Manacá-cheiroso

Nome científico: 
Brunfelsia uniflora (Pohl) D.Don
Família: 
Solanaceae
Sinonímia científica: 
Franciscea hopeana Hook.
Partes usadas: 
Raiz, folha.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
A raiz contém cumarinas (escopoletina, esculetina), alcaloides (manaceina, manacina), lignanas, sapogeninas.
Propriedade terapêutica: 
Analgésica, anti-inflamatória, antibacteriana, antitumoral, antifúngica, antiespasmódica, abortiva, antirreumática, diaforética, diurética, emética, emenagoga, laxativa.
Indicação terapêutica: 
Estimulo do sistema linfático, alívio da dor, desintoxicação do fígado, artrite, escrófula, reumatismo, doença venérea, calafrio, febre, dor nas costas, resfriado, bronquite, doença pulmonar.

Origem

Nativa do sul e sudeste do Brasil e países limítrofes como Bolívia, Peru, Equador e Venezuela. No Brasil, a Mata Atlântica é o principal local de ocorrência.

Descrição [1,2]

Manacá é um arbusto de porte médio, perene, com ramos difusos e espalhados. Cresce geralmente de 0,5 a 3 metros de altura.

As folhas são simples, quase glabras, de 4 a 7 cm de comprimento. As flores são tubulosas, solitárias, muito perfumadas, de cor inicialmente branca e violeta após a fecundação. Os frutos são do tipo baga oblonga ou globosa. 

manacá foi declarado flor simbólica de Curitiba (PR) por meio de Lei Municipal 6324/1982.

Uso popular e medicinal [1,2]

Manacá tem uma longa história de uso tradicional na Amazônia, sendo adotada pelos europeus quando chegaram à América do Sul e até hoje pela fitoterapia moderna. No entanto recomenda-se cautela, pois a planta inteira contém um alcaloide muito venenoso chamado manacina, cuja ação é semelhante a da estricnina. Um extrato de raiz serve como um componente de veneno em flechas.

Pesquisas modernas mostraram que a planta contém uma variedade de compostos ativos como benzenoides, terpenos, alcaloides, lactonas e lipídios. 

A raiz é a parte principal de uso medicinal. Contém cumarinas (escopoletina e esculetina), alcaloides (manaceina e manacina), lignanas e sapogeninas.  Acredita-se que a manaceína e a manacina sejam responsáveis por estimular o sistema linfático, enquanto a aescultina demonstrou atividades de alívio da dor, desintoxicação do fígado e anti-inflamatória.

Encontrada em quantidade significativa na raiz, escopoletina é um fitoquímico bem conhecido por ter demonstrado atividade analgésica, anti-inflamatória, antibacteriana, antitumoral, preventiva de câncer, antifúngica e antiespasmódica.

A raiz seca é considerada abortiva, alterativa, anestésica tópica, antirreumática, purificadora de sangue, diaforética, diurética, emética, emenagoga, laxativa, narcótica, purgativa e estimuladora do sistema linfático.

É utilizada no tratamento de artrite, escrófula, reumatismo e sífilis. Toda a planta é usada no Brasil.  Tradicionalmente prepara-se a raiz em uma tintura com álcool para reumatismo e doenças venéreas. A decocção da raiz serve para tratar calafrios, febres adultas, artrite e reumatismo, dores nas costas, resfriados comuns, bronquite, doenças pulmonares, tuberculose, picada de cobra e como enema para tratar doenças renais e úlceras.

Considera-se que as folhas frescas na forma de tintura tenham propriedades semelhantes às raízes, mas farmacologicamente são menos ativas. Servem contra picada de cobra, podendo ser aplicado topicamente como cataplasma. Uma decocção de folhas é aplicada externamente como um analgésico tópico e para o tratamento de artrite e reumatismo. Um cataplasma das folhas é aplicado topicamente como um tratamento para doenças da pele, incluindo eczema e úlceras sifilíticas.
 
Manacá é usada por xamãs e curandeiros na poção ayahuasca (alucinógeno sagrado na Amazônia) em cerimônias espirituais de iniciação e contra má sorte.

Estudos desenvolvidos em ratos através da administração oral de extratos aquosos de B. uniflora comprovaram sua atividade analgésica.

O óleo essencial obtido das flores é usado na perfumaria.

 Referências

  1. Useful Tropical Plants: Brunfelsia uniflora - Acesso em 20 de dezembro de 2018
  2. Revista Brasileira de Farmacognosia (2009): Caracterização anatômica, química e antibacteriana de folhas de Brunfelsia uniflora (manacá) presentes na Mata Atlântica - Acesso em 20 de dezembro de 2018
  3. Image: Wikimedia Commons (Author: B. Navez) - Acesso em 20 de dezembro de 2018
  4. The Plant List: Brunfelsia uniflora - Acesso em 20 de dezembro de 2018

GOOGLE IMAGES de Brunfelsia uniflora - Acesso em 20 de dezembro de 2018

 

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