Violeta

Nome científico: 
Viola odorata L
Sinonímia científica: 
Viola wiedemannii Boiss.
Família: 
Violaceae
Partes usadas: 
Raiz, folha, flor.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Ácidos (ferúlico, sinápico, málico, caprílico, octílico, palmítico, salicílico), alcaloides (escopoletina, odoratina, violina), flavonoides (quercetina, rutina), saponinas, mucilagens, salicilato de metilo, álcoois (eugenol, beta-sitosterol, etc).
Propriedade terapêutica: 
Expectorante, balsâmico. hipotensor, analgésico, antipirético, anti-inflamatório, demulcente, vomitivo, antivomitivo, diurética, depurativa, antibiótico.
Indicação terapêutica: 
Acalmar a tosse, catarro, inchaços, febre, resfriado, gripe, asma, gastrite, úlcera, constipação, artrite, artrose, Síndrome do Túnel Carpal.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: english violet, sweet violet, common violet
  • Francês: violette, flor de mars
  • Italiano: violetta, mammolina
  • Alemão: duftveilchen
  • Espanhol: violeta

Origem
Orinária da Europa. Introduzida como planta ornamental na América do Norte e Austrália.

Descrição [1,2,3]
Erva perene, atinge até 15 cm de altura, destituida de talo. As folhas têm a forma de coração. Suas flores nascem nos extremos de pequenos cabos. O gênero é interessante do ponto de vista biológico, uma vez que apresenta o fenômeno da cleistogamia (suas flores são polinizadas estando suas pétalas fechadas). Possui dois tipos de flores, sendo a menor cleistogâmica e não possui perfume.

A flor tem cor violeta escuro ou branca com 5 pétalas. Frutos numerosos em cápsula.

O florescimento ocorre no final do inverno ou começo da primavera. As sumidades floridas e folhas são coletadas entre março e maio.

A planta caracteriza-se pela beleza e perfume intenso, por isso é cultivada como ornamental. A espécie selvagem causa menor impressão, porém é mais perfumada, por isso é a preferida pela indústria farmacêutica.

Dentre as várias espécies de violeta tem-se no Brasil a conhecida como "pensamento", encontrada frequentemente em estado silvestre na Europa. Dela existem as variedades cultivadas que a medicina popular utiliza como expectorante. Suas flores encerram tanto matérias amargas quanto o princípio ativo violina.

Uso popular e medicinal [1,2,3]
As flores são ricas em mucilagem, possuem traços de essência, pequenas quantidades de ácido salicílico e outros compostos como violamina.

Na raiz são encontrados alcaloides como odoratina, saponinas e ácidos orgânicos. É empregado principalmente para acalmar a tosse e fluidificar as secreções das vias aéreas, ou seja, facilitar a expectoração.

A mucilagem das flores possuem propriedades emolientes, anti-tússica e anti-inflamatória. O ácido salicílico é conhecido pelas propriedades analgésica e antipirética. As saponinas contidas na raiz têm sido usadas para provocar vômito. Os alcalóides da raiz exercem ação hipotensora.

As flores frescas são usadas para a extração do óleo essencial, tido como um dos aromas mais agradáveis. A essência de violeta, obtida por destilação, tem alto custo. Calcula-se ser necessário 1 ton de pétalas para a obtenção de 31 g do produto.

A planta tem quantidade considerável de princípios ativos:

  • Ácidos: ferúlico, sinápico (planta), málico (flores), octanóico (ou caprílico), octílico, palmítico, propiônico, salicílico (folhas).
  • Alcaloides: escopoletina (planta), odoratina (raizes), violina (flores e raizes).
  • Flavonoides: quercetina (planta), rutina (flores)
  • Saponinas (raizes)
  • Mucilagens (planta)
  • Salicilato de metilo (óleo essencial)
  • Álcoois: eugenol, nonadienol (flores e folhas), nonadienal, octadienol, álcool bencílico (flores), beta-sitosterol (planta)

O ácido málico e a quercetina oferecem propriedades antibióticas que impedem o desenvolvimento de bactérias, servem em muitas enfermidades do aparelho respiratório como bronquite, tosse, febre, resfriado, gripe e asma. 

As propriedades demulcente e suavizante da mucilagem resultam adequada para o tratamento de anomalias do aparelho digestivo tais como gastrite, úlceras gastroduodenais e constipação (prisão de ventre).

A violeta pode ser usada tanto para provocar o vômito (vomitivo) devido às saponinas, quanto para estancá-lo (antivomitivo), devido às mucilagens, quando se toma doses mais elevadas.

As propriedades diurética e depurativa da planta ajudam a curar enfermidades que requerem maior produção de urina e eliminação de toxinas. Neste sentido, é indicada para o tratamento de cistite, nefrite e hipertensão (a eliminação de líquidos favorece o tratamento da hipertensão.

As propriedades balsâmica e anti-inflamatória podem ajudar a aliviar o mal estar e irritação da garganta em caso de faringite e desinflamar as amígdalas.

As propriedades analgésico e anti-inflamatório ajudam a combater a dor, resultam eficaz no tratamento de artrites, artroses e Síndrome do Túnel Carpal (inflamação do nervo médio da mão). 

 Dosagem indicada [2,3]

Tosse e catarro. Decocção, ferver 5 g de raízes em 300 g de água. Quando o líquido reduzir a 1/3, adoçar com mel ou açúcar e beber rapidamente.

Xarope. 100 g de flores frescas em um litro de água fervente. Após 12 horas, coar o líquido, apertando bem as flores, adicionar 2 kg de açúcar. Filtrar após 2 ou 3 dias e guardar. A dose recomendada é uma colher de sopa do xarope, de 2 em 2 horas.

Eliminar inchaços provocados por contusão ou pancada. Preparar um cataplasma com folhas frescas cozidas em um pouco de água. Aplicar quente no local afetado

Perfume caseiro. Remover os pedúnculos das flores frescas e deixar secar rapidamente a sombra. Verter sobre uma placa de metal quente um pouco de sal refinado. Ao secar, misturar com as pétalas florais. Conservar em frasco com tampa esmerilhada

Bronquite. 3 colheres (sopa) de raízes secas por litro de água durante 20 minutos. Tomar 4 colheres (sopa) ao dia. Decocção de 50 g de raiz seca por litro de água durante 10 minutos. Tomar 3 copos ao dia, adoçado com mel.

Tosse. Infusão de 1/2 colher (sopa) de flores secas por xícara de água. Tomar 2 xícaras ao dia.

Febre. Infusão de 1 colher (sopa) de flores secas por xícara de água. Tomar de 2 a 4 xícaras ao dia.     

Resfriado. Violeta com sumo de limão para diminuir os sintomas: infusão de 1 colher (sopa) de flores secas por xícara de água. Tomar 3 xícaras ao dia com uns pingos de limão.

Gripe. O tratamento anterior pode tornar a gripe suportável especialmente quando o paciente tem sede intensa ou febre alta.

Asma. 40 gotas diárias de tintura-mãe separadas em 3 doses. A tintura é encontrada em farmácias.

Gastrite, úlcera gastroduodenal, constipação. Infusão de 1 colher (sopa) de flores secas por xícara de água. Tomar 2 xícaras ao dia.     

Provocar vômitos. Decocção durante 10 minutos de uma colher (sopa) de raiz seca esmagada por copo de água. Acrescentar 1 colher (sopa) de açúcar à água que sobrou e beber enquanto estiver quente. 

Evitar vômitos. Decocção de uma colher (sopa) de flores secas por xícara de água por cerca de 3 minutos. Tomar 2 xícaras ao dia para acalmar o estômago e eliminar a vontade de vomitar.

 Referências

  1. QUEIROZ, R. G. O mundo mágico das plantas. Thesaurus Editora, Brasília (DF), 2003.
  2. Botanical Online: Propiedades de la violeta - Acesso em 14 de junho de 2015
  3. Enciclopedia de Plantas Medicinales
  4. Imagem: The American Violet Society - Acesso em 14 de junho de 2015
  5. The Plant List: Viola odorata - Acesso em 14 de junho de 2015

GOOGLE IMAGES de Viola odorata - Acesso em 14 de junho de 2015

Galeria: