Newsletter - Edição Maio 2008

Edição de maio de 2008 - Revisada em julho de 2014

Palavra ao Leitor

Esta é a 5a edição de newsletter do site de Plantas Medicinais. Demorou mas saiu, não em maio conforme planejado a princípio, mas no início de junho (o que não deixa de ser um "princípio").

Inicio pelo aveloz conforme descrito no livro "As sensacionais 50 plantas medicinais", enviada pelo autor e colaborador deste site Lelington Lobo Franco.

Revirando antigo email, localizei um documento sobre jurubeba. Por coincidência, um leitor escreveu-me perguntando sobre esta planta. Como sempre faço, as dúvidas eu as repasso ao corpo de colaboradores, na medida que obtenho retorno vou juntando o material, edito e divulgo através deste meio eletrônico. E aproveito para atualizar o banco de dados.

Foi publicada a monografia de especialização intitulada "Constituintes fitoquímicos de Vitis vinifera L. (uva)", recebida do autor Rodolfo Schleier, apresentada na Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo, Instituto Brasileiro de Estudos Homeopáticos.

Uma boa sugestão de leitura é o trabalho "Sombreamento para produção de mudas de alface em alta temperatura e ampla luminosidade". O autor avalia a produção de mudas de alface em um experimento conduzido em Mossoró (RN).

Uma colaboradora relata sua experiência pessoal com intoxicação alimentar em uma jovem universitária, sendo o primeiro atendimento à base de soro caseiro.

Na seção Dúvida do Assinante, os e-mails recebidos falam da caapeba; o que fazer para combater o pulgão; dica de como obter informações científicas de uma planta conhecida por "maleitoso", além da já citada jurubeba.

Sobre caapeba, há uma confusão em torno da correta identificação da planta. A esse respeito cabe lembrar de alguns ensinamentos. À luz da Fitoterapia, como dizia o saudoso Prof. Walter Accorsi, para obter bom uso das plantas medicinais, é necessário conhecer várias características tais como o nome popular e sinonímias, o nome científico e sinonímias, família a qual pertence, indicações terapêuticas, propriedades farmacológicas, as partes da planta consideradas medicinais, modos de uso e contraindicações.

Finalmente, transcrevo aqui um e-mail bem interessante sobre "faxina com consciência ecológica". Num momento em que esse assunto vem ganhando força, vale relembrar alguns hábitos do passado em situações do dia-a-dia (faxina doméstica) a partir de produtos naturais, baratos e com bons resultados.

É isso! Até a próxima edição, em que tratarei de um bem elaborado Projeto Adubo Orgânico e Horta, da Escola Municipal Abel José Machado em Massambará, Vassouras (RJ).

Boa leitura!

Sérgio Roberto Sigrist


Carta do Assinante

#1 - Ivana Maria Locali
E-mail: ivana@iz.sp.gov.br
Cidade: Americana (SP)
Assunto: Caapeba

Mensagem: Caro Sergio, tenho dúvidas em relação à planta "caapeba": seria ela a "pariparoba"? Pelo que ví nas fotos do site a caapeba é um pouco diferente de uma planta que conheço há muito tempo: ela tem um aroma bem característico, as folhas são um pouco mais longas e é arbustiva, com as ramificações bem maleáveis e nas extremidades possui uma inflorescência em formato de uma "bananinha" que inclusive já tive oportunidade de presenciar uma pessoa comendo. Essa planta que conheço é usada como chá para banhar eczemas e no álcool para picadas de insetos e qualquer tipo de ferimento não profundo. Você poderia me fornecer mais informações sobre pariparoba?

RE: Ivana, para se identificar uma espécie temos que ver o exemplar e sua correta identificação através de literatura especializada. Nome popular varia de região para região. A medicina popular praticamente utiliza a planta toda, inclusive já é uma planta industrializada, existindo um laboratório no estado de Minas Gerais que produz o famoso Elixir de Caapeba. Ela possui uma boa ação diurética e podemos utilizar suas raízes, preparando uma colher de chá de raízes picadas para uma xícara de água fervente. Para mais informações sobre caapeba (ou pariparoba) consulte o site, que foi recentemente atualizado com uma seção contendo várias denominações desta planta. Veja ainda uma coletânea de documentos publicados em vários websites.

#2 Roneida Barbosa
Cidade: Campo Grande (MS)
Assunto: Pulgão

Mensagem: Adoro arruda, gostaria de saber como acabar com o "pulgão" que teima em matar minhas arrudas. Podem me ajudar?

RE: Uma solução simples de água e sabão de coco pode eliminar os pulgões. Chá de ruibarbo pulverizado na planta também faz efeito: 700g de folhas cozido por 10 minutos em um litro de água. Macerado de urtiga e macerado de fumo também são indicados. E para afugentar pulgões, plante capuchinho no jardim. Farinha de trigo também pode ser útil: diluir 1 kg de farinha de trigo em 20 litros de água e pulverizar nas plantas.

Fonte: 
FERREIRA, A. J. et all. Manejo de pragas em plantas medicinais. UFLA / FAEPE, Lavras (MG), 2006.

Confira também outras receitas para acabar com pulgões no Forum do Yahoo e Receitas da Vovó.

#3 - Jamil Dequech
Cidade: Campo Grande (MS)
E-mail: jamildequech@uol.com.br
Assunto: 
Maleitoso

Mensagem: Sérgio, por gentileza me informe se tem algum dado sobre uma planta chamada de "maleitoso" no Mato Grosso do Sul. É usada colocando-se pedaços do caule em uma garrafa com água, tomando aos poucos, para emagrecer. Tem sabor bastante amargo. Agradeço por qualquer pista para uma busca mais científica. Muitíssimo grato, Jamil Dequech.

RE: No link há um artigo em PDF (na tabela das plantas) que indica o suco da casca do maleitoso para os rins e emagrecimento: Levantamento e Cultivo das Espécies de Plantas Medicinais Utilizadas em Cassilândia (MS)Esta foi a única referência específica encontrada. Consta dos Anais do II Congresso Brasileiro de Extensão Universitária, realizado em Belo Horizonte (MG), no ano de 2004.

#4 Rogério da Silva Azevedo
Assunto: jurubeba

Mensagem: Caros amigos, tenho em meu quintal uma planta que se parece com a a jurubeba, nome científico Solanum paniculatum L., família Solanacea. Quero usar os frutos para fazer uma maceração utilizando vinho. Acontece que chegou ao meu conhecimento que existe um tipo de jurubeba que é venenosa, e este é o motivo que me levou a procurá-los. Gostaria que me orientassem, caso a informação seja verdadeira, como devo proceder para reconhecer se a que tenho é a venenosa. Estou enviando a foto da planta. Desde já agradeço pela atenção!

RE: Esta jurubeba é indicada para problemas hepáticos e digestivos no interior do Brasil. Chá de suas folhas são usadas contra ressaca e externamente cicatriza feridas. Raizes, folhas e frutos são tônicos e desobstruentes. Bastante estudada por alemães na década de 60, não parece ser tóxica. Há vários trabalhos científicos sobre ela.

A jurubeba-de-boi, jurubebão ou lobeira (Solanum lycocarpuim St. Hil), usada para problemas renais, cólicas e diabetes, além de destruir verrugas, é tóxica para o sistema reprodutivo, mas não interfere sobre a fertilidade.

Esta espécie é facilmente confundível com outra jurubeba, Solanum fastigiatum. As duas diferem entre si nos tipos de pêlos das folhas e ramos e na forma dos espinhos, que em S. fastigiatum são retos e em S. paniculatum são curvos e alargados na porção basal.


Intoxicação alimentar

Atendi recentemente uma universitária com problemas de enjôos e vômitos em ocorrências intermitentes. Primeiro ela disse que estava com diarréia e que isso já havia ocorrido outras vezes na semana. Indagada sobre sua conduta alimentar, não relatou nada de anormal. É muito comum o adolescente não saber o que causou sua intoxicação, em geral acha que isso ocorre devido a comida vencida ou preparada em ambientes sujos.

Não é sempre assim. Uma intoxicação alimentar pode ocorrer por ingestão de alimentos fortes como feijoada, churrasco com linguiças, em um organismo mal alimentado ou com estresse. Aliado a ingestão de bebidas alcoólicas, acabam por congestionar o sistema digestório e levar à intoxicação, que se manifesta de formas diferentes em cada organismo, podendo apresentar causas e sintomas específicos. Em geral os casos de intoxicação alimentar são de fato causados por falta de higiene no manuseio dos alimentos, ou ainda por contaminação em alguma parte do processo de preparação do alimento. Porém, adolescentes em período de formação universitária moram sozinhos ou com amigos. Nessas moradias é comum ocorrer diferentes formas de preparo de alimentos e ausência de alimentos saudáveis. Os Lamens, massas instantâneas, são da preferência destes jovens. Com esta alimentação deficitária em nutrientes e vitaminas, acabam por deixar o corpo com carências.

Aliado a isso as churrascadas movidas a bebidas e coquetéis com álcool, levam a uma alimentação desequilibrada. Durante algum tempo nada ocorre, mas basta uma semana de provas, noites mal dormidas e correrias típicas das faculdades que o corpo logo sinaliza que está sendo mal utilizado, podendo ocorrer não só intoxicação alimentar como também gastrite, úlcera, febre, dor de cabeça, insônia, prisão de ventre, diarréia etc..

No atendimento da referida aluna, iniciei com soro caseiro, tendo em vista que ela já estava com desarranjo há mais de uma semana, depois sugerimos alimentos leves como caldos e sopinhas e então Nux Vomica Ch6 - Homeopatia livre, cuja função é limpar o organismo. 

Depois indicamos caldo missô e, de sobremesa, chá de erva-doce. Depois de 4 h a estudante já sentia melhoras e apresentava fome. Caldo missô novamente, com folhas de brócolis picadas. Chá de hibiscus com torradas. À noitinha, já recuperada, depois de três doses de carvão ativado dissolvido em água, quatro doses de nux vomica em cinco gotas cada, bastante líquido, chás e sucos de caju. A moça nos agradeceu e prometeu que se sentisse algum sintoma retornaria de imediato ao hospital. Mas não foi necessário, porém seguimos com a indicação de procurar um médico na semana, pois percebemos uma anemia e estado geral de fraqueza.

Assim, esse texto tem o propósito de esclarecer sobre alguns males da alimentação inadequada em alguns universitários desavisados. (Martha Batista)


Faxina com consciência ecológica

Você acha possível fazer uma faxina ecológica para defender o meio-ambiente? Uma limpeza geral na casa, sem nenhum produto químico?

Veja uma receita que deixa a casa brilhando usando água, sal, vinagre branco, limão e bicarbonato de sódio, sem deixar cheiro algum de vinagre e pode até ser usada em armários, pisos e vaso sanitário.

Ingredientes:  

  • 1 litro de água
  • 1 pitada de sal
  • dois dedos de vinagre branco
  • 6 gotas de limão
  • 4 colheres de chá (cheias) de bicarbonato de sódio  

Com um borrifador cheio, pode-se limpar uma casa com dois quartos, sala, cozinha e banheiro. Para limpar o vaso sanitário, misture só a água, o bicarbonato e o sal e dispense os outros ingredientes. Deixe a mistura agir por meia hora.


Colaboraram nesta edição 
Ana Lúcia Mota (Bióloga, São Paulo, SP), Débora Gikovate Barg (Bióloga, São Paulo, SP), Lauro Xavier Filho (Professor, Aracaju, SE), Lelington L. Franco (Químico fitologista, Curitiba, PR), Luiz C. L. Franco (Médico, Professor, Curitiba, PR), Martha B. de Lima (Terapeuta Naturalista, Anápolis, GO), Rosa L. D. Ramos (Bióloga, Porto Alegre, RS), Tarsila S. Rosenfeld (Comunicóloga, São Paulo, SP), Rodolfo Schleier (Farmacêutico, São Paulo, SP). 

Este informativo tem por objetivo divulgar o conhecimento popular de plantas medicinais. Não se recomenda a automedicação. O uso de fitoterápicos deve ser indicado por especialistas da área.

Destaques


Aveloz (foto)
Jurubeba
Caapeba (ou pariparoba) 
Constituintes fitoquímicos de Vitis vinifera L. (uva)
Sombreamento para produção de alface