Jacatupé

Nome científico: 
Pachyrhizus tuberosus (Lam.) Spreng.
Sinonímia científica: 
Cacara tuberosa (Lam.) Britton & Wilson
Família: 
Leguminosae
Partes usadas: 
Raiz.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Água, proteína, ácidos graxos, açúcares, fibra, minerais. Princípios tóxicos (rotenona e pachirrizina).
Indicação terapêutica: 
Cosmético hidratante corporal.

 Esta espécie é considerada planta alimentícia não convencional.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: jicama, potato bean, Amazonian yam bean, Mexican yam bean
  • Espanhol: ashipa, chuin, jíquima, ahipa
  • Alemão: amazonische Jamsbohne, amazonische knollenbohne
  • Francês: pois cochon,  patate-cochon

Origem [4]
Originária da América Latina: P. erosus (México e América Central, conhecida por jicama ou feijão-mexicano), P. tuberosus (planícies tropicais ao longo dos Andes, jíquima, chuin ou Amazonian yam bean) e P. ahipa (vales subtropicais orientais do leste da Bolívia e Argentina, onde é denominada ahipa). São cultivadas para consumo das raízes.

Descrição [1,2]

Herbácea perene, prostrada ou trepadeira volúvel, vigorosa, provida de raízes tuberosas arredondadas (similar a batata-doce) que podem pesar de 3 a 6 kg. Tem ramos fibrosos de 3 a 6 m de comprimento.

Folhas compostas trifolioladas, pecioladas, com folíolos membranáceos e glabros, com o terminal de tamanho um pouco maior que os laterais (9-17 cm de comprimento). 

Flores azuis ou brancas, dispostas em racemos axilares curtos e longo-pedunculados. O fruto tem a forma de vagem (como o feijão, soja, lentilha, grão-de-bico, tremoço etc.) reta, negra, de 9-16 cm de comprimento, com sementes marrons. 

Ocasionalmente cultivada em hortas domésticas no alto Rio Solimões (Amazonas) para produção de raízes para consumo humano (as demais partes da planta são tóxicas). Propaga-se por raízes e sementes. Chega a produzir 36 toneladas/ha de batatas com remoção das inflorescências jovens.

É espécie fixadora de nitrogênio em associação com rizóbios. 

Uso popular e medicinal [1,3 ]

A planta é conhecida no Perú desde o período pré-agrícola (12 200 - 8 500 aC), devido a suas raízes de tubérculos comestíveis. É provável que a primeira predominância desta espécie tenha ocorrido em algum lugar ao longo das encostas orientais dos Andes peruanos, no extremo superior dos rios amazônicos.

É valorizada pela qualidade nutricional das raízes, pelo interesse comercial devido ao potencial de produção e cultivo em larga escala. A raiz é usada como salada, farinha, bolo, purê, medicamento e cosmético hidratante corporal. Sua composição química contém 87,1 % de umidade, 1,12 % de proteína, 0,05 % de ácidos graxos, 5,60 % de açúcares, 0,78 % de fibra e 0,32 % de 14 sais minerais em base seca. 

Além da produção de raízes, tem elevada capacidade de produção de sementes (média de 4 t ha -1), de alto teor proteico, solubilidade e composição de aminoácidos semelhante à soja, com os seguintes valores: proteína 23,71 % e matérias graxas 23,36 % na base seca. As sementes apresentam dois princípios tóxicos (rotenona e pachirrizina) que, após extração por processos simples, podem ser empregados como inseticida biológico.

 Culinária [2]

Salada crua. Selecione raízes jovens, lave-as e descasque. Corte-as em tiras ou cubinhos e tempere com molho de limão, sal, azeite e mel (ou utilize o molho de sua preferência). Pode ser servida pura ou mesclada com outras verduras. As raízes podem ser temperadas apenas com limão ou consumidas diretamente como se fossem fruta. Também pode ser incluída na maionese, usada na panificação e farinha. 

Bolo. Descasque e rale as raizes cruas. Siga uma receita usual de bolo: 2 xícaras de farinha de trigo, 2 (ou 1) xícara de açúcar cristal, 2 xícaras de raiz ralada, 4 ovos, 1 xícara de leite ou água, manteiga e fermento. Bata tudo e asse. Decore por cima com tirinhas da batata. Para se fazer pudim, triture as raízes raladas no liquidificador. 

Purê. Selecione raízes jovens, lave e descasque. Corte em cubos e cozinhe até amolecerem bem (cerca de 30 a 45 minutos). Triture no liquidificador com um pouco de leite. Derreta manteiga e doure sal, alho e pimenta-do-reino moída na hora a gosto. Agregue o creme de leite e o purê. Mexa e deixe reduzir um pouco. Sirva quente ou frio. Fica com uma coloração intensamente branca e textura levemente arenosa (similar ao coco) e adocicada. 

Outros usos
A planta contém rotenona (veja abaixo), o ingrediente ativo em inseticidas conhecido como "derris", é relativamente seguro na medida em que não afeta os animais de sangue quente e também se destrói em substâncias inofensivas com 24h de uso. Ele no entanto mata alguns insetos benéficos, além de ser tóxico para peixes e anfíbios [6].

Rotenona é um defensivo natural extraído de plantas dos gêneros Derris, Lonchocarpus e Tephrosia. Possui longa história de uso entre os povos indígenas sulamericanos, que maceravam galhos e raízes dessas plantas para capturar peixes [5,7].

Dedicado a Ana Lúcia T. L. Mota, Bióloga (São Paulo, SP), agosto de 2017.

 Referências

  1. Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA, 2015): Avaliação de progênies de feijão-macuco com base na nodulação lateral, caracteres associados e processamento de raízes tuberosas - Acesso em 3 de setembro de 2017
  2. KINUPP, V. F; LORENZI, H. Plantas alimentícias não convencionias no Brasil. Instituto Plantarum de Estudos da Flora, Nova Odessa (SP), 2014.
  3. Sørensen, Marten & Heller, J & Engels, Johannes. (1996). Yam bean. Pachyrhizus DC..
  4. Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO-ONU): Yam bean
  5. Useful Tropical Plants: Pachyrhizus tuberosus - Acesso em 3 de setembro de 2017
  6. Plants for a Future: Pachyrhizus tuberosus - Acesso em 3 de setembro de 2017
  7. Green Power Cultivo Indoor: Defensivo orgânico rotenona - Acesso em 3 de setembro de 2017
  8. Imagem: Wikimedia Commons (Pachyrhizus erosus- Acesso em 3 de setembro de 2017
  9. The Plant List: Pachyrhizus tuberosus - Acesso em 3 de setembro de 2017

GOOGLE IMAGES de Pachyrhizus tuberosus - Acesso em 3 de setembro de 2017

Galeria: