Ucuuba

Nome científico: 
Virola surinamensis (Rol. Ex Rottb.) Warb.
Sinonímia científica: 
Myristica surinamensis Rol. Ex Rottb.
Família: 
Myristicaceae
Partes usadas: 
Sementes
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Possui cerca de 10% de óleo essencial composto principalmente por hidrocarbonetos.
Propriedade terapêutica: 
Antiespasmódica, antisséptica, carminativa, vulnerária.
Indicação terapêutica: 
reumatismo, artrite, cólicas, aftas, hemorróidas, malária, doença-de-chagas, erisipela, dispepsia, processos inflamatórios.

Origem
Árvore nativa da região Amazônica, encontra-se amplamente distribuída em alguns Estados do Nordeste brasileiro e América Central.

Nome em outros idiomas

  • Colômbia, Peru: cumala, caupuri
  • Inglês: ucuuba-butter, baboonwood

Morfologia

Árvore de copa piramidal, 25 a 35m de altura. Folhas simples, alternas, subcoriáceas, 10 a 15 cm de comprimento. Frutos: cápsulas ovóides verdes ou marrons, tomando-se amarelas quando deiscentes, abrindo-se em duas valvas ao amadurecer. Sementes envoltas por arilo vermelho. 

Esclarecimento
Ucuuba é um nome comum a diversas árvores sul-americanas da família Myristicaceae, algumas das quais possuem sementes que fornecem uma gordura comestível, dura e amarelada usada principalmente na fabricação de velas e sabão. A árvore dá boa madeira, também chamada ucuubeira. A gordura das sementes de ucuuba também é referida como manteiga de ucuuba, sebo de ucuuba e óleo de ucuuba.

Esta espécie é normalmente confundida com a famosa noz-moscada, devido a semelhanças de aroma e formato do fruto e sementes. A noz-moscada é uma especiaria consumida em todo o mundo, tem nome científico Myristica fragans e é originária da Indonésia.

Uso medicinal

O sebo e a seiva têm diversas aplicações na medicina caseira principalmente no tratamento de reumatismo, artrite, cólicas, aftas e hemorróidas. Estudos científicos estão sendo conduzidos visando a utilização do sebo no tratamento da malária e da doença-de-chagas. 

Estudos etnofarmacológicos desta espécie demonstra seu uso para tratamento de doenças bacterianas. A resina da casca é utilizada na medicina popular para o tratamento de erisipelas e o chá das folhas é indicado em cólicas, dispepsia e processos inflamatórios e as folhas são usadas, por inalação, para o tratamento da malária. Foi detectada na seiva a atividade gastroprotetora atribuída a presença de flavonóides.

No Estado de Roraima, esta espécie é usada pela população local para combater o câncer, infecções, ajudar as mulheres a engravidar, sendo bastante comercializado seu látex em garrafas ou as garrafadas prontas.

Em sua composição química V. surinamensis apresenta várias classes de substâncias como alcalóides, lignanas e neolignanas. Neolignanas do tipo 8.O.4´ apresentam potente atividade antimalárica. Atualmente mais de 450 lignanas e neolignanas, com mais de quarenta tipos diferentes de esqueletos carbônicos, são descritos na literatura. Estudos com este grupo de substâncias mostraram importantes propriedades biológicas. 

Um trabalho foi conduzido para isolar e identificar neolignanas para serem avaliadas nos ensaios antimaláricos. Do extrato acetato de etila das folhas de V. surinamensis, foram isoladas três substâncias das quais uma foi identificada como a neolignana do tipo 8.8’ (S1), inédita como produto natural.

As sementes de ucuuba são compostas por uma massa branca, marmorizada de amarelo com alto ponto de fusão, denominada manteiga ou sebo de ucuuba, possuem um formato arredondado, pesam de 1 a 3 gramas e são revestidas por uma casca frágil, não aderente e relativamente fina. 

Composição do ácido graxo (gordo) e dados físico-quimicos
A manteiga de ucuuba tem um alto ponto de fusão (53°C) e valor de saponificação (220 mg KOH g/óleo), o que ultrapassa os valores de sebo de vaca (que variam entre 43-45°C e 200 mg KOH/g ), isso faz da manteiga de ucuuba uma matéria-prima ideal que pode substituir o sebo animal na produção de sabonetes finos, bem como substituir outras substâncias gordurosas nas indústrias alimentícias e farmacêuticas que precisam de um alto ponto de fusão.

A substituição da gordura animal pela manteiga vegetal de ucuuba resolve o problema da contaminação do produto a partir da utilização de sebo animal e ainda resulta num sabão de maior consistência e durabilidade. O seu emprego é perfeitamente viável apesar de ser mais caro do que o sebo animal .

As sementes são ricas em gordura (60% - 70% ) e 70 % de gordura é composta de trimiristina, um triglicérido de ácido mirístico, um óleo essencial aromático importante para as indústrias de cosméticos, farmacêuticos e alimentares. Atualmente este óleo essencial é extraído da noz-moscada, que tem uma concentração de cerca de 80% deste triglicéridos.

Outros usos

A madeira leve possui textura média, grã regular, superfície áspera e grosseira, alburno de coloração creme-claro e cerne mais escuro, levemente rosado até castanho-vermelho intenso. É empregada em construção de interiores, carpintaria, marcenaria e na fabricação de caixas, palitos de fósforo, laminados, compensados, celulose e papel. Como consequência do processo industrial, a madeira permite o uso dos resíduos de produção na confecção de papéis tipo Kraft de boa qualidade.

O óleo extraído das sementes (sebo de ucuuba), rico em trimiristina e de odor agradável, pode ser usado na fabricação de velas, sabões, cosméticos e perfumes. O elevado conteúdo de óleo das sementes (60 a 73%) deu origem ao nome "ucuuba", que significa árvore que produz substância gordurosa. 

Ecologia
A árvore fornece abundante quantidade de frutos para aves e outros animais silvestres, portanto útil na recomposição de áreas degradadas e de preservação.

Interações do farmacógeno (sementes) com medicamentos [1]

  • Antipsicóticos. Resultado: efeito potencial de toxicidade sobre o Sistema Nervoso Central. Pode ocorrer aumento dos sintomas psicóticos. 
  • Substratos do CP 1A / 2B1 / 2B2. Resultado: o uso associado poderia interferir na biotransformação dos fármacos substratos desses sistemas. 

 Colaboração

  • Rosane Maria Salvi, Médica (Porto Alegre, RS), 2009.
  • Eliane, Diefenthaeler Heuser, Bióloga (Porto Alegre, RS), 2009. 

 Referências

  1. SALVI, R.M.; HEUSER E. D. Interações medicamentos x fitoterápicos: em busca de uma prescrição racional. EDIPUCRS, Porto Alegre (RS). 2008.
  2. Distribuição geográfica de mucuíba (Virola surinamensis (Rol. ex Rottb.) Warb) no Estado de Roraima - Acesso em 5/1/2015
  3. Estudo das característica da ucuuba (Virola surinamensis) e do inajá (Maximiliana regia) com vistas a produção de biodiesel - Acesso em 5/1/2015
  4. SBPC: Avaliação da atividade do extrato aquoso da Virola surinamensis (Rol) Warb - Acesso em 5/1/2015
  5. Neolignana 8.8´ das folhas de Virola surinamensis (Rol.) Warb - Acesso em 5/1/2015
  6. Museu Emílio Goeldi: Virola surinamensis (Rol. ex Rottb.) Warb. (Myristicaceae): aspectos morfológicos do fruto, semente, germinação e plântula - Acesso em 5/1/2015
  7. Amazon Oil Industry - Acesso em 5/1/2015
  8. Imagem: Smithsonian Tropical Research Institute (Author: Steven Paton); Cultura Mix - Acesso em 5/1/2015
  9. The Plant List - Acesso em 5/1/2015

GOOGLE IMAGES de Virola surinamensis - Acesso em 5/1/2015

Galeria: