Cravo-da-índia

Nome científico: 
Syzygium aromaticum (L.) Merr. & L.M.Perry
Sinonímia científica: 
Caryophyllus aromaticus L.
Família: 
Myrtaceae
Partes usadas: 
Botões florais, folhas
Princípio ativo: 
Presença de até 90% de óleo essencial, no qual o eugenol é o componente majoritário, acompanhado por trans-cariofileno, acetato de eugenila e a-humuleno.
Propriedade terapêutica: 
Carminativa, antisséptica, antibiótica, antifúngica, antibacteriana.
Indicação terapêutica: 
Estimulante das funções digestivas, tratamentos respiratórios, transtornos alimentares, enxaguatório bucal.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: clove, cloves, clovetree
  • Alemão: gewürznelkenbaum
  • Espanhol: árbol del clavo, clavero giroflé, clavo de olor
  • Francês: giroflier

Origem
Alguns autores descrevem o cravo-da-Índia como originário das Filipinas e leste da África e outros o descrevem como originário da Índia, 
sendo também encontrado na Indonésia, Zanzibar e Sri Lanka (antigo Ceilão). É cultivado em vários países tropicais inclusive no Brasil (sul da Bahia).

Descrição
Árvore perenifólia, copa alongada de até 8m de altura. Folhas inteiras, oblongas, longo-pecioladas, aromáticas, de 7 a 11 cm de comprimento. Flores longo-pedunculadas, pequenas, aromáticas, roseo-avermelhadas, dispostas em corimbos terminais. 

Uso popular e medicinal
A espécie é explorada principalmente para extração industrial do óleo essencial obtido dos botões florais, folhas e outras partes. O uso popular da espécie refere-se ao chá dos botões florais como carminativo e estimulante das funções digestivas. Na Índia é utilizado pela medicina Ayurvédica para tratamentos respiratórios e transtornos alimentares. As propriedades antissépticas e antibióticas são também exploradas em preparação de dentifrícios caseiros e enxaguatórios bucais.

Os estudos fitoquímicos do cravo revelam a presença de até 90% de óleo essencial, no qual o eugenol é o componente majoritário, acompanhado por trans-cariofileno, acetato de eugenila e a-humuleno. Segundo vários pesquisadores, o eugenol pode contribuir com atividade antifúngica e antibacteriana.

Estudos referentes ao potencial anticarcinogênico ou quimiopreventivo, antioxidante, antiagregante plaquetário e antitrombótico do cravo têm sido descritos nas literaturas especializadas.

Etnobotânica

Cravo sempre esteve em alta na culinária da Europa, norte da África e a maior parte da Ásia. 

Durante todo o século XVII os holandeses mantiveram um monopólio eficaz no comércio de cravo, que garantiu altos lucros para eles. 

Causa surpresa que o cravo seja utilizado em seu país de origem apenas em doces. Em quase toda a Indonésia, não é tido como tempero importante, no entanto, os indonésios são os principais consumidores de cravo e chegam a utilizar quase 50% da produção mundial. Mas infelizmente, não para cozinhar, mas para fumar! Cigarros aromatizados com cravo são extremamente desejados pelos homens deste país e seu doce aroma de incenso permeia restaurantes, ônibus, mercados e escritórios.

É impossível mencionar todas as cozinhas onde o cravo é utilizado. É apreciado pelos chineses, desempenha um papel importante na culinária do Sri Lanka, é amplamente utilizado na culinária mongol do norte da Índia, desfruta de grande popularidade no Oriente Médio e muitos países árabes. É tempero comum no norte de África. Em todos estes países são os preferidos em pratos de carne. 

Na Etiópia, o café é torrado muitas vezes em conjunto com alguns pedaços de cravo na chamada "cerimônia do café"Cravo é menos usado na Europa, onde o seu sabor forte não é muito apreciado. É muito usado em tipos especiais de doces ou pão-doce e em frutas cozidas associado com canela. Arroz puro é frequentemente aromatizado com um ou dois pedaços de cravo. Na França, cravo é cozido em guisados de carne em fogo brando. Na Inglaterra, são mais populares em pickles.

Em vários países as misturas de especiarias contém cravo. Ele forma uma parte essencial da conhecida "cinco especiarias em pó" da China e normalmente aparece no pó de caril (curry). É um componente do "garam masala" (foto), uma mistura tida como o coração da maioria dos pratos indianos.

Entra também na composição do “baharat”, uma mistura de ervas típica do Oriente Médio e muito utilizada na culinária árabe (“baharat” significa pimenta em árabe).

The Magic Spice - Garam masala

Cravo é um componente da mistura de erva conhecida no norte da África como "ras el Hanout" (traduzido como "o máximo da minha cozinha"), é usado para temperar cuscuz, arroz ou grelhados. Numa receita típica combinam-se sal, cominho, gengibre, açafrão, canela, pimenta branca, pimenta preta, pimenta-de-cayenne, pimenta-da-jamaica e cravo, todos moídos.

Na Tunísia, há uma mistura de especiarias moderadamente picante chamada "Dagga galat" empregada para dar sabor em guisados de carneiro. 

O cravo também se estabeleceu no México como integrante do "mole sauces", um nome genérico para uma série de pratos da culinária mexicana baseada nesses molhos.

O sabor do famoso molho "worcestershire" ou "worcester" (molho inglês), uma contribuição indo-britânica a cozinha internacional, é marcadamente dominado pelo aroma de cravo. O molho é composto de várias especiarias além do cravo, alho, tamarindo, colorau ou chili, extrato de peixe, molho de soja, melado, vinagre (ou suco de limão) e sal. Não existe uma receita autêntica e outros ingredientes podem entrar como xarope de milho, pimentão e anchovas, portanto cada mestre da cozinha faz sua própria receita. 

É considerado um intensificador de sabor, utilizado em pratos cozidos ou crus. Na culinária inglesa é empregado na preparação da carne de vaca. Nas Filipinas em marinadas, especialmente com carne de porco. É um ingrediente essencial no tempero da "salada Caesar", no preparo do coquetel Bloody Mary e no molho da região de Worcester (EUA) preparado por Lea & Perrins como um concentrado.

Interações com medicamentos [1]
Varfarina (anticoagulante oral cumarinico). Resultado: o fitoterápico contem eugenol, alcalóide inibidor da agregação plaquetária, resultando em risco de sangramento.

 Colaboração

  • Rosane Maria Salvi, Médica (Porto Alegre, RS), 2009.
  • Eliane, Diefenthaeler Heuser, Bióloga (Porto Alegre, RS), 2009. 

 Referências

  1. SALVI, R.M.; HEUSER E. D. Interações medicamentos x fitoterápicos: em busca de uma prescrição racional. EDIPUCRS, Porto Alegre (RS). 2008.
  2. Revista Brasileira de Plantas Medicinais (2011): Ação do óleo essencial de Syzygium aromaticum sobre as hifas de alguns fungos fitopatogênicos - Acesso em 20/12/2014
  3. Gernot Katzer's Spice Page: Syzygium aromaticum - Acesso em 20/12/2014
  4. Cuesta Sabores: Tempero arabian Baharat - Acesso em 20/12/2014
  5. The Spice House: Baharat Seasoning - Acesso em 20/12/2014
  6. The Magic Spice: Garam Masala - Acesso em 20/12/2014
  7. SBS: Ras el hanout - Acesso em 20/12/2014
  8. All Recipes: Mexican Mole Sauce - Acesso em 20/12/2014
  9. Wikipedia: Worcestershire sauce - Acesso em 20/12/2014
  10. Molho inglês: Lea & Perrins - Acesso em 20/12/2014
  11. The Plant List: Syzygium aromaticum - Acesso em 20/12/2014

GOOGLE IMAGES de Syzygium aromaticum - Acesso em 20/12/2014
 

Galeria: