Grumixama

Nome científico: 
Eugenia brasiliensis Lam.
Sinonímia científica: 
Stenocalyx brasiliensis var. erythrocarpa (Cambess.) O.Berg
Família: 
Myrtaceae
Partes usadas: 
Casca, folha, fruto.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Tanino, óleo essencial aromático.
Propriedade terapêutica: 
Adstringente, estomacal, anti-inflamatório, antioxidante.
Indicação terapêutica: 
Diarreia, catarro intestinal, disenteria.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: Grumichama

Origem
Endêmica da Mata Atlântica (Brasil).

Descrição

Árvore brasileira da Mata Atlântica de 6 a 10 m de altura, de tronco áspero pardacento, podendo atingir até 40 cm de diâmetro. Folhas curtamente pecioladas, simples, obovais, glabras coriáceas, podendo atingir até 9 cm de comprimento por 5 de largura.

Folhas opostas brilhantes na face ventral e com nervuras bem marcadas na face dorsal. As flores são brancas, pediceladas com 5 pétalas e muitos estames. Os frutos são globosos negros e brilhantes, com cálice persistente [3,4].

Uso popular e medicinal
São usadas as cascas ou folhas na forma de infuso, decocto, extrato fluido, elixir, vinho ou xarope. É adstringente, estomacal, indicado em casos de diarreia, catarro intestinal e disenteria. Externamente o decocto é empregado em irrigação vaginal, leucorreia, lavagens e tratamento de úlcera. Infuso ou decoto a 5%, de 2 a 3 xícaras ao dia. Extrato fluido, de 2 a 10 ml ao dia [4].

Pesquisadores da USP/ESALQ em parceria com a FOP/UNICAMP e Universidade de La Frontera (Chile) constataram que a grumixama e outras espécies nativas da Mata Atlântica tais como araçá-piranga, cereja-do-rio-grande, ubajaí e bacupari-mirim, têm alto poder anti-inflamatório e antioxidante demonstrados in vivo, por isso eles recomendam o consumo frequente dessas frutas.

A prevenção de doenças crônicas dentre as quais o diabetes, o estresse oxidativo e a osteoporose, é constantemente associada ao consumo de alimentos ricos em atividade antioxidantes de metabólitos secundários dos vegetais, principalmente os fenólicos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo regular de frutas como elemento altamente benéfico para se evitar essas doenças.

Num primeiro momento da pesquisa, foram investigadas as atividades antioxidantes das plantas. A partir daí foram selecionadas 3 plantas com maior potencial e a grumixama foi a que apresentou atividade anti-inflamatória significativa, equivalente ao controle positivo anti-inflamatório, que são as drogas. No quesito de atividade antioxidante, as 3 demonstraram quantidades significativas, mas a grumixama se destacou. No geral, as folhas apresentaram atividades antioxidante e anti-inflamatória muito semelhante ou até superior ao das frutas consumidas in natura.

Como as folhas não são ingeridas na forma bruta, eles sugerem que o insumo seja misturado ao alimento. No caso da grumixama, ubajaí e bacupari, elas foram as que apresentaram ótimos resultados anti-inflamatórios, sendo que a maior concentração foi encontrada na polpa [1,2].

A casca e as folhas contêm grande quantidade de taninos, talvez entre os mais altos encontrados nas plantas (34% na casca). A casca e as folhas contêm 1,5% de um óleo essencial de aroma atraente [5].

 Referências

  1. Agência FAPESP (2017): Frutas pouco conhecidas têm alto poder anti-inflamatório e antioxidante - Acesso em 22 de outubro de 2017
  2. Jornal da Unicamp (2017): Estudos atestam potencial bioativo de frutas nativas - Acesso em 22 de outubro de 2017
  3. Globo - Terra da Gente (2015): Grumixama - Acesso em 22 de outubro de 2017
  4. GRANDI, T. S. M. Tratado das Plantas Medicinais - Mineiras, Nativas e Cultivadas. Adaequatio Estúdio, Belo Horizonte. 2014.
  5. Useful Tropical Plants: Eugenia brasiliensis - Acesso em 22 de outubro de 2017
  6. Imagem: Flora Digital (Autor: Ciro Carlos Mello Couto)
  7. The Plant List: Eugenia brasiliensis - Acesso em 22 de outubro de 2017

GOOGLE IMAGES de Eugenia brasiliensis - Acesso em 22 de outubro de 2017

Galeria: