Urtiga

Nome científico: 
Urtica dioica L.
Sinonímia científica: 
Urtica galeopsifolia Wierzb. ex Opiz
Família: 
Urticaceae
Partes usadas: 
Toda a planta.
Princípio ativo: 
Vitaminas, ferro, proteínas, acido salicílico e outros elementos.
Propriedade terapêutica: 
Hemostática, diurética, depurativa, uricosúrica, colagoga, remineralizante.
Indicação terapêutica: 
Artrite, gota, furunculose, úlceras, sarampo, hemorroidas, resfriados, inflamações da garganta, auxilia no funcionamento do fígado, vesícula biliar e intestinos, queda de cabelos, caspa.

 Esta espécie é considerada planta alimentícia não convencional.

Nome em outros idiomas

  • Espanhol: ortiga dióica
  • Inglês: nettle
  • Francês: ortie
  • Italiano: ortica

Origem
Vegeta em todo território nacional mas é oriunda da Europa.

Descrição
É uma planta que assusta muitas pessoas por causar coceira enorme quando em contato com a pele desnuda. Por esse motivo é conhecida em espanhol como hierba de los cegos, pois até eles a conhecem, embora não a vejam.

Curiosidade. Urtiga foi usada desde o século I dC pelos gregos para urticação (ou flagelação), que consistia em esfregar urtigas frescas no baixo ventre e nádegas de homens que queriam ter sua virilidade aumentada. Beneficiava também os reumáticos que tivessem a ousadia de açoitar-se com um ramo de urtigas.

 

 

Dos três tipos conhecidos de urtiga: urtiga-branca, urtiga-maior e urtiga-vermelha, nos referimos aqui a urtiga-maior.

Planta perene, de 0,5 a 1 m de altura, tem raízes rasteiras e hastes fortes, simples, erguidas e de coloração verde-esvaecida.

Suas folhas são grandes oval-lanceoladas, serrilhadas, dotadas de duas estípulas e revestidas de pelos urticantes. Suas flores são em pequenos grupos de flores femininas e masculinas, esverdeadas ou amarelas segundo alguns autores.

As folhas e os brotos tenros de urtiga-maior devem ser colhidos com muito cuidado para não provocarem queimaduras na pele, devem ser secos a sombra, podem ser conservados inteiros ou picados em vidros hermeticamente fechados.

Usam-se folhas e brotos depois de secos em refogados e cozidos conferindo sabor picante e salgado. As sementes são coletadas no outono e podem ser usadas em preparações medicinais ou para engordar o gado.

A urtiga-maior vegeta espontaneamente em terrenos baldios, em solos com estrume e a beira de rios em zonas temperadas da América, Ásia, África, Europa e Austrália. Propaga-se por divisão.

Considerada erva-daninha por invadir com rapidez terrenos cultivados. Sua presença atesta qualidade do solo, estimulando o crescimento de outras plantas.

Uso popular e medicinal
Na parte aérea da planta encontram-se clorofila, sais minerais, vitaminas, tanino, flavonoides, esteróis, mucilagens, betaína, colina, carotenoide, protídeos, lisina, polissarídeos e fenóis. O conteúdo em vitamina C é tão alto quanto o do limão ou da groselha.

Na raíz encontram-se taninos, fitosteróis, propanoides, heterosídeos, escopolamina, lectinas, flavonoides e cumarinas. O azeite da semente contém ácido linoleico, oleico, ácidos saturados e glicerol.

Os pelos contêm 1% de histamina e 0,2 a 1% de acetilcolina, substâncias que promovem os impulsos nervosos do nosso sistema nervoso vegetativo e por isso atuam bem no sistema digestivo e circulatório. Tem ainda colina, serotonina, ácidos acético, gálico e fórmico, o mesmo que as formigas têm e por isso uma picada de formiga causa a mesma sensação que um esfregão em pêlos de urtiga.

Pelo alto conteúdo de sais minerais e clorofila, a planta é reconstituinte e remineralizante. Os taninos lhe dão ação antidiarréica e cicatrizante de feridas e a vitamina K lhe confere poder anticoagulante. Os ácidos acético, gálico e fórmico, a clorofila e os minerais lhe fazem uricosúrica (aumenta a excreção do ácido úrico) e colagoga.

É muito usada para tratar hiperplasia benigna de próstata (HBP), principalmente junto com Pygeum africanum, já que esta combinação é melhor que qualquer uma das plantas isoladas por deixar menos resíduo urinário. Pygeum africanum é o nome do extrato concentrado da casca da ameixeira africana, usado como fitoterápico no tratamento de distúrbios da micção provocados por HBP.

É anti-inflamatória por que seus polissacarídeos ativam o complemento e sua ação é comparada aos diclofenacos. As lectinas têm ação endocrinorreguladora, anti-inflamatória e agrutinadora eritrocitária, além de estimularem a produção dos linfócitos.

Há trabalhos dando conta de que a quantidade de ferro e sílica que contém ajuda em problemas de fragilidade capilar. Inibe o sistema nervoso central (SNC), ajuda na alopecia e baixa a temperatura, a pressão arterial, o açúcar no sangue e o número de batimentos cardíacos.

A urtiga-maior é ainda indicada em dietas que exigem redução de sal. Auxilia na prevenção de resfriados e inflamações da garganta, contribuindo ainda para o bom funcionamento do fígado, vesícula biliar e intestinos. Atua como hemostática, diurética e depurativa, razão pela qual é utilizada no tratamento da artrite, gota, furunculose, úlceras, sarampo, hemorroidas, asma, diarréias, coqueluche etc..

 Preparo e dosagem indicada

Externamente se utiliza nos casos de quedas de cabelo e caspas.

Artrite. Faz-se a infusão por cinco minutos com 3 colherinhas de folhas secas em uma xícara de água fervente. Filtrar e adoçar com mel, tomar 3 xícaras por dia.

Depurativo. Decocção em um 1,5 l de água, ferver 50 g de folhas e hastes de urtiga-maior até que o líquido se reduza a 2/3 da quantidade inicial. Filtrar e guardar em garrafa. Tomar 3 cálices por dia.

Cuidado
Se ingerida diminui a função renal e cardíaca e pode causar irritação gástrica. É uterotônica. O efeito urticante é só no contato com a pele.

 Colaboração

  • Marcos Guião, Jornalista (São Gonçalo do Rio das Pedras, MG). Abril 2017. Ervanaria Marcos Guião
  • Martha Batista de Lima, Pedagoga e Terapêuta Naturalista (Florianópolis, SC). Outubro 2007.

 Referências

  1. CORDEIRO, R. et all. Plantas que Curam. Editora Três, São Paulo (SP), 1996.
  2. Franco, L. C. L.; Leite, R. C. Fitoterapia para a Mulher. Corpomente, Curitiba, 375p. 2004.
  3. US National Library of Medicine (2002): Pygeum africanum for benign prostatic hyperplasia - Acesso em 11 de setembro de 2016
  4. Imagem: Marcos Guião
  5. The Plant List: Urtiga dioica - Acesso em 11 de setembro de 2016

GOOGLE IMAGES de Urtica dioica - Acesso em 11 de setembro de 2016

Galeria: