Mulungu

Nome científico: 
Erythrina verna Vell.
Sinonímia científica: 
Corallodendron mulungu (Mart.) Kuntze
Família: 
Leguminosae
Partes usadas: 
Cascas do caule.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Alcaloides (eritrina, erisotrina, eritrartina, eritralina, erisodina, erisovina, erisopina, erisonina, erisolina, erisotina, eritratidina, dentre outros), esteroides, glucosídeo (migurrina), compostos antociânicos (pelargonidol, cianidol).
Propriedade terapêutica: 
Sedativo, hipnótico.
Indicação terapêutica: 
Calmante dos nervos, asma de origem nervosa, tosse nervosa, dores reumáticas, insônia.

Origem
Erythrina verna, anteriormente chamada de Erythrina mulungu, é espécie nativa do Brasil e de maior ocorrência na região sudeste do país [2].

Descrição [1,4]
​Árvore atinge de 10 a 25 m de altura. Tronco ereto e cilíndrico de 50-70 cm de diâmetro, revestido por casca acinzentada com ritidoma estriado.

Folhas alternas, compostas, trifoliadas, com estipulas pequenas e acompanhadas de espinhos agudos e escuros. As flores dispõem-se em cachos axilares e terminais, surgem antes das folhas e tem cor vermelha, donde lhe vem o nome de "árvore-de-coral". 

Curiosidade
O nome Erythrina vem do grego "erythros" (vermelho) devido a cor das flores. 
O nome popular mulungu vem do tupi mussungú ou muzungú e do africano mulungu, cujo significado é “pandeiro” e pode estar relacionado ao som emitido pela batida em seu tronco oco.

O fruto, não comestível, é um legume longo, linear, atenuado na base e no ápice, abrindo-se por 2 uivas sinuosas e contraídas, entre as sementes que são arredondadas, vermelhas e com uma mancha preta.

No Brasil são encontradas as espécies E. amazonica, E. crista-galli, E. dominguezii, E. falcata, E. fusca, E. poeppigiana, E. similis, E. speciosa, E. ulei, E. velutina e E. verna

Uso popular e medicinal
As propriedades de extratos de sementes de várias espécies de Erythrina foram inicialmente estudadas nos anos 1930 e 1940, quando foi identificado a presença de alcaloides com atividade semelhante ao curare [3]. Curare tem um significado genérico de "veneno (utilizado pelos indígenas para caçar) que deu origem a medicamento" [5].

Na medicina tradicional brasileira a casca do mulungu é usada há muito tempo pelas populações indígenas como sedativo. Na medicina herbária é considerada um excelente sedativo para acalmar ansiedade, tosses nervosas, agitação psicomotora e insônia. É largamente empregada contra asma, bronquite, hepatite, gengivite, inflamações hepáticas e esplênicas, febres intermitentes. Nos EUA é usada por práticos e herbalistas para acalmar crises de histeria proveniente de trauma ou choque, eliminar palpitações do coração (extrassístole), insônia, contra problemas hepáticos e hepatite [4].

A planta é indicada como sedativo, hipnótico e calmante dos nervos. É muito usado na asma de origem nervosa, tosses nervosas, dores reumáticas e insônia. Sua propriedade de regularizar os batimentos cardíacos e a atividade hipotensora foi atribuída aos alcaloides. Pode ser associado ao maracujá, à valeriana e ao viburno (Viburnum opulus), planta medicinal e ornamental também conhecida no Brasil como rosa-de-gueldres [1]

Além da ação calmante, a decocção das cascas de E. verna é usada para outras desordens do sistema nervoso central (SNC) como depressão e epilepsia.

Mulungu é encontrado nas farmácias brasileiras na forma de extrato seco das cascas. Em virtude de seu uso tradicional, esta espécie tem potencial de gerar produtos de interesse ao SUS. O extrato de mulungu já é utilizado em associação com espécies de outros gêneros para produção de medicamentos fitoterápicos ansiolíticos sendo os mais conhecidos: "maracugina", "passaneuro" e "calmapax" [2].

Em sua constituição química são encontrados alcaloides (eritrina, erisotrina, eritrartina, eritralina, erisodina, erisovina, erisopina, erisonina, erisolina, erisotina, eritratidina, dentre outros), esteroides, glucosideo (migurrina), compostos antociânicos (pelargonidol, cianidol) [1,3]

 Dosagem indicada [1]

Sedativo, hipnótico e calmante dos nervos. Decocto a 2 %, de 2 a 3 xícaras ao dia. Extrato fluido, de 1 a 4 ml ao dia. 

Outros usos [4]
A madeira é leve, mole, macia, de baixa durabilidade quando exposta, tem utilidade na caixotaria. Devido a florada atraente, tem potencial paisagístico como já ocorre em algumas cidades de Minas Gerais e São Paulo. Suas flores são muito procuradas por pássaros.

 Colaboração

  • Doraci Aguiar, Florianópolis (SC), 2015.

 Referências

  1. GRANDI, T. S. M. Tratado das Plantas Medicinais - Mineiras, Nativas e Cultivadas. Adaequatio Estúdio, Belo Horizonte. 2014.
  2. Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo (USP, 2014): Caracterização dos alcaloides de Erythrina verna - Acesso em 30 de agosto de 2015
  3. Revista FITOS (Fundação Osvaldo Cruz, 2012): Erythrina sp. Fabaceae (Leguminosae, Faboideae) - Acesso em 30 de agosto de 2015
  4. Instituto Brasileiro de Florestas (IBF): Mulungu - Acesso em 30 de agosto de 2015
  5. Curare: Ciência das Plantas Medicinais - Acesso em 30 de agosto de 2015
  6. Imagem: Wikimedia Commons (Autor: João Medeiros) - Acesso em 30 de agosto de 2015
  7. The Plant List: Erythrina verna - Acesso em 30 de agosto de 2015

GOOGLE IMAGES de Erythrina verna - Acesso em 30 de agosto de 2015

Galeria: