Figo-da-índia

Nome científico: 
Opuntia ficus-indica (L.) Mill.
Família: 
Cactaceae
Sinonímia científica: 
Cactus ficus-indica L.
Partes usadas: 
Toda a planta.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Betalaína, indicaxantina, pectina, taninos, carotenoides, betaxantinas, ácido cítrico, minerais, flavonoides, carboidratos, proteínas, vitaminas (A, B1, B12, C) etc.
Propriedade terapêutica: 
Diurética, antioxidante, antiulcerogênica, gastroprotetor, cicatrizante, anti-inflamatória, hepatoprotetor, condroprotetor, hipoglicemiante, anticancerígena, neuroprotetor etc.
Indicação terapêutica: 
Colesterol, triglicérides, diabetes, obesidade, distúrbio gastrointestinal, hiperlipidemia, blefarite, conjuntivite, psoríase, eczema, edema, dor muscular, afecção cutânea etc.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: prickly pear, tuna cactus, Indian fig.

Origem
Planta originária do México, tropical ou sub-tropical, cresce de forma selvagem em regiões áriadas e semi-áridas de todo o mundo.

Descrição [1,3]

Cacto arbustivo, perene, formado pela raiz e uma série de caules carnudos, pode alcançar até 4 m de altura.

O caule é chamado "cladódio" (aéreo e achatado, semelhante às folhas), são planos, forma oval, envoltos de espinhos, comprimento variando de 60 a 70 cm e espessura de 2 a 3 cm.

O fruto comestível é o figo-da-india: doce, carnudo, suculento, forma ovoide. Retira-se a casca e come-se a polpa, de aspecto gelatinoso, com sementes em seu interior. Dependendo da variedade é amarelo (mais popular), branco ou roxo. A casca do fruto é grossa, inicialmente de cor verde.

Flores são grandes com 7-8 cm de diâmetro, podendo ser amarelas ou alaranjadas.

Uso popular e medicinal

Espécies de Opuntia são usados há milhares de anos pelos nativos da América. Alguns paises usam partes dessa planta na alimentação e cosmética.

Na medicina popular mexicana o consumo de nopalitos (caules jovens) atenua distúrbios gastrointestinais, diabetes mellitus, hiperlipidemia e obesidade. Cladódios são utilizados em casos de blefarite, conjuntivite, psoríase, eczema, edema, dor muscular, afecção cutânea, controle de diabetes e para usufruir da atividade cicatrizante, antiulcerosa e anti-inflamatória na inflamação dos aparelhos respiratório (sob a forma de xarope para tosse) e digestivo (síndrome do cólon irritável). Outros usos: combate a fadiga, diminuição de pressão arterial, níveis séricos de colesterol, dor reumática, problemas de fígado e fragilidade capilar.

Em uso externo, os cladódios são aplicados a quente (cataplasma) na pele irritada ou ferida.

Flores são utilizadas em infusão devido as propriedades diurética e ação relaxante no trato urinario, melhorar a função renal, cistite, oligúria e adenoma prostático. São conhecidas a ação anti-inflamatória e por atuar em cólica gastrointestinal.

O fruto é utilizado por mexicanos na arterioesclerose, diabetes, gastrite, hiperglicemia e como xarope para tosse.

Flavonoides e compostos fenólicos da raiz tem marcante atividade antioxidante e gastroprotetora semelhante à da ranitidina (remédio que inibe a produção de ácido pelo estômago, indicado para esofagite de refluxo, gastrite ou duodenite.

Cladódios apresentam efeitos na hiperglicemia, gastrite aterosclereose, diabetes, hipertrofia prostática. São constituídos de fibras solúveis, celulose, mucilagem, glicoproteínas, compostos aromáticos (betaciannina, betaxantina), folifenóis (flavonoides quercetina, kaempferol, taxifolina, proantocianidina, lipidios (esteróis, ácidos gdraxos), glutationa, vitaminas (C, E), carotenoides e minerais.

Cladódios tem efeito nos distúrbios gastrointestinais, acredita-se pela capacidade tampão de pH, pois esses caules possuem múltiplos grupos ácidos-base considerados eficazes no pH fisiológico. Extrato metanolico dos cladódios demonstraram atividade cicatrizante significativa quando administrado topicamente em feridas de ratos. Análise fitoquímica destacou a presença de beta-sitosterol, alfa-amirina, ácido nítrico, esteres metílicos de ácido málico, flavonoides e sacarose.

Cladódios apresentam atividade antiulcerosa. Vários estudos concluem que a utilização dos cladódios acarretam a citoproteção e aumento de produção de muco por exercer influência nas prostaglandinas. Cladódios apresentam efeito hepatoprotetor. Pela ingestão regular de sumo de cladódios na toxicidade hepática induzida por níquel. Cladódios apresentam atividade condroprotetora (visa diminuir o stress sobre a cartilagem articular e facilitar sua recuperação). Principais compostos com possível atividade neste processo são polissacarídeos (aceleram a reparação de tecidos), glicoproteínas, compostos aromáticos (betacianina, betaxantina), polifenóis, ácidos graxos, lipidios, esteróis, glutationa, vitaminas lipossolúveis(C, E), carotenoides.

Cladódios apresentam atividade anti-inflamatória conforme constatado em extrato metanólico testado em granuloma induzido em ratos machos, devido a presença de princípio ativo beta-sitosterol.

Cladódios apresentam atividade hipoglicemiante conforme demonstrado em ensaio clínico com pacientes com diabetes mellitus não insulino-dependentes e atividade diurética conforme demonstrado em ensaio com ratos machos Winstar (o tratamento crônico e agudo com infusão de cladódios a 15% aumentou a diurese), devido a presença de compostos polares nos cladódios, dentre os quais flavonoides glicosilados e eletrólitos associados a atividade diurética.

Vários estudos demonstraram que o fruto tem atividade antioxidante, anti-inflamatória, antiulcerogênica, anticancerígena, hepatoprotetora, neuroprotetora, protetora cardiovascular e hipocolesterêmica, hipoprotrombibnêmica, diurética e antiúrica. Rico nutricionalmente, pode ser promissor na produção de alimentos funcionais e nutracêuticos. Quando maduro contém aminoácidos, polifenóis (ácido ferúlico, glicosídeos flavonoides), fibras (pectina), minerais (Ca, P, Mg, K, Mn, Fe, Zn) vitaminas (C, comparável a laranja e limão, E, provitaminas), hidratos de carbono e mucilagem, pigmentos betalainas (indicaxantina, betanina).

Na casca do fruto foi verificado a existência de proteínas, amido, hidratos de carbono, lipidos (ácidos graxos essenciais), antioxidantes e esteróis. Os principais ácidos graxos são monoinsaturados e polinsaturados (oleico, linoleico), elevada quantidade de fitoesteróis (os principais são beta-sitosterol e kampsterol), betacaroteno em elevada quantidae, tocoferóis, poderosos antioxidantes e quantiddade substancial de vitamina K1 (filoquinona).

Já foi demonstrado que a semente possui atividades hipocolesterêmica e hipoglicemiante. São ricas em minerais e aminoácidos sulforados (metionina, cisteína). O óleo extraído das sementes contém ácido linoleico em maior quantidade [1].

Estudos no México com indivíduos saudáveis, obesos e diabéticos apontaram que espécies de Opuntia diminuem lipídeos séricos (colesterol e triglicerídeos), glicemia e peso corporal. Após ingestão antes das refeições por 10 dias, houve diminuição significativa do colesterol total nos três grupos e diminuição do triglicérides e do peso corporal em obesos e diabéticos.

A atividade diurética aguda e crônica de Opuntia fícus-indica foi investigada em um estudo pré-clínico através da infusão de 15% de cladódio, flores e frutos da planta, resultando em aumento significativo da diurese. Este efeito é mais marcado com a infusão da fruta e mais eficaz no tratamento crônico.

Estudos em animais de laboratório indicaram que a quercetina, (+) - di-hidroquercetina e quercetina éter 3-metilo são os principais antioxidantes ativos nos frutos e caules de Opuntia fícus-indica exibindo ações neuroprotetoras contra as lesões oxidativas.

Foi também apontado o efeito hipoglicemiante do suco em pacientes diabéticos tipo II, com diminuição de 20% da glicemia durante a primeira hora de administração e redução dos níveis de triglicérides [2].

Dedicado a Silvana Shaw (Rio de Contas, BA)

 Referências

  1. Universidade Fernando Pessoa (Porto, 2011): Avaliação do potencial biológico de Opuntia ficus-indica - Acesso em 8 de setembro de 2019
  2. Florien Fitoativos: Opuntia - Acesso em 8 de setembro de 2019
  3. ABC do Globo Rural (vídeo, 2008): Figo-da-índia - Acesso em 8 de setembro de 2019
  4. Marrocos.com: Figo da Barbárie - Acesso em 8 de setembro de 2019
  5. Confraria do figo-da-índia - Acesso em 8 de setembro de 2019
  6. Image: Courtesy of Henriette Kress Henriette's Herbal Homepage - Acesso em 8 de setembro de 2019
  7. The Plant List: Opuntia ficus-indica - Acesso em 8 de setembro de 2019
  8. GOOGLE IMAGES de Opuntia ficus-indica - Acesso em 8 de setembro de 2019

 

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