportamento sexual.

Um estudo realizado em homens atesta que PTN aumenta os níveis séricos de DHEA, resultando em melhor auto-estima e bem-estar geral. Ele age estimulando a produção da enzima 5-a-redutase, que converte a testosterona em diidrotestosterona, que tem um papel fundamental na formação de células sanguíneas e desenvolvimento muscular. 

Segundo pesquisadores, níveis de testosterona e LH, bem como o nível de DHEA, aumentaram após o tratamento de disfunção erétil com PTN por 30 a 90 dias em homens. Nota-se que a maioria dos estudos encontrados na literatura relata a ação de Tribulus em homens.

Em estudo duplo-cego randomizado com mulheres, os autores notaram  uma melhora no desejo sexual em mulheres com transtorno do desejo sexual hipoativo (condição em que a libido desaparece) [3].

Uma visão geral fitofarmacológica de T. terrestris apresenta extensa lista das suas atividades: diurética, afrodisíaca, antiurolítica, imunomodulatória, antidiabética, potenciadora da absorção do cloridrato de metformina, hipolipidêmica, cardiotônica, sistema nervoso central, hepatoprotetora, anti-inflamatória, analgésica, antiespasmódica, anticancerígena, antibacteriana, anti-helmíntica, larvicida e anticariogênica [7].

Mais atividades e componentes químicos de T. terrestris são encontrados em Dr. Duke's Phytochemical and Ethnobotanical Databases [6].

 Dosagem indicada na Ayurveda [7]

  • Fruta: 3-6 g da droga em forma de pó; 20-30 g da droga para decocção
  • Raiz: 20-30 g da droga para decocção

 Cuidado

Esta planta causa tribulose ou geeldikkop (literalmente, "cabeça grande amarela") em ovelhas que comem a planta. A tribulose é uma fotodermatite. Os princípios tóxicos da planta causam danos no fígado e acumulação de filoeritrina no sangue. Produto de degradação da clorofila, a filoeritrina atua como agente fotossensibilizante [5].

Em determinadas épocas do ano esta erva constitue excelente forragem para carneiros, sendo a causa primária do complexo mórbido designado como tribulose ovina, caracterizado por iterícia profunda, lesões necróticas do fígado que se mostra amarelo-ouro, extensos edemas subcutâneos localizados sobretudo na cabeça e nas pernas, finalmente necroses da pele com formação de escaras [9].

 Referências

  1. US National Library of Medicine (2019). Effect of Tribulus terrestris on sperm parameters in men with idiopathic infertility: A systematic review - Acesso em 23 de junho de 2019
  2. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva (2017): Influência do uso de Lepidium meyenii Walp e Tribulus terrestris em praticantes de musculação - Acesso em 23 de junho de 2019
  3. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (2016): Assessment of the effects of Tribulus terrestris on sexual function of menopausal women - Acesso em 23 de junho de 2019
  4. Silva, Uiara & Oliveira, Reyjane & Harley, Raymond & Giulietti, Ana. (2014). Flora da Bahia: Zygophyllaceae. SITIENTIBUS Série Ciências Biológicas. 14. 10.13102/scb381. - Acesso em 23 de junho de 2019
  5. Botanical Dermatology Database (2011): Zygophyllaceae - 1 Balanites - Tribulus - Acesso em 23 de junho de 2019
  6. U.S. Department of Agriculture, Agricultural Research Service. 1992-2016. Dr. Duke´s Phytochemical and Ethnobotanical Databases: Tribulus terrestris - Acesso em 23 de junho de 2019
  7. US National Library of Medicine (2014): Phytofarmacological overview of Tribulus terrestris - Acesso em 23 de junho de 2019
  8. Wikipedia - Tribulus terrestris - Acesso em 23 de junho de 2019
  9. SILVA, M. Rocha. Importância da fotossensibilização para a medicina humana e veterinária. Revista da Faculdade de Medicina Veterinária de São Paulo.  Vol. 1 - fasc. 3-4, 1940.
  10. Image: Courtesy of Forest & Kim Starr
  11. The Plant List: Tribulus terrestris - Acesso em 23 de junho de 2019

GOOGLE IMAGES de Tribulus terrestris - Acesso em 23 de junho de 2019

 

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