Sucuuba

Nome científico: 
Himatanthus sucuuba (Spruce ex Müll.Arg.) Woodson
Família: 
Apocynaceae
Sinonímia científica: 
Plumeria sucuuba Spruce ex Müll.Arg.
Partes usadas: 
Látex, casca, folha.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Iridoides (plumericina, isoplumericina), cinamato, triterpenoides, ácidos orgânicos, açúcares redutores, antraquinona, catequina, saponina, taninos.
Propriedade terapêutica: 
Citotóxica, anticâncer, antifúngica, antibacteriana, anti-inflamatória, analgésica, antimicrobiana, antirreumático, anti-helmíntico, cicatrizante, adstringente, emenagogo etc.
Indicação terapêutica: 
Dor, inflamação, tumor, infecção, úlcera, câncer, ferida, cândida, tuberculose, sífilis, sarna, asma, reumatismo, problemas de pele, problema digestivo, leishmaniose etc.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: Bellaco Caspi

Origem
O gênero Himatanthus é exclusivo da América do Sul. A espécie H. sucuuba é encontrada no Panamá, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Bolívia e Brasil.

Descrição [7]
Árvore de floresta tropical, cresce de 8 a 16 m de altura com copa alta, estreita e piramidal. O tronco tem 30-40 cm de diâmetro e casca áspera. 

Produz flores brancas perfumadas e uma vagem de 20 cm com numerosas sementes aladas. As folhas são verdes brilhantes, 25 a 30 cm de comprimento por 3 a 5 cm de largura. 

Um látex branco leitoso é exsudado quando as folhas são cortadas ou as hastes quebradas dos galhos. Ferir a casca da árvore também exalará o látex.

Várias espécies de Himatanthus são encontradas da América Central ao norte da América do Sul - a maioria de médio a grande porte, em florestas úmidas e inundadas em altitudes abaixo de 500 m.

Uso popular e medicinal
Sucuuba é uma planta medicinal amplamente respeitada na fitoterapia da Amazônia e América do Sul. Muitos de seus usos tradicionais foram verificados por pesquisas. Usada principalmente no tratamento de dores e inflamações, tumores cancerígenos, como antimicrobiana de amplo espectro em infecções internas e externas e muitas outras condições. 

A planta contém vários compostos ativos. Um iridoide antitumoral e dois depsídeos mostrando atividade inibidora da monoamina oxidase B (MAO-B) foram isolados da casca. Dois produtos químicos iridoides chamados plumericina e isoplumericina foram encontrados na casca e no látex. Em trabalhos de laboratório, esses dois produtos químicos foram relatados com ações citotóxicas, anticâncer, antifúngica e antibacteriana.

Foi demonstrado que um extrato da casca fornece proteção significativa contra úlceras e reduz a hipersecreção gástrica através de vários novos mecanismos de ação.

O látex mostrou significativa ações anti-inflamatória e analgésica, podendo exercer efeito anti-inflamatório mesmo na fase aguda do processo inflamatório. Essa ação foi atribuída aos produtos químicos do cinamato encontrados no látex e na casca.

A casca demonstrou ser significativamente citotóxica para 5 diferentes linhas celulares de câncer humano, o que pode ajudar a explicar por que a árvore tem sido usada contra câncer e tumores há muitos anos na América do Sul. Essa ação anticâncer provavelmente está relacionada aos iridoides e triterpenoides na casca da árvore.

A pesquisa mostrou que a casca tem um efeito antifúngico maior do que a droga de controle (nistatina), ação essa atribuída aos ésteres triterpênicos encontrados nesta parte do vegetal.

Sua eficácia no tratamento de feridas infectadas, cândida, tuberculose, sífilis e até sarna pode ser explicada pelas ações antimicrobiana documentadas da casca e do látex.

O uso da planta no tratamento da asma pode ser explicado pelas ações relaxantes do músculo liso documentado em 2005 por pesquisadores brasileiros que trabalham com extrato de casca.

A casca e o látex são considerados analgésico, anti-inflamatório, antirreumático, antitumoral, antifúngico, anti-helmíntico, afrodisíaco, adstringente, purificador de sangue, emenagogo, emoliente, febrífugo, laxante, purgativo, tônico, vermífugo e vulnerária (tratamento de feridas de difícil cicatrização).

Uma decocção da casca é tomado internamente para tratamento de reumatismo, dor de estômago e dor no corpo. Aplicada externamente, a casca da árvore em pó é aspergida diretamente sobre feridas.

Colocado em água morna, o látex serve para banhar a parte do corpo que sofre de artrite, dor ou inflamação. O látex pode também ser aplicado diretamente em abscessos, feridas, erupções cutâneas e úlceras na pele. É esfregado nas picadas de moscas botfly (uma variedade da nossa conhecida "varejeira") para sufocar e matar as larvas sob a pele de animais e humanos.

A casca e o látex servem no tratamento de doenças e inflamações das glândulas linfáticas, desordens femininas tais como endometriose (crescimento anormal de tecido fora do revestimento uterino), tumor uterino (ou fibroide uterinea), irregularidades e dor menstrual, cisto e inflamação ovariana; tumor canceroso e câncer de pele; problemas digestivos (indigestão, dor de estômago, inflamação intestinal, úlcera gástrica), tosse, febre, dor de cabeça, asma e outras doenças pulmonares [3].

Um trabalho teve como objetivo determinar o screening fitoquímico e a indicação de uso popular da espécie. A parte escolhida foi a casca. Foram identificados ácidos orgânicos, açúcares redutores, antraquinona, catequina, saponina espumídica e taninos. O trabalho consultou a literatura e ressalta que esta espécie é usualmente indicada para o tratamento das afecções do trato digestivo, principalmente o estômago no caso de gastrite e úlcera gástrica. E devido ao seu poder cicatrizante pode também ser indicada no tratamento de herpes e impigem (ou impingem, tinha, tinea) [6]

Látex, casca e folha são utilizados na medicina popular como antitumoral, antifúngico, antianêmico, vermífugo e no tratamento de gastrites e artrites.

O látex exsudado das cascas é utilizado no tratamento de infecções da pele e coceiras, enquanto que as folhas servem contra problemas de intestino e na expulsão de vermes.

Seu látex é utilizado pela população como anti-inflamatório, analgésico, tratamento de tumores, úlcera e tuberculose. Suas cascas são utilizadas para o tratamento de úlceras, como analgésico e antitussígeno. E possuem comprovada atividade leishmanicida.

Do látex da árvore já foram isolados os iridoides fulvoplumierina, plumericina e soplumericina (que possuem atividade antifúngica, antibiótica e citotóxica), além de isoplumierídeo, esmetilplumierídeo, plumierídeo e desmetilisoplumierídeo. Os triterpenos cinamato de lupeol, cinamato de a-amirina, cinamato de ß-amirina e acetato de lupeol também são encontrados nas cascas e no látex (possuem atividades antiinflamatória e analgésica). Também são encontradas substâncias fenólicas como o ácido gálico, catecol, quercitrina e miricetrina [1].

Foi realizado um teste de coagulação (agregação plaquetária) com o soro do látex de H. sucuuba. Constatou-se que soro promoveu a agregação plaquetária no plasma humano nas concentrações utilizadas. Os autores concluem que as proteínas presentes podem interferir no sistema hemostático [2].

Ainda sobre o látex, menciona-se seu grande valor fitoterápico para tratamento de fratura, problema gástrico e como cancerígeno [4].

 Dosagem indicada

Reumatismo. Preparar uma decocção da casca. Beber uma vez ao dia [5].

Preparação tradicional. Na medicina indiana, a casca é preparada como uma decocção ou infusão e o látex é aplicado topicamente à pele e ingerido em uma pequena quantidade de água. Na fitoterapia das cidades da América do Sul, tinturas, extratos fluidos e cápsulas são vendidos nos mercado, facilitando o uso e o armazenamento por mais tempo [7].

 Dedicado a Cláudio Rossi (Sabará, MG)

 Referências

  1. Universidade Federal do Amazonas (2013): Análise fitoquímica dos extratos e frações obtidos de Himatanthus sucuuba - Acesso em 15 de setembro de 2019.
  2. Janeth Silva Pinheiro Marciano; Renan Gonçalves da Silva; Juliana da Silva Coppede; Sonia Marli Zingaretti et al. Ensaio de agregação plaquetária com soro do látex de Himatanthus sucuuba. In: ANAIS DO SIMPóSIO DE BIOQUíMICA E BIOTECNOLOGIA, 2017, . Anais eletrônicos... Campinas, GALOÁ, 2018. Acesso em 15 de setembro de 2019.
  3. Tropical Plants Database, Ken Fern: Himatanthus sucuubaAcesso em 15 de setembro de 2019
  4. Acta Botanica Brasilica (2005): Tolerância de Himatanthus sucuuba ao alagamento na Amazônia Central Acesso em 15 de setembro de 2019
  5. Herbpathy: Uses and benefits of Himatanthus sucuuba Acesso em 15 de setembro de 2019
  6. Jornada Paulista de Plantas Medicinais (EMBRAPA Amazonia Oriental, 2003): Screening fitoquímico e indicação fitoterápica da Himatanthus sucuuba
  7. The Tropical Plant Database (Raintree): Bellaco Caspi Acesso em 15 de setembro de 2019
  8. Imagem: © Aimêe Almeida de Oliveira.
  9. The Plant List: Himatanthus sucuuba Acesso em 15 de setembro de 2019

GOOGLE IMAGES de Himatanthus sucuuba Acesso em 15 de setembro de 2019

 

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