Moringa

Nome científico: 
Moringa oleifera Lam.
Sinonímia científica: 
Guilandina moringa L.
Família: 
Moringaceae
Partes usadas: 
Folha, fruto, semente.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Zeatina.
Propriedade terapêutica: 
Aceleradora de crescimento de órgãos humanos, animais e vegetais.
Indicação terapêutica: 
Anemia, doenças dos olhos, cegueira.

 


Nome em outros idiomas

  • Inglês: horseradish tree, drumstick tree, behen, ben nut tree, clarifier tree, indian horseradish, kelor tree
  • Espanhol: marango, resedá, árbol de rábano, árbol de baqueta, ángela, árbol de los espárragos, árbol de las perlas, árbol "ben"

Origem
Nativa dos Himalaias (noroeste da Índia) onde é conhecida como árvore do milagre devido às suas propriedades nutricionais. Atualmente o cultivo da moringa estende-se pela Ásia, África e Américas Central e do Sul. No Brasil é encontrada em regiões do semiárido, devido a tolerar o estresse hídrico e ser halofílica (desenvolve-se em ambiente com concentração salina).

Descrição
Moringa oleifera é um arbusto oleaginoso, cresce até 12 m de altura. O caule é delgado (até 10 cm), muitas vezes único, copa aberta em forma de sombrinha. Contém látex na casca. As folhas são verdes, decíduas alternadas, pecioladas e compostas. As flores são perfumadas, de cor creme ou branca agrupadas em inflorescências terminais do tipo cimosa.

O fruto é uma cápsula de formato triangular, deiscente (quebra-se longitudinalmente em 3 partes quando seco), contém de 10 a 20 sementes armazenadas em uma polpa branca. A cor do fruto varia do verde ao marrom esverdeado.

As sementes são globoides, escuras por fora e contêm em seu interior uma massa branca e oleosa. O núcleo é encoberto por uma concha trialiada, oleaginosa, medindo ate 1 cm de diâmetro.

A raiz assemelha-se na aparência e no sabor ao rabanete. A casca da raiz é espessa, mole e reticulada, de cor pardo-clara externamente e branca internamente.

Uso popular e medicinal
Sua principal riqueza está no altíssimo valor nutricional das folhas e frutosÉ usada tradicionalmente na Ásia e África como alimentação humana e animal, com propriedades especiais para a recuperação da nutrição e prevenção da cegueira.

Tanto as folhas, que têm um ligeiro sabor de agrião e espinafre, quanto as flores são usadas ​​em sopas, saladas e chás aromáticos. Desidratadas, são utilizadas como tempero para carnes, ovos, etc.. As frutas são consumidas cozidas (como o feijão) ou em conserva antes da maturação.

As sementes verdes podem ser cozidas como feijão, quiabo, soja e servidas na forma de salada. As sementes maduras são consumidas como o amendoim torrado.

Em geral toda esta planta serve como alimento preventivo para algumas doenças, como restaurador. A zeatina é uma enzima que favorece o crescimento e desenvolvimento de órgãos humanos, animais e de vários vegetais. O consumo pode ajudar pessoas em estado de desnutrição.

Tem altos teores de proteínas e vitaminas. Tem a proteína do ovo, duas vezes mais a proteína do leite, 3 vezes o potássio da banana, 3,6 vezes o cálcio do leite, 7 vezes a vitamina C da laranja, 3,6 vezes mais vitamina A de cenouras.

Devido ao teor de proteínas, vitaminas, aminoácidos, minerais e carotenoides (e desde que devidamente balanceados), a moringa é excelente forrageira para a alimentação e nutrição do gado leiteiro e de recria, suínos, cavalos, aves, peixes e na preparação de refeições proteícas, matéria-prima para a fabricação de alimentos para animais. Através de processos de secagem, moagem, condicionamento etc., obtém-se uma alimentação animal concentrada, de alta conversão e baixo custo.

As sementes moídas (ou esmagadas) de Moringa oleifera servem na purificação de águas turvas, em alguns casos tornam-se até potáveis, piscinas, tanques e reservatórios. Os melaços de cana-de-açúcar também são purificados da mesma forma, evitando-se o uso de produtos químicos tais como sulfato de alumínio. A descoberta desse processo é interessante.

Sabe-se que desde tempos remotos, a moringa é conhecida na China. Forçada a dar de beber aos seus filhos as águas terrosas do grande rio Yangtze, as mulheres descobriram que as sementes desta árvore bonita que sombreava suas casas tinha o dom de arrastar a sujeira da água para o fundo dos vasos de argila onde eram mantidas e a lama de sedimentos não voltava à superfície. A água tornava-se clara e transparente. As mulheres descobriram também que, para obter este efeito, era necessário esfregar as sementes da moringa contra as paredes ásperas dos vasos, agitar a água com as sementes e aguardar a decantação da sujeira.

Com o tempo passaram a esmagar as sementes num pilão de madeira, reduzindo-as a pó e misturando-as à água suja. Posteriormente foi descoberto que o processo remove de 90 a 99,9% de bactérias que aderem às partículas sólidas, limpando assim a água. O efeito de limpeza é obtido pela diferença de cargas elétricas entre as partículas em suspensão da água suja e as partículas pulverizadas das sementes. As correntes elétricas aglutinam as partículas em suspensão em torno das partículas das sementes. Depois de um tempo, o que começou como muitas partículas microscópicas suspensas em água devido ao seu peso leve, ficam cada vez maiores até que a força da gravidade levá-as ao fundo do reservatório, de onde não conseguem mais se soltar.

Esse processo garante que a água fique completamente livre de patógenos, mas não completamente purificada. Fica drasticamente reduzida a quantidade de partículas em suspensão, logo reduz-se também o número de microrganismos, pois estes vivem em torno das partículas que se juntam no fundo do reservatório e depois são facilmente removidos.

A Moringa não converte a água bruta em água pura e sem germe, o que só pode ser alcançado através de um tratamento químico ou de ebulição, mas deixa a água própria para consumo humano.

Esse processo artesanal em recipientes caseiros pode ser empregado em grandes comunidades humanas, basta colocar mais sementes na água. A proporção adequada é 2 g de sementes em pó por litro de água, quando a água estiver totalmente enlameada. Importante: a moringa nunca muda o sabor da água.

Um estudo científico avaliou a eficiência das sementes de M. oleifera juntamente com a polpa e o córtex da raiz da macaxeira (Manihot esculenta), a tapioca extraída da polpa da macaxeira, o pó do quiabo e o mesocarpo de coco de babaçu (Orbygnia martiana) para serem usados em substituição aos coagulantes químicos na remoção de cor e turbidez no tratamento de água coletada no rio Negro (AM), em benefício de moradores ribeirinhos [1].

Os autores concluiram que as sementes de M. oleifera na adição de 1,6 g/L e 10 h de decantação apresentam o potencial de coagulante natural por obter valores de cor, turbidez e condutividade de acordo com a exigência do órgão fiscalizador, podendo ser usada como clarificante de água coletada no rio Negro. Apresenta ainda a vantagem de ser um componente atóxico, biodegradável em relação ao sulfato de alumínio e não depende do pH da água a ser tratada.

Outros usos
O óleo da semente de moringa também é usado como óleo lubrificante e óleo de lâmpada, produção de etanol, biomassa, azeite, biodiesel, fertilizante orgânico e recuperação de solos. 

Produção de etanol. Estima-se que a produção de 10 MW de energia, 80 toneladas de proteínas e 16.000 litros de álcool por dia, requer uma extensão de 1.500 hectares de M. oleifera sob irrigação. Comparado para produzir a mesma quantidade de energia com eucalipto, este requer cerca de 8.000 hectares e começa a produção entre 3 e 5 anos após o plantio, enquanto que com a moringa a produção pode ser iniciada aos 45 dias após a germinação.

Biomassa. A planta apresenta produtividade especial, em culturas irrigadas alcança até 80 toneladas / ha / corte, para 8 cortes ao ano, o que torna essa oleaginosa muito produtiva como matéria-prima para a produção de etanol a partir de forragem colhida a cada 45 dias.

Produção de azeite. O teor de ácido oleico presente nas sementes da moringa corresponde a 73%, equivalente ao azeite, ideal portanto para consumo humano. O óleo tem aplicações no processamento de alimentos, indústria farmacêutica, cosmética e aeronáutica.

Biodiesel. A moringa assumiu importância porque é uma das espécies de plantas com maior teor de óleo (35%), de onde obtém-se biodiesel de alta qualidade.

Fertilizante orgânico. Testes de laboratório confirmaram que a massa que resta após o processamento da semente para a extração de óleo é altamente valorizada como um fertilizante natural, com elevado teor de nitrogênio e coagulantes ativos, além de se obtê-lo gratuitamente por ser um derivado desta extração. A massa pode ser secada e armazenada.

Recuperação de solos. Moringa pode ser intercalada com outras culturas já que é uma leguminosa e adiciona nitrogênio ao solo. A recuperação é recomendada para solos em regiões áridas e semiáridas. Sua raiz principal, tuberosa e profunda, armazena grande quantidade de água durante a época de seca.

 Referências

  1. Congresso Brasileiro de Química (Cuiabá, 2010): Busca de coagulantes naturais para tratamento de água coletada no Rio Negro (AM) - Acesso em 2 de abril de 2017
  2. Rede Marango de Nicaragua: Moringa oleifera - Acesso em 2 de abril de 2017
  3. Moringa Facts: The Miracle Tree - Acesso em 2 de abril de 2017
  4. Wikipedia: Acacia-branca - Acesso em 2 de abril de 2017
  5. Sempre sustentável: Moringa oleifera - Acesso em 2 de abril de 2017
  6. Sementes Caiçara: Valor nutritivo de fenos de moringa com diferentes idades de corte - Acesso em 2 de abril de 2017
  7. The Plant List: Moriga oleifera - Acesso em 2 de abril de 2017
  8. Imagem: Fórum carnívoras; Naturlink; Natureza Bela - Acesso em 2 de abril de 2017

GOOGLE IMAGES de Moringa oleifera - Acesso em 2 de abril de 2017

Galeria: