Pimentão, pimenta

Nome científico: 
Capsicum annuum
Família: 
Solanaceae
Sinonímia científica: 
Capsicum abyssinicum A.Rich.
Partes usadas: 
Fruto, flores, folhas.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Capsaicina, carotenos, capsorrubina, luteína, água, nitrogênio, carboidratos, gorduras, cobre, vitaminas (B,C).
Propriedade terapêutica: 
Antidiarreica, anti-hemorroidal, antirreumática, antiemética, antiespasmódica, rubefaciente, irritante, diurética, digestiva, sialagogo.
Indicação terapêutica: 
Mialgia, torcicolo, alopecia, lombalgia, estímulo da vesícula biliar, tensão muscular, reumatismo, tratamento de entorse, frieira ininterrupta, nevralgia, pleurisia, cinetose.

 


No Brasil o termo pimenta refere-se tanto às espécies de Capsicum quanto às de Piper. Aqui estamos nos referindo à Capsicum, dependendo da variedade as ardidas são chamadas pimenta e as doce pimentão.

Variedades de Piper são mais conhecidas por "especiarias". As principais são:

  • Piper negrum (pimenta-preta, pimenta-do-reino, pimenta-redonda) 
  • Piper guineense (pimenta-de-são-tomé)
  • Piper longum (pimenta-longa)

Nome em outros idiomas

  • Inglês: sweet pepper, cayenne pepper, chili pepper, christmas pepper, red pepper, ornamental chili pepperpaprika, pod pepper
  • Alemão: cayennepfeffer, chili, gemüsepaprika, paprika, gewürzpaprika, spanischer pfeffer
  • Francês: piment, piment doux, poivron doux
  • Italiano: peperoncino
  • Espanhol: ají, chile, guindilla, pimiento.

Origem
O centro de origem das pimentas do gênero Capsicum é o continente americano. Dentre as espécies de Capsicum, 5 são domesticadas e largamente cultivadas e utilizadas pelo homem:

  • Capsicum annuum (pimentão no Brasil, pimento em Portugal, jalapeño, pimenta-caiena)
  • C. bacccatum (dedo-de-moça, pimenta-calabresa, chifre-de-veado, cumari-verdadeira)
  • C. chinense (pimenta-murupi, savina-vermelha, cumari-do-pará)
  • C. frutescens (pimenta-malagueta, piripiri, jindungo em Angola, tabasco)
  • C. pubescens (rocoto, pimenta-cavalo, pimenta-pera e pimenta-maça no México)

Apenas C. pubescens não é cultivada no Brasil. 

Descrição
A planta da pimenta compreende um conjunto de dezenas de variedades diferentes e divide-se em 2 grupos principais: doce (ou suave) e picante (ardida, pungente ou "quente"). Esses dois grupos recebem outras denominações: pimentão e pimenta (veja o quadro).

Pimentão (Capsicum annuum var. annuum) apresenta fruto grande e largo (10-21 cm de comprimento e 6-12 cm de largura), paladar suave, sendo normalmente consumido em saladas, cozidos ou recheados.

Pimenta apresenta em sua maioria fruto menor que o pimentão, formato variado, paladar predominantemente quente, é utilizada principalmente como condimento e, em alguns casos, como planta ornamental em razão da folhagem variegada (apresenta zonas de coloração diferente nas folhas), do porte anão e dos frutos exibirem diferentes cores no processo de maturação.

No geral esta é uma planta anual que cresce até 1 m de altura, com hastes ramosas e acentuadas, sustentadas por um pecíolo prolongado.

As flores nascem ao mesmo tempo, com o caule torcido para baixo. 

O fruto é uma baga seca e estrutura oca. A coloração dos frutos maduros é geralmente escarlate (vermelho muito forte) mas pode ter variados tons de amarelo, alaranjado, salmão, roxo ou até preto. São multiformes, conforme a espécie podem ser alongados, arredondados, triangulares ou cônicos, campanulados, quadrados ou retangulares. São lisos e brilhantes na superfície. 

Os frutos secos de pimentões e pimentas cayenne são moídos em pó e utilizado como um condimento picante chamado páprica. O pó seco da fruta de algumas cultivares é adicionado aos alimentos como um corante. 

As flores de pimenta aparecem no verão embora, dada a grande diversidade de raças, podem também surgir de abril a julho. O mesmo ocorre com os frutos, alguns podem amadurecer no verão e outros de junho em diante.

As flores são hermafroditas (possuem ambos os órgãos masculino e feminino). 

Uso popular e medicinal

O que interessa para fins terapêuticos é o fruto seco e maduro. Dentro do fruto tem-se de 2 a 4 partições que se estendem ao longo do pericarpo. Nestas partições se inserem as sementes, que são em forma de rim (ou feijão).

O principal ingrediente ativo da pimenta é a capsaicina, alcaloide responsável pelo sabor picante de alguns cultivares de pimenta. O nome químico é vanililamida (ácido metilnonénico), um composto normalmente picante localizado na placenta (tecido da parte interna do fruto).

A capsaicina tem a capacidade de inflamar a pele onde é aplicada, ou seja, atua como substância rubefaciente (produz vermelhidão intensa e passageira na pele) ativando a circulação na área tratada. Este efeito é muitas vezes usado como um antirreumático tópico.

Outras propriedades medicinais comprovadas da capsaicina: cicatrizante de ferida, antioxidante, dissolve coágulos sanguíneos, previne a arteriosclerose, controla o colesterol, evita hemorragia, aumenta a resistência física, influencia a liberação de endorfina causando sensação de bem-estar e elevação do humor.

Capsaicina é medida em Unidades de Calor Scoville (Scoville Heat Units-SHU) por meio de aparelhos específicos.

O valor varia de zero (pimenta doce) a geralmente 300.000 (pimenta muito picante, caso da habanero).

Em casos extremos, o teor de pungência pode ficar entre 855.000 e 1.463.700 SHUs, como é o caso da indiana Bhut Jolokia”, considerada a mais picante até 2007; e a "rainha" das pimentas quentes a "Trinidad Moruga Scorpion", que alcança entre 1.500.000 a 2.000.000 SHUs. 

Aplica-se também juntamente com outras substâncias em mialgias (dores musculares), alopecia (queda difusa de cabelo) e dor nas costas (lombalgia).

Administrado por via oral, a pimenta é estimulante do sistema digestivo. É usada com frequência para ajudar na digestão após uma refeição pesada. Outro efeito demonstrado: estimula notavelmente a vesícula biliar.

O fruto das cultivares "quente" é anti-hemorroidal quando tomado em pequenas quantidades, antirreumático, antisséptico, sudorífico, digestivo, irritante, sialogogo (estimula a formação de saliva, como hortelã e tamarindo) e tônica. Usado internamente no tratamento da fase fria de febres, debilidade em convalescença ou velhice, veias varicosas (ou varizes, são veias inchadas, torcidas e às vezes doloridas), asma e problemas digestivos. 

Externamente é utilizada no tratamento de entorses, frieiras ininterruptas, nevralgia e pleurisia (inflamação na pleura, um tecido fino que recobre toda a superfície dos pulmões). É um preventivo eficaz para controlar a cinetose, também conhecido como enjôo marítimo, doença do movimento ou náusea do mar.

Comissão E Monografias, um guia terapêutico alemão da medicina herbal, aprovou a Capsicum para a tensão muscular e reumatismo.

 Dosagem indicada

Tintura de pimentões (chilli). É a tintura da pimenta picante seca, pode-se preparar em álcool e esfregar nas dores reumáticas, torcicolo ou lombalgia.

É obtida por maceração deixando 60 g de pimenta picada em 1/2 litro de vinho semanas. A maceração se prolonga por um par de semanas, após esse período é filtrada e engarrafada em álcool.

Pó. O pó de pimentão é obtido por pulverização do fruto. Deste pó pode-se tomar de 0,3 g a 1 g por dia, em cápsulas ou em qualquer outra forma sólida.

Cuidados
Quando a pimenta é usada como medicamento (em diferentes formas de dosagem) deve-se tomar cuidado para não exceder as doses indicadas. O abuso pode causar 
vômito, diarréia e gastrite.

As folhas jovens são comestíveis mas alguns recomendam cautela. Embora não haja muita confirmação, sabe-se que muitas espécies de Solanaceae produzem toxinas em suas folhas. 

Monografias farmacopeicas

DAB10, OAB 1990, JP 1991 e Farmacopeia da Hungria 1986. 

Valor nutricional [9]

Cada 100 g de Capsicum annum contêm:

  • Calorias - 29kcal
  • Proteínas - 1,3g
  • Gorduras - 0,1g
  • Vitamina A - 2000 U.l.
  • Vitamina B1 (Tiamina) - 20 mcg
  • Vitamina B2 (Riboflavina) - 30 mcg
  • Vitamina B5 (Niacina) - 20 mg
  • Vitamina C (Ácido ascórbico) - 126 mg
  • Potássio - 140 mg
  • Sódio - 16 mg
  • Cálcio - 10 mg
  • Fósforo - 25 mg
  • Ferro - 0,5 mg

    Interações com medicamentos (Capsicum spp.) [1]

    Aspirina (anti-inflamatório não-esteróide). Resultado: aumento do risco de sangramento uma vez que a capsaicina presente no fitoterápico inibe a síntese de tromboxane. 

    Medicamentos em geral. Resultado: o fitoterápico causa aumento do fluxo sanguíneo gastrointestinal, o que teoricamente aumentaria a absorção de medicamentos.

    Fenitoína ( = difenilhidantoína, anticonvulsivante). Resultado: a piperina presente no fitoterápico produz aumento da absorção intestinal, com aumento da biodisponibilidade e efeito deste.

    Fenobarbital (anticonvulsivante). Resultado: a piperina presente no fitoterápico produz aumento da absorção intestinal do fármaco, com aumento da biodisponibilidade e efeito deste.
     
    Inibidores da Eca (antihipertensivos). Resultado: relato de caso em que o uso associado favoreceu a instalação de tosse.
     
    Inibidores da MAO (antidepressivos). Resultado: o fitoterápico aumenta a possibilidade de risco de crise hipertensiva.
     
    Rifampicina (antimicrobiano). Resultado: a piperina presente no fitoterápico produz aumento da absorção intestinal do medicamento, com consequente aumento da biodisponibilidade deste.
     
    Teofilina (broncodilatador). Resultado: a piperina presente no fitoterápico produz aumento da absorção intestinal do fármaco, com aumento da biodisponibilidade deste.

     Colaboração

    • Rosane Maria Salvi, Médica (Porto Alegre, RS), 2009.
    • Eliane, Diefenthaeler Heuser, Bióloga (Porto Alegre, RS), 2009. 

     Referências

    1. SALVI, R.M.; HEUSER E. D. Interações medicamentos x fitoterápicos: em busca de uma prescrição racional. EDIPUCRS, Porto Alegre (RS). 2008.
    2. Enciclopedia de Plantas Medicinales.
    3. Plants for a Future: Capsicum annuum - Acesso em 20/12/2014
    4. Wikipedia: Scoville Scale - Acesso em 20/12/2014
    5. Agência EMBRAPA de Informação Tecnológica: Pimenta - Acesso em 20/12/2014
    6. EMBRAPA Hortaliças: Pimenta (Capsicum spp.) - Acesso em 20/12/2014
    7. Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC): Pimenta - Acesso em 20/12/2014
    8. USP. Faculdade de Ciências Farmacêuticas. Depto. de Alimentos e Nutrição Experimental/BRASILFOODS (1998). Tabela Brasileira de Composição de Alimentos, vr 5.0.
    9. Wikipedia: Pimentão - Acesso em 20/12/2014
    10. Wikipedia: Pimenta - Acesso em 20/12/2014
    11. Spices and Medicinal Herbs: Capsicum annuum - Acesso em 20/12/2014
    12. The ScienceHistoryLover: Let's get to know about the hottest chilli on earth - Acesso em 20/12/2014
    13. The Plant List: Capsicum annuum - Acesso em 20/12/2014

    GOOGLE IMAGES de Capsicum annuum - Acesso em 20/12/2014

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