Unha-de-gato

Nome científico: 
Uncaria tomentosa (Willd. ex Schult.) DC.
Sinonímia científica: 
Uncaria tomentosa var. dioica Bremek.
Família: 
Rubiaceae
Partes usadas: 
Folha, raiz, casca.
Princípio ativo: 
Esteróides (beta-sitosterol, estigmasterol, campesterol), princípios ativos antioxidantes (catequinas, procianidinas) e glicosídeos do ácido quinóvico (encontrados na casca e raíz).
Propriedade terapêutica: 
Analgésica, anti-inflamatória, antimutagênica, antioxidante, antiproliferativa, antitumoral, antiviral, citoprotetora, citostática, citotóxica, depurativa, diurética, hipotensiva, imunoestimulante, imunomodulatória.
Indicação terapêutica: 
Desordens imunológicas e reumáticas, gastrite, úlcera, câncer, artrite, nevralgias, inflamações crônicas, doenças virais (herpes zoster ou cobreiro), síndrome do intestino solto, úlceras, diverticulite, condições inflamatórias do intestino e estômago.

Nomes em outros idiomas

  • Inglês: cat´s claw
  • Espanhol: uña de gato
  • Francês: liane du Pérou, griffe de chat
  • Alemão: katzenkralle
  • Italiano: unghia di gatto

Origem
Unha-de-gato é planta indígena da floresta Amazônica e outras áreas tropicais da América do Sul e Central.

Descrição
A planta é uma vinha de madeira larga e seu nome é proveniente dos espinhos em forma de gancho que crescem ao longo da vinha e envolvem a 
planta. Duas espécies próximas da Uncaria são utilizadas quase como substitutas nas florestas: U. tomentosa e U. guianensisAmbas as espécies podem alcançar mais de 30 m de altura. A primeira possui espinhos pequenos e flores branco-amareladas enquanto a outra possui flores laranja-avermelhadas e espinhos mais curvados.

Unha-de-gato é uma das plantas medicinais peruanas de maior importância. No 1º Congresso Internacional desta espécie patrocinada pela Organização Mundial da Saúde (WHO), foi considerada a mais importante descoberta desde a quinina, árvore peruana descoberta no século XVII.

Uso popular e medicinal
Os asháninka (tribo indígena do Peru) utilizam a unha-de-gato para asma, inflamações do trato urinário, recuperação do parto, purificador dos 
rins, cura de ferimentos profundos, artrite, reumatismo, dor óssea, inflamação, úlceras gástricas e câncer. Outras tribos peruanas utilizam a unha-de-gato para tratar diabetes, câncer do trato urinário feminino, hemorragias, irregularidades na menstruação, cirrose, febres, abscessos, gastrite, reumatismo, inflamações, lavagem interna, tumores e "normalizar o corpo".

Tribos indígenas na Colômbia utilizam a vinha para tratar gonorréia e disenteria.

A unha-de-gato também tem sido utilizada como contraceptivo por diversas tribos do Peru. 

Com tantos usos documentados, pesquisadores e cientistas do Ocidente tem dedicado estudos sobre as propriedades dessa planta. No início dos anos 70 foi organizado na Áustria o primeiro trabalho. A partir de então diversos extratos foram vendidos na Áustria e Alemanha como fitoterápicos. 

Quatro patentes americanas descreveram procedimentos de extração para um grupo de princípios ativos denominados alcalóides oxíndoles e a imunoestimulação destes alcalóides encontrados na vinha e raíz da planta.

Vários estudos indicaram que duas frações inteiras dos alcalóides oxíndoles, casca da vinha inteira e/ou extratos da casca e raíz, ou ainda seis alcalóides oxíndoles testados individualmente, aumentaram a função imune em 50% em pequenas quantidades, relativamente. Pesquisadores canadenses documentaram que um extrato integral da vinha demonstrou um forte efeito imunoestimulante. Pesquisadores peruanos demonstraram que um extrato integral da vinha aumentou a função imune em ratos a uma dosagem de 400 mg/kg.

Unha-de-gato tem sido utilizada no Peru e na Europa desde o início dos anos 90 como tratamento adjuvante para câncer e AIDS, assim como em outras doenças que afetam o sistema imunológico.

Cinco dos alcalóides oxíndoles foram documentados clinicamente com propriedades antileucêmicas in vitro e diversos extratos da casca e raiz demonstraram propriedades antimutagênica e antitumorais. Pesquisadores italianos reportaram em um estudo in vitro em 2001 que o vegetal inibiu diretamente o crescimento celular do câncer de mama em 90%, enquanto outro grupo reportou que ela inibiu uma camada de estrógenos em células de câncer de mama humano in vitro.

Pesquisadores suíços documentaram que ela inibiu o crescimento in vitro de células de linfoma e leucemia em 1998. Pesquisas subsequentes têm reportado que a unha-de-gato pode auxiliar a reparação do DNA celular, prevenir a mutação de células, ajudar na prevenção da diminuição de glóbulos brancos e danificação imunológica causada por diversas drogas quimioterápicas.

Outra área significante de estudo têm focado nas propriedades anti-inflamatórias da planta devido a presença de esteróides (beta-sitosterol, estigmasterol, campesterol), princípios ativos antioxidantes (catequinas, procianidinas) e glicosídeos do ácido quinóvico (encontrados na casca e raíz). Os resultados destes estudos validam a longa história de utilização indígena para artrite, reumatismo, inflamação estomacal e desordens de intestino.

Foi demonstrado clinicamente a eficácia contra úlceras estomacais em um estudo in vivo com ratos. 

Na Fitoterapia atual, unha-de-gato é empregada no mundo inteiro nas diferentes condições incluindo desordens imunológicas, gastrite, úlcera, câncer, artrite, reumatismo, desordens reumáticas, nevralgias, inflamações crônicas de todos os tipos e até doenças virais como herpes zóster (ou cobreiro, uma erupção cutânea com bolhas causada pelo vírus varicela-zóster). É reconhecida como "desbravadora de caminhos" devido a propriedade de limpeza de todo o trato gastrointestinal e sua efetividade no tratamento de desordens do estômago e intestino ("síndrome do intestino solto"), úlceras, diverticulite e outras condições inflamatórias do intestino e estômago.

As formas farmacêuticas mais comuns atualmente são cápsulas e comprimidos encontrados em lojas especializadas.

 Dosagem indicada
Benefícios imunológicos e saúde geral. Na prática recomenda-se de 500 mg a 1 g diariamente do pó da vinha em comprimidos ou cápsulas. Como 
preventivo usar por 3 meses e curativo 6 meses ou a critério médico.

Artrite, intestino e problemas digestivos. Doses máximas de 10 g ao dia.

Manutenção da saúde e problemas em geral. Uma decocção padrão da casca da vinha pode ser utilizada de forma semelhante à utilizada pelos indígenas: 1/2 a 1 copo da decocção uma vez ao dia, até no máximo um copo três vezes ao dia de acordo com necessidades específicas. A adição de suco de limão ou vinagre a decocção durante a fervura ajudaria a extrair mais alcalóides e menos taninos da casca. Utilize por volta de 1/2 colher de suco de limão ou vinagre por copo de água. Para padronização e/ou extração dos produtos, seguir as instruções no rótulo.

 Contraindicações
Unha-de-gato é contraindicada antes ou após transplante de qualquer órgão ou ainda de enxerto de pele. Contraindicada também para mulheres que 
pretendem engravidar. Pessoas com baixa pressão arterial ou que usam medicação antihipertensiva devem verificar com seu médico antes de iniciar a utilização desta planta e, se permitido, utilizar com cautela.

Recomenda-se evitar ingerir cápsulas ou comprimidos da casca concomitantemente ao uso de antiácidos. Altas dosagens (3-4 g de uma só vez) podem causar dores abdominais ou problemas gastrintestinais, incluindo diarréia.

Cuidado! Muitas variedades da unha-de-gato mexicanas possuem propriedades tóxicas.

Interações medicamentosas
Devido aos seus efeitos imunoestimulantes, a unha-de-gato não pode ser utilizada com medicações com a intenção de suprimir o sistema imunológico 
como a ciclosporina ou outras medicações prescritas após transplante de órgãos.

Pode potencializar o coumadin (varfarina), drogas anticoagulantes e antihipertensivas.

Colaboração

  • Isanete G. C. Bieski, Farmacêutica, Especialista em Plantas Medicinais, Manejo, Uso e Manipulação (Cuiabá, MT). Janeiro de 2005.

 Referências

  • BIESKI, I. G. C. Unha-de-gato. Universidade Federal de Lavras, 2005. -  Acesso em 18/1/2015
  • The Plant List Acesso em 18/1/2015

GOOGLE IMAGES de Uncaria tomentosa Acesso em 18/1/2015
 

Galeria: