Pau-brasil

Nome científico: 
Caesalpinia echinata Lam.
Sinonímia científica: 
Guilandina echinata (Lam.) Spreng.
Família: 
Leguminosae
Partes usadas: 
Resina, casca, semente.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Polifenóis (especificamente os flavonoides brasilina e brasileina), tanino, cumarina.
Propriedade terapêutica: 
Adstringente, analgésico oral, tônico, antimicrobiano, antifúngico, anti-inflamatório, antinociceptivo, antitumoral, antioxidante, antissifilítica.
Indicação terapêutica: 
Diarreia, disenteria, limpeza e fortalecimento da gengiva, câncer.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: brazilwood

Origem
Nativa da Mata Atlântica (Brasil). Ocorre desde a costa do Rio Grande do Norte até o Rio de Janeiro. A espécie está ameaçada de extinção. Fornece importante habitat para orquídeas, bromélias e outras epífitas.

Descrição [1]
Apresenta porte arbóreo mediano, pode chegar a 30 m de altura. O tronco das árvores adultas varia entre 30 a 50 cm de diâmetro. Na base do tronco encontram-se reentrâncias chamadas "sapopemas". A casca tem cor acinzentada. O lenho é duro e pesado. A cor do cerne varia do castanho-alaranjado ao castanho-avermelhado.

As folhas são bipartidas. Flores apresentam corola imbricada ascendente ou vexilar, duram no máximo entre 10 a 15 dias, exalam aroma cítrico agradável. Reunem-se em pequenos cachos terminais. As pétalas são amarelas, a pétala maior tem mancha vermelha no centro.

Os frutos têm deiscência explosiva, as sementes ficam envoltas na vagem. Os frutos aparecem cerca de 1 mês após a floração. Cada fruto desenvolve de 1 a 4 sementes irregularmente orbiculares e de coloração acastanhada. 

Entre as características da espécie brasileira na época em que recebeu o nome C. echinata ("similar a um ouriço") estão os acúleos (ou espinhos) que revestem a parte externa do fruto e protegem as sementes contra predadores. 

Pau-brasil é considerada a árvore-símbolo do Brasil, o único país que recebeu o nome de uma planta. "Brasileiros" eram os primeiros coletores desta espécie. 

C. echinata tem importância histórica que remonta ao início do século XVI, época da superexploração e contrabando da madeira pelos colonizadores.

Tudo começou devido a introdução na Europa das tinturas indígenas vindas da América. A forte indústria de tinturaria, o significado da cor vermelha, especialmente a cor púrpura, e outros interesses desencadearam enorme atração pela árvore. Leia retrospectiva sobre tintura no quadro ao lado.

Tonalidades rubras passaram a influir em atividades econômicas, culturais, estéticas e esotéricas. Foi atribuido poder simbólico de duplo significado: cor do sangue (vida) e cor do fogo (destruição). Acreditavam que provocava a fecundidade, afastava maus espíritos, assegurava a vitória nos combates.

Tribos indígenas guerreiras pintavam o corpo de vemelho para se mostrarem ferozes nas batalhas. 

O vermelho era símbolo de status de trajes de imperadores, reis e guerreiros. Tons rubros simbolizavam poder terreno e transcendência espiritual. 

Na Europa renascentista a grande maioria das receitas de tinturaria era dedicada aos tons de vermelho e púrpura.

Por volta de 1870, a invenção dos corantes sintéticos para tecidos provoca o abandono do pau-brasil como matéria-prima para a indústria têxtil.

A madeira passa a ter uso restrito, principalmente em arcos de instrumento de cordas (violino), considerada adequada para este objeto devido a beleza, cor, textura e "bom comportamento" ao vibrar as cordas do instrumento [5,7].

Inventada pelos fenícios, a tinta púrpura era obtida a partir de um líquido encontrado em glândulas de moluscos marinhos (Murex sp. e outros). Essa secreção era misturada com natrão e deixada macerar por 3 dias.Passado o tempo, adicionavam água e deixavam ferver por uns 10 dias, quando faziam então as primeiras provas de tingimento.

Nas fábricas de púrpura os resíduos dos moluscos deixavam o ambiente fétido e insalubre. O divórcio era concedido à mulher do tintureiro caso não conseguisse suportar o cheiro do marido, o que provocou a procura pelo sucedâneo da púrpura como carmim, extraída da fêmea do inseto K. vermilio; e urzela, extraída de liquens do gênero Rocella. Porém o processo para obtenção dessas tinturas era caro, demorado e nem sempre oferecia a qualidade de corante desejada.

Passaram então a obter o produto de plantas tintórias. Consta que a primeira delas foi a rúbia (R. tinctorum), que oferecia um vermelho com um ponto alaranjado muito diferente das místicas púrpura e carmim. 

A partir do século XII um novo produto tintorial ganhou expressão: a madeira Caesalpinia sappan, trazida para a Europa do Oriente e conhecida como sappan, verzi, verzino, brazilio, brazil, braziletto. A madeira foi bem aceita por razões práticas: era cultivada e o preço mais baixo que carmim e urzela, de fácil aplicação e alto rendimento. Além disso imitava com precisão a púrpura e o carmim. 

A substituição da C. sappan pela brasileira C. echinata em parte é creditada a Cristóvão Colombo, que reconhecera as suas propriedades tintórias nas viagens pela América. Europeus passaram a especular sobre a potencialidade econômica da tinta deste vegetal encontrado inicialmente nas Ilhas Caribenhas, sendo considerado este o embrião da exploração dos corantes indígenas [1].

Uso popular e medicinal
Há um interesse crescente pelo uso medicinal do pau-brasil. Diferentes partes deste vegetal são comumente usados como adstringente, agentes de cura, analgésico oral e tônico.

A casca cozida é utilizada para combater diarreia e disenteria. Reduzida a pó, serve para limpar e fortalecer as gengivas e amenizar cólicas menstruais. Pesquisa realizada na Universidade Federal de Pernambuco aponta que o extrato do pau-brasil pode ser agente eficaz no combate ao câncer, já que a ação antineoplásica do extrato tem obtido índice de 87,1% de inibição de crescimento de tumores [6].

Na década de 80 uma pesquisa demonstrou a propriedade antissifilítica do pó do tronco.

A semente da planta é objeto de estudos na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Universidade de São Paulo (USP) e Faculdade de Medicina da Santa Casa (SP). Pesquisadores descobriram que uma proteína denominada CeKI apresenta propriedades anticoagulantes e anti-inflamatórias. Em testes de laboratório in vitro e em ratos a proteína ajudou na prevenção de coágulos, mostrando também eficiência no controle da dor e da inflamação, em pelo menos um caso, contra veneno de um peixe encontrado no Nordeste conhecido por niquim. Mal de Alzheimer também pode ser tratado com CeKI, pois atua contra inibidor de uma enzima envolvida na doença, a calicreína. Outra proteína extraída da semente, CeEI, reduziu edemas pulmonares em coelhos quando ocorrem inchaços e acúmulo de líquidos nos pulmões [7]

A madeira contém vasta gama de polifenóis, especificamente os flavonoides brasilina e seu composto oxidado brasileina (substância com propriedade corante responsável pela cor vermelha), além de ligninas e mais baixas concentrações de taninos e cumarinas. Com propriedades antioxidantes conhecidas, tais polifenóis desempenham importante papel na modulação da expansão dos sistemas angiogênicos, como por exemplo, na circulação local de sangue nas córneas de animais estimulados por substâncias irritantes.

Vários estudos reportam que esta espécie tem propriedades de interesse médico em especial antimicrobiano, antifúngico, anti-inflamatório, antinociceptivo e antitumoral. Em artigo publicado no Journal of Cancer (2014) os autores demonstram que o extrato da madeira de C. echinata é capaz de inibir a atividade oxidante de radicais em ensaios in vitro, além de apresentar ação protetora contra o estresse oxidativo. Associado com a capacidade antioxidante, o extrato também reduziu a resposta angiogênica inflamatória em córneas de ratos [2].

Angiogênese é um processo complexo envolvendo inúmeras moléculas que estimulam e inibem a formação de novos vasos sanguíneos a partir de vasos pré-existentes [3].

Outros usos [4]
A madeira é usada em construção, carvão, arcos de violino, canetas e joias. A madeira é muito valiosa, considerada incorruptível por não apodrecer e não ser atacada por insetos. Indicada para arborização urbana, melífera (as flores são visitadas por abelhas) e paisagismo.

 Referências

  1. BUENO, E. et al. Pau-Brasil. Axis Mundi, São Paulo (SP), 2002.
  2. US National Library of Medicine (Journal of Cancer): Evaluation of antioxidant and antiangiogenic properties of Caesalpinia echinata extracts - Acesso em 19 de julho de 2015
  3. Arquivos Brasileiros de Oftalmologia: Angiogênese e doenças da retina - Acesso em 19 de julho de 2015 
  4. Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais: Pau-brasil - Acesso em 19 de julho de 2015 
  5. Global Trees Campaign: Pau Brasil - Acesso em 19 de julho de 2015
  6. Universidade Federal de Pernambuco: Testes com pau-brasil são favoráveis na luta contra o câncer - Acesso em 19 de julho de 2015
  7. Ciência traz novo uso do pau-brasil. Jornal Estado de São Paulo, 12 de outubro de 2008.
  8. Imagem: Prefeitura de São Lourenço da Mata (PE) - Acesso em 19 de julho de 2015
  9. The Plant List: Caesalpinia echinata - Acesso em 19 de julho de 2015

GOOGLE IMAGES de Caesalpinia echinata - Acesso em 19 de julho de 2015

Galeria: