Maçã-peruana

Nome científico: 
Lepidium meyenii Walp.
Família: 
Brassicaceae
Sinonímia científica: 
Lepidium peruvianum G.Chacón
Partes usadas: 
Raiz, partes aéreas.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
MTCA, macamidas, (1R, 3S)-1-methyltetrahydro-carboline-3-carboxylic, carboidrato, proteína, fibra alimentar, gorduras, minerais essenciais, ácidos graxos.
Propriedade terapêutica: 
Adaptógeno, nutracêutica, afrodisíaco, energético, neuroprotetor, antimicrobiana, anticâncer, hepatoprotetor, imunomodulador.
Indicação terapêutica: 
Comportamento sexual, fertilidade, humor, memória, osteoporose, metabolismo, tumor, anemia, menstruação, tuberculose, menopausa, fadiga, descalcificação, depressão.

Origem

Região andina do Perú.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: maca root, peruvians ginseng

Descrição

Maçã-peruana é caracterizada por uma parte aérea, pequena e plana na aparência, e outra subterrânea, a raiz de hipocótilo. Parecida com um rabanete, esta é a parte principal e comestível, tem de 10 a 14 cm de comprimento, 3 a 5 cm de largura e armazena alto teor de água.

Após a secagam natural, os hipocótilos são reduzidos em tamanho de 2 a 8 cm em diâmetro. Os vários tipos de maçã-peruana podem ser diferenciados pela cor dos hipocótilos, sendo que 13 cores já foram descritas. Já foi demonstrado que, dependendo da cor, a planta pode ter diferentes propriedades biológicas. Foto ao lado: hipocótilos secos preto (superior), amarelo (meio) e vermelho (inferior) [2].

O vegetal varia muito no tamanho e forma da raiz que pode ser triangular, achatada circular, esférica ou retangular. Esta última forma as maiores raízes.

Hipocótilos podem variar em cor: ouro, creme, vermelho, roxo, azul, preto e verde, sendo cada uma considerada uma variedade geneticamente única, pois as sementes das plantas parentais crescem para ter raízes da mesma cor. Recentemente, cepas específicas de cor foram propagadas exclusivamente para verificar suas diferentes propriedades nutricionais e terapêuticas.

As raízes de cor creme são as mais cultivadas e favorecidas no Peru pela doçura e tamanho aprimorados. Raizes azuis e pretas são consideradas mais fortes como promotoras de energia, sendo ambas de sabor doce e levemente amargo [2].

A planta é tradicionalmente cultivada em altitudes de aproximadamente 4.100 a 4.500 m. Cresce bem apenas em climas frios e solos agrícolas relativamente pobres. Quase todo o cultivo no Perú é realizado organicamente, já que existem poucas pragas que ocorrem nessas altitudes.

Peru é o único país que produz este vegetal. Embora tenha sido cultivado fora dos Andes, ainda não está claro se ela desenvolve os mesmos componentes ativos ou potência. Hipocótilos cultivados a partir de sementes peruanas se formam com dificuldade em baixas elevações, em estufas ou em climas quentes.

Por aproximadamente 2.000 anos, maçã-peruana tem sido uma importante fonte de alimentos e medicamentos em sua região de crescimento limitado, onde é bem conhecida e celebrada. É considerado um alimento altamente nutritivo e dotado de energia, e como um medicamento que aumenta a força, a resistência e também atua como um afrodisíaco. Durante a colonização espanhola, maçã-peruana serviu como moeda [3].

Uso popular e medicinal

Propriedades da maçã-peruana foram testadas in vivo em animais experimentais (ratos, camundongos, cobaias, touros, peixes). Foi constatado aumento da contagem de espermatozoides e motilidade espermática, aumento do comportamento sexual de machos, propriedades anti-estresse e nutricional, prevenção de hiperplasia prostática induzida por testosterona, efeitos neuroprotetores, proteção contra a radiação UV, melhoria da memória, aumento do número de descendentes, aumento da sobrevida de embriões, melhora da quantidade e qualidade de esperma.

Estudos realizados em humanos em 2002 identificou a presença do ácido (1R,3S)-1-methyl-1,2,3,4-tetrahydro-ß-carboline-3-carboxylic (MTCA) encontrado nos hipocótilos do vegetal. Na época essa substância foi considerada tóxica. Entretanto a mesma é encontrada em laranjas, toranjas e sucos de fruta e, nessas frutas, sempre relacionada a propriedades favoráveis a saúde. Estudos recentes apontam que MTCA da maçã-peruana é seguro. Além disso não é mutagênica e contém componentes com propriedades anticarcinogênica.

Um estudo recente investigou o estado de saúde de uma população dos Andes centrais peruanos (Carhuamayo, 4.100 m) que consome tradicionalmente a maçã-peruana e a comparou com uma população do mesmo local que não consome a raiz. A avaliação levou em conta aspectos sociodemográficos, estado de saúde e fraturas em homens e mulheres entre 35 e 75 anos de idade. Em uma subamostra foram avaliadas as funções hepática e renal e os valores de hemoglobina. Da amostra estudada, 80% da população consome maca, 85% consome para fim nutricional. O consumo ocorre desde a infância, após os hipocótilos estarem naturalmente secos. O consumo é principalmente como suco de uma mistura de diferentes cores dos hipocótilos.

O consumo de maçã-peruana está associado a um maior escore no estado de saúde, menor taxa de fraturas e menores escores de sinais e sintomas de doença crônica da altitude. Foi também associado a baixo índice de massa corporal e baixa pressão arterial sistólica. A função hepática e renal, o perfil lipídico e a glicemia eram normais na população consumindo a raiz. Em resumo, o estudo demonstrou em uma população tradicional que este alimento é seguro.

Maçã-peruana tem grande potencial como adaptógeno e parece ser promissora como nutracêutica na prevenção de diversas doenças. Evidências científicas mostraram efeitos sobre o comportamento sexual, fertilidade, humor, memória, osteoporose, metabolismo e tratamento de algumas entidades tumorais. No entanto, os princípios ativos por trás de cada efeito ainda são desconhecidos.

Macamidas têm sido descrita como composto exclusivo de maçã-peruana. Sugere-se que essa fração lipídica possa ser responsável pelo aumento do comportamento sexual. Estudos sobre a função testicular, espermatogênese, fertilidade, humor, memória e hiperplasia prostática foram realizados com extratos aquosos contendo apenas vestígios de macamida, logo acredita-se que outros compostos além de macamidas sejam responsáveis por essas atividades [2].

L. meyenii emergiu como um alimento vegetal popular devido a vários efeitos na saúde.

Atua no tratamento da anemia, nos problemas de menstruaçãotuberculose, menopausa e síndrome da fadiga crônica. Recentemente atletas estão encontrando neste vegetal uma excelente alternativa para substituir os anabolizantes. Apresenta numerosas indicações como energético e restaurador físico e psicológico, melhora a memória e a concentração, fortalece o sistema imunológico, reduz os sintomas da TPM, aumenta a espermatogênese.

Casos de desnutrição, descalcificação, depressão e osteoporose também podem ser tratados com esta planta. Maçã-peruana pó pode ser associada a outros estimulantes como a Pfaffia paniculata ou guaraná pó potencializando a ação imunoestimulante, energética e psicoestimulante deste fitoterápico [6].

Um trabalho científico detalhou os principais constituintes (amido, fibra dietética e proteína) e constituintes secundários (minerais, polissacarídeos não-amiláceos, polifenóis - flavonolignanas -  macaenes, macamidas, glucosinolatos e alcaloides) da raiz e partes aéreas da maçã-peruana.  

Diversos efeitos sobre a saúde são resumidos. Bioatividades incluem maior saúde reprodutiva, antifadiga, antioxidação, neuroproteção, atividade antimicrobiana, anticâncer, hepatoproteção, imunomodulação, melhoria da saúde da pele e da função do sistema digestivo. 

Ressaltam os autores que a genética da planta, partes botânicas, processamento, extração e protocolos experimentais representam os principais fatores que afetam a composição química, os atributos físico-químicos e os efeitos na saúde dos produtos à base de mação-peruana. 

Autores sugerem mais estudos clínicos para apoiar os alegados efeitos sobre a saúde humana. Propõem inovação e diversificação de produtos na utilização de alimentos e não-alimentos de diferentes partes deste vegetal para maximizar a percepção de valor [4].

Constituintes

Além de açúcares e proteínas, a maçã-peruana contém uridina, ácido málico e seu derivado de benzoíla, glucosinolatos, glucotropaolina e m-metoxiglucotropolina. O extrato metanólico da raiz contém (1R, 3S)-1-methyltetrahydro-carboline-3-carboxylic. existem relatos de que esta molécula exerce muitas atividades no sistema nervoso central.

O valor nutricional da raiz seca é alto, semelhante aos grãos de arroz e trigo. Composição média: 60% de carboidratos, 10% de proteína, 8,5% de fibra alimentar e 2,2% de gorduras. Rica em minerais essenciais especialmente selênio, cálcio, magnésio e ferro, ácidos graxos linolênico (polinsaturado), palmítico (saturado) e ácidos oleicos (monoinsaturado), 19 aminoácidos e polissacarídeos.

Os efeitos benéficos da maçã-peruana para a função sexual podem ser devidos à alta concentração de proteínas e nutrientes vitais. Contém uma substância química chamada isotiocianato de p-metoxibenzila, que supostamente tem propriedades afrodisíacas [3].

Outros constituintes: esteroides, compostos fenólicos, flavonoides, taninos, glicosídeos, saponinas, aminas secundárias alifáticas, aminas terciárias, alcaloides, antocianidinas, dextrinas, glicosinolatos [6].

 Dosagem indicada [5]

Uma análise da literatura cientifica, dados etnofarmacológicos, ensaios pré-clínicos e clínicos realizados atesta que maçã-peruana pode ser indicada na melhora do desejo (libido) e desempenho sexual, e é segura na dose de 1,5 g/dia a 3 g/dia.

Outros usos [1]

Um trabalho realizado na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (Brasil) verificou características físico-químicas da maçã-peruana em formulações de embutidos cárneos - como a mortadela.

Foi avaliado o potencial antioxidante da planta para sua utilização como antioxidante natural na substituição total ou parcial do antioxidante sintético.

O autor concluiu que maçã-peruana inibe o surgimento de produtos de oxidação por períodos não muito elevados de tempo - o tempo máximo em relação à oxidação lipídica foi de 60 dias.

 Referências

  1. Universidade Tecnológica Federal do Paraná (2017): Avaliação da influência da maçã-peruana em mortadela - Acesso em 19 de maio de 2019
  2. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine (2011): Ethnobiology and ethnopharmacology of Lepidium meyenii - maca - a plant from the peruvian highlands - Acesso em 19 de maio de 2019
  3. Scribd: Maca (Lepidium meyenii) - Acesso em 19 de maio de 2019
  4. Science Direct (Food Chemistry, 2019): Chemical composition and health effects of maca (Lepidium meyenii) - Acesso em 19 de maio de 2019
  5. Universidade Federal do Ceará (2011). Abordagem farmacológica e farmacêutica da Lepidium meyenii - uma revisão de literatura - Acesso em 19 de maio de 2019
  6. Florien: Maca - Acesso em 19 de maio de 2019
  7. Image: Wikimedia Commons (Author: Vahe Martirosyan) - Acesso em 19 de maio de 2019
  8. The Plant List: Lepidium meyenii - Acesso em 19 de maio de 2019

GOOGLE IMAGES de Lepidium meyenii - Acesso em 19 de maio de 2019

 

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