Travesseiro de ervas aromáticas

Um pouco de história

Há séculos, a fragrância de ervas é colocada em travesseiros e sachês aromáticos para purificar e aromatizar a casa. Eles eram conhecidos pelas mães européias preocupadas em embalar sua prole num sono tranquilo, também conhecidos  por pessoas que procuravam alivio da dor de cabeça ou depressão, e por pessoas solitárias que ansiavam encontrar o verdadeiro amor. As ervas eram costuradas dentro dos travesseiros e estes eram colocados na cabeceira da cama ou entre as roupas de cama. Com frequência seu perfume era levado pelas portas abertas e janelas onde eram cuidadosamente pendurados.

Durante a era medieval, travesseiros de ervas e sachês eram na realidade, mais a necessidade do que mera decoração extravagante. Eles serviam para ocultar as consequências das condições sanitárias que eram precárias na época, quando ar fresco era considerado potencialmente perigoso.

 

Composição da mistura de ervas

Os travesseiros de ervas são confeccionados colocando ervas secas dentro de um tecido quadrangular ou saco e depois costurados mas, sem fixador, seu aroma é de curta duração. Várias ervas perdem grande parte de seu aroma original quando secas. O adorável perfume de rosas, por exemplo, diminui consideravelmente depois de secas.

Os fixadores auxiliam a reter e desenvolver a combinação da fragrância das ervas utilizadas para fazer uma miscelânea, a matéria-prima para elaborar os travesseiros de ervas.

Tradicionalmente eram usados fixadores animais como âmbar-cinzento (âmbar de baleia), civeta e almíscar.
O âmbar cinzento é uma secreção obtida dos intestinos de baleia cachalote, a civeta de gatos selvagens africanos e o almíscar (perfume obtido a partir de uma substância de forte odor, secretada por uma glândula do cervo-almiscarado, de outros animais e também de algumas plantas de odor similar) da cervo-almiscarado  da Ásia Central.

Esses extratos estão disponíveis em sua forma sintética, um produto igualmente apropriado, porém, mais consciente à preservação da natureza.

A raiz de lírio e o beijoim são plantas fixadoras adequadas e possuem grande disponibilidade. A raiz de lírio é obtida pela desidratação ao sol e pelo descascamento da raiz fresca do lírio fiorentino. Depois de desidratada, a raiz é armazenada por 2 anos para se obter o perfume delicado de violeta. Ela é obtida moída.

Já o beijoim, antes conhecido como benjamin ou Java frankincense, é uma borracha extraída do benjoeiro nativo de Java e de Sião. Ele é também usado em incensos.

As especiarias acrescentam um aroma interessante à mistura e também atua como fixador. A canela é derivada de uma árvore chamada Cinnamomum zeylanicum, cultivada na China, Índia e Índias Orientais e os paus de canela, obtidos da casca interna de uma árvore jovem, devem ser adicionados à mistura de essências do travesseiro de ervas.

O sândalo (Santalum album), nativo da costa indiana, é outro aditivo interessante. Desde os tempos antigos a madeira dessa árvore era utilizada para confeccionar ventiladores, instrumentos musicais e para revestir os guarda-roupas, repelindo traças. Suas lascas e raspas são as mais apropriadas para utilizar no travesseiro.

A casca de mirra (Commiphora myrrha) era vista como um valioso agente de embalsamento no Egito e como perfume pelos Hebreus antigos. Ela em sua forma em pó é essencial para a mistura de ervas do travesseiro. A casca de sua árvore produz uma borracha de gosto amargo que era usado  para curar dor de garganta. 

Outras ervas podem ser colocadas no travesseiro de ervas, a depender da finalidade que se destinam. Abaixo algumas espécies de acordo com sua finalidade:

  • Estimulante: alecrim, alfazema, hortelã-pimenta, manjerona, salvia, erva-luíza;
  • Expectorante: cidreira, eucalipto, hortelã, hortelã-pimenta, sálvia, poejo, manjericão, guaco, erva-luíza, macela; 
  • Calmante: capim cidró, melissa, maçanilha, louro, anis;
  • Cura da depressão: lavanda;
  • Para memória: alecrim, louro;
  • Para evitar pesadelos: alecrim, anis;
  • Alívio de dores de cabeça: flor de sabugueiro.

Uma vez preparada a mistura de ervas, deve-se armazená-la longe de calor direto e da luz do sol em jarras de vidro herméticas ou latas para se obter aromas inebriantes.

Material do travesseiro

Vários materiais são apropriados para a fronha do travesseiro tais como veludo, seda e chita.

Uma camada de  algodão ou musselina (tecido leve e transparente, usado na fabricação de roupas) deve ser colocada uniformemente dos dois lados do tecido quadrangular. Nessa camada, a mistura de ervas deve ser colocada e então outra camada de algodão ou musselina é colocada para preencher o topo do travesseiro.

As camadas de algodão ou musselina trazem maciez e fazem com que as ervas não se agrupem num único canto do travesseiro.

Outra dica para evitar essa concentração das ervas em um dos cantos é dar alguns pontos manualmente pelas camadas até que os pontos estejam bem fechados, ou ainda passar na máquina de costura.

A decoração pode ser feita com laços, botões, faixas ou flores sempre-vivas e dão um toque pessoal no acabamento. Isso ajuda a ter bons sonhos.

Referências