Newsletter - Edição junho 2008

Edição de junho de 2008 - Revisada em agosto de 2014

Palavra ao Leitor

O destaque desta edição é o Projeto Adubo Orgânico e Horta da Escola Municipal Abel José Machado (Vassouras, RJ), que integra um projeto internacional denominado Fire and Ice da Empresa Elluminate (Canadá). Participam o Brasil, Austrália e Canadá. Um dos temas é o combate ao aquecimento global e estímulo a implementação da horta orgânica. Todo o material é apresentado em dois idiomas e a tradução fica a cargo de nossa colaboradora Tarsila Sangiorgi Rosenfeld.

Os responsáveis pretendem conscientizar a comunidade sobre a não utilização de inseticidas e adubos químicos. Em contrapartida, explicam como montar a pilha de materiais orgânicos para compostar e ensinam receitas com calda de fumo para controle de manchas nas folhagens, a calda sulfocálcica para combater as lagartas, o macerado de urtiga contra cochonilhas, a calda bordalesa e a emulsão de óleo.

No projeto os participantes exercitam a "teia da vida" (foto), que mostra as relações existentes entre os ecossistemas, onde os organismos e o ambiente interagem promovendo trocas de materiais e energia através da cadeia alimentar e ciclos da natureza. 

 A "teia da vida" e a relação entre os ecossistemas. Qualquer interferência em qualquer um desses elementos, positiva ou negativa, poderá ser sentida por todos os outros.

Na fase atual, as professoras estão indo às casas das famílias dos alunos para implantar a horta orgânica. Tudo é muito bem escrito e ilustrado.

Projeto Adubo Orgânico e Horta >>

Foi-me perguntado recentemente sobre a mangava-brava. Ao procurar informações sobre essa planta, pude constatar que a mesma já constava de nosso site, mas com nome de didal. Fica então a sugestão de consulta.

Didal >>

Relendo antigos emails, encontrei um bom texto sobre pindaíba. E um trabalho que avaliou as atividades antinociceptiva e anti-inflamatória do óleo essencial de cascas de pindaíba. Tudo está documentado na ficha desta planta.

Pindaiba >>

Encontrei também um relato interessante sobre magnésio, esse importante mineral para a vida.

Magnésio >>

Na seção Dúvida do Leitor, confira se o chá de ervas perde suas propriedades funcionais quando adoçado!

Antes de fechar essa edição, recebi e publico uma matéria sobre carboterapia (uso terapêutico de carvão), indicado como primeiro tratamento de desintoxicação em diversas situações. Estou atendendo também a um pedido para divulgar o Simpósio Internacional Nutrição, Saúde e Qualidade de Vida.

É isso. Role a tela e boa leitura!

Abs, Sérgio Roberto Sigrist!


Dúvida do Assinante

"Gostaria de saber se o chá de ervas quando adoçado com açúcar, mel ou adoçante, perde suas propriedades funcionais. (Fernanda Milena do Carmo Vieira, Divinópolis MG)."

O chá só perde suas propriedades químicas quando for fervido. Deve-se aquecer a água e despejá-la sobre as folhas do chá, que deverão estar em uma xícara. Os adoçantes dietéticos contém aspartame, que causa câncer em animais de laboratórios e também em humanos. O melhor é usar stevia sem ciclamato, sem aspartame e sem sacarina. (LLF)

Não há afirmações a respeito de que se adoçar um chá irá bloquear seus efeitos. Mas se você toma um chá para curar ou aliviar algum sintoma, não se recomenda usar açúcar branco ou adoçantes. Toda terapêutica de uso de ervas recomenda tomá-lo sem adoçantes e tão logo fique pronto (10 a 15 minutos após a infusão) para ter o efeito esperado. Se houver alguma intoxicação no seu organismo, poderá congestioná-lo ainda mais se usar o adoçante artificial. O mel em pouca quantidade em chás calmantes é bem aceito. (ALM)

Os chás medicinais devem ser tomados sem adoçar. Até o mel pode comprometer o chá, pois nem sempre sabemos a origem do mel, sua composição ou sua avaliação microbiológica. (DGB)

Se o chá é para tratamento, o ideal é tomá-lo sem açúcar ou qualquer tipo de componente adocicado. Em caso de chá calmante o açúcar é um tipo "energia a mais", vai relaxar num primeiro momento, mais depois vai excitar porque atua no organismo como energizante. Algumas pessoas "pensam" em relaxar com um pouco de água com açúcar, mas passado o efeito relaxante ele reativa as pessoas.

Em caso de chás digestivos, os açúcares são fermentáveis, podem criar um ambiente diferente do que o chá puro encontraria no sistema digestivo. No caso de chá laxante não se recomenda também pois o objetivo do chá é fazer uma limpeza ou melhorar a condição do sistema. O açúcar seria um outro componente a ser eliminado.

Em caso de chá para crianças é diferente. Aí sim, seria uma forma de a criança aceitar o chá, mas se for criança que mame no seio ela não deverá ser iniciada no açúcar tão precocemente. É melhor dar chá sem adoçar.

O chá como medicação deve ser empregado da maneira mais natural possível. Não se toma buscopan com açúcar, nem outros medicamentos químicos amargos com açúcar. Então, por que usar açúcar nos chás?

Diferente é tomar chás nos fins de tarde, na presença de amigos, num lanche ou refeição alternativo. Como não está sendo usado como remédio, pode ser adoçado com mel, mascavo, açúcar fino ou adoçante. (MB)


Atividade antinociceptiva

Quer saber o significado desse termo? Essa foi uma dúvida que tive ao consultar um trabalho acadêmico sobre pindaíba!

Mais uma vez recorri aos colaboradores e a resposta não tardou.

"Nocicepção é a função de nosso organismo que detecta estímulos lesivos aplicados sobre o mesmo, como uma agulhada ou queimadura. Assim antinociceptivo seria algo que impediria esta função, por exemplo algo que abolisse a dor da agulhada, uma anestesia faria isto, aboliria a dor da cirurgia e bloquearia a nocicepção". (DBJr)

E uma outra explicação: "Caracterização da atividade antinociceptiva de peptídeos homólogos ao C-terminal da proteína S100A9 murina. Ação sobre neurônios sensoriais via canais de cálcio dependentes de voltagem do tipo N." (LLB)

Taí, vivendo e aprendendo!


Simpósio Internacional Nutrição, Saúde e Qualidade de Vida

O II Simpósio Internacional Nutrição, Saúde e Qualidade de Vida será realizado na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto  no dia 23 de agosto de 2008. 

O evento contará com a participação de conferencistas de renome: Prof. Dr. Cassiano Merussi Neiva (UNESP Bauru, SP), Profa. Dra. Ellen Cristini Freitas (USP - Ribeirão Preto, SP), Profa. Vanderli Marchiori (nutricionista) e Prof. Dr. Pedro José Benito Peinado (Universidade Politécnica de Madrid, Espanha).

Os folders e cartazes para divulgação ficaram prontos esta semana, porém os organizadores não contavam com a greve dos Correios e tentam agora aumentar a divulgação via rede.

Serão abordados vários temas de alta relevância como a Fitoterapia na Síndrome Metabólica e Fitoterapia no Esporte (plantas que colaboram no aumento da massa muscular).

Para saber mais consulte o site do evento >>


Carboterapia

O uso terapêutico do carvão é uma prática milenar, embora não seja um medicamento nem alimento. Sua eficácia deve-se à capacidade de adsorção, ou seja, de captar e fixar através de seus poros as substâncias estranhas ou tóxicas que estão no ar, na água, nos alimentos, no nosso corpo ou sobre a pele.

Intoxicações. É amplamente comprovado em todo o mundo que o carvão adsorve com muita eficácia várias substâncias estranhas que invadem o nosso organismo: drogas químicas, aditivos alimentares, agrotóxicos e adubos químicos, metais pesados, gases, detergentes. Ao adsorver essas substâncias e retirá-las do nosso corpo o carvão age como um poderoso desintoxicante, liberando a sobrecarga dos rins e do fígado.

Bactérias. Mas não é apenas contra produtos químicos que o carvão tem eficácia. Ele também é capaz de adsorver alguns vírus, bactérias e as toxinas por elas produzidas na decomposição dos materiais orgânicos. Há relatos, ainda, da capacidade do carvão de adsorver veneno de cobras, aranhas e abelhas, além das micotoxinas produzidas por fungos e que muitas vezes contaminam os alimentos.

Sabedoria popular. Muita gente usa o carvão, mesmo sem conhecer suas propriedades. A sabedoria popular ensina, por exemplo, que um pedaço de carvão colocado dentro da geladeira elimina odores que se formam da decomposição dos alimentos.

Carvão ativado. O carvão vegetal ativado tem uma capacidade de adsorção ainda maior. A ativação, ou oxidação, é realizada a temperaturas muito elevadas, na presença de gases oxidantes. Com essa ativação, o carvão desenvolve uma rede de poros ainda mais numerosos, o que aumenta suas propriedades adsorventes. Só para se ter uma idéia dessa potencialização, um centímetro cúbico de carvão ativado tem uma superfície total de um quilômetro quadrado.

Como usar. O carvão ativado é muito usado no tratamento da água e até em filtros domésticos. Mas você pode tê-lo sempre à mão, em forma de cápsulas vendidas em farmácias, para uso nos casos de intoxicações. É aconselhável tomar o carvão longe das refeições, para evitar a possível adsorção de nutrientes dos alimentos.

Carvão não ativado. Embora com capacidade menor de adsorção, o carvão vegetal simples, não ativado, também tem ótimos efeitos. Use e abuse dele. Você pode colocar um pedaço do carvão (desse mesmo que é usado na churrasqueira) dentro do seu filtro de água ou, ainda melhor, colocar um punhado deles dentro da caixa d'água, purificando toda a água da casa. Periodicamente, você tira esse carvão, lava com uma escova para tirar as crostas que se formam, seca ao sol e reaproveita. Experimente, também, usar um pedaço de carvão em cada ambiente de sua casa, para adsorção de energias em desequilíbrio.

(João Martins, extraído da coluna "A saúde brota da natureza", Jornal Regional de Penápolis - 15/10/06)


Colaboraram nesta edição 
Ana Lúcia Mota (Bióloga, São Paulo, SP), Débora Gikovate Barg (Bióloga, São Paulo, SP), Dilvo Bigliazzi Jr. (Médico, Canavieiras, BA), Lelington L. Franco (Químico fitologista, Curitiba, PR), Luiz C. L. Franco (Médico, Professor, Curitiba, PR), Martha B. de Lima (Terapeuta Naturalista, Anápolis, GO), Rosa L. D. Ramos (Bióloga, Porto Alegre, RS), Tarsila S. Rosenfeld (Comunicóloga, São Paulo, SP). 

Este informativo tem por objetivo divulgar o conhecimento popular de plantas medicinais. Não se recomenda a automedicação. O uso de fitoterápicos deve ser indicado por especialistas da área.

Destaques

 Didal

   

Pindaiba