Seriguela

Nome científico: 
Spondias purpurea L.
Sinonímia científica: 
Warmingia pauciflora Engl.
Família: 
Anacardiaceae
Partes usadas: 
Fruto. goma-resina, folha, casca.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Umidade, cinzas, proteína, gordura, fibra, minerais (cálcio, fósforo, ferro), vitaminas (B1, B2, B3, C, caroteno).
Propriedade terapêutica: 
Antibacteriana, diurético, antiespasmódico, febrífugo,
Indicação terapêutica: 
Dores de cabeça e garganta, constipação, disenteria, diarreia, cortes, feridas, queimaduras, sarna, úlceras, estomatite, icterícia.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: red mombin
  • Alemão: rote mombinpflaume
  • Espanhol: jocote

Origem
América do Sul e América Central.

Descrição
Árvore atinge geralmente 8 m de altura, copa baixa, rastejante. Folhas compostas, lisas de coloração verde intenso. Flores pequenas, alvas.

O fruto é do tipo drupa, alongado, vermelho, roxo, às vezes amarelo, de 3 a 3,5 cm de comprimento, de elipsóide a ovoide, com listras e manchas amarelas. A polpa, amarela e aromática, envolve uma semente. A frutificação ocorre durante o ano todo no Nordeste brasileiro. Propaga-se por semente [5].

O fruto é comestível, tem qualidade nutritiva, aroma e sabor agradáveis. 

Dá-se o nome de seriguela ao fruto e serigueleira à árvore. A árvore é comum no semi-árido nordestino. Trata-se de espécie de grande capacidade adaptativa por ser tolerante ao calor e à seca. Devido sua excelente qualidade organoléptica, o fruto é muito apreciado tanto in natura ou processado na forma de polpa, suco, doce, néctar e sorvete.

Uso popular e medicinal
O fruto possui em suas cascas compostos fenólicos com comprovada atividade biológica, incluindo flavonoides. Esses compostos geralmente apresentam ação fotoprotetora, pois são capazes de absorver raios na região ultravioleta (200 - 400 nm).

Um estudo avaliou o potencial fotoprotetor, a atividade antioxidante, quantificação dos fenólicos e flavonoides totais e a caracterização química do extrato das cascas de S. purpurea, para utilizar em formulações cosméticas. Segundo os autores, a análise por CLAE-ESI-EMn possibilitou caracterizar compostos como o ácido cafeico glicosilado, HHDP-galoil-glicose, a rutina e quercetina [3].

As sementes têm um revestimento de goma (ou resina) espessa comumente usada em carnes de porco e ensopados de pimentão. Esta goma tem boa solubilidade em água e na hidrólise produz polissacarídeo. Ácido aspártico e valina são os principais aminoácidos. No Haiti relata-se uma série de usos medicinais desta árvore. Para as glândulas inchadas e trauma o suco da folha é tomado por via oral. Para dores de cabeça, as folhas trituradas são aplicadas em banho na cabeça. O fruto é consumido em grande quantidade para curar a constipação. Disenteria e diarréia são outras indicações tratadas com preparados desta planta.

Partes da árvore servem como remédio herbal para dor de garganta. As folhas exibem propriedade antibacteriana. Alguns cosméticos e produtos de higiene (sabonetes) são fabricados a partir de partes desta árvore [4].

No México os frutos são usados como diurético e antiespasmódico. A decocção da fruta serve para banhar feridas em geral e curar feridas na boca. Um xarope preparado com o fruto ajuda a superar a diarreia crônica. A ação adstringente da decocção da casca é remédio para sarna, úlceras, disenteria e para o inchaço causado por gases intestinais em crianças. Nas Filipinas, a seiva da casca é usada para tratar estomatite em lactentes.

O suco das folhas frescas é um remédio para aftas. Uma decocção das folhas e da casca é empregada como antipirético (febrífugo). No sudoeste da Nigéria, uma infusão de folhas trituradas é útil para lavar cortes, feridas e queimaduras. Pesquisadores da Universidade de Ifé descobriram que um extrato aquoso das folhas tem ação antibacteriana e um extrato alcoólico é ainda mais eficaz. A goma-resina da árvore é misturada com abacaxi ou suco de graviola para o tratamento de icterícia. A maioria dos outros usos indicam que as frutas, folhas e casca são muito ricas em tanino [1].

Valor nutricional por 100 g da porção comestível [1]

Principais Minerais Vitaminas
Umidade g 65.9 - 86.6g Cálcio mg 6.1 - 23.9 Vitamina C mg 26.4 - 73.0
Cinzas g 0.47 - 1.13 Fósforo mg 31.5 - 55.7 Niacina mg 0.014 - 0.049
Proteína g 0.096 - 0.261 Ferro mg 0.09 - 1.22 Caroteno mg  0.004 - 0.089 
Gordura g 0.03 - 0.17     Tiamina mg 0.033 - 0.103 
Fibra alimentar g 0.2 - 0.6     Riboflavina mg 0.014 - 0.049
Aminoácidos (mg por g nitrogênio [N = 6.25])
Lisina mg  316 
Metionina mg 178
Treonina mg 219
Triptofano mg 57

 Referências

  1. Purdue University (Center for New Crops & Plant Products): Purple mombin - Acesso em 13 de setembro de 2015
  2. The Virtual Botanic Garden (VIRBOGA, 2015): Spondias purpurea - Acesso em 13 de setembro de 2015
  3. XXIII Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil (Universidade Federal de Goiás, 2014): Avaliação da atividade fotoprotetora, atividade antioxidante e caracterização química por CLAE-ESI-EMn dos frutos de Spondia purpurea
  4. World Agroforestry Centre (2009): Spondia purpurea - Acesso em 13 de setembro de 2015
  5. SILVA, S.; TASSARA, H. Frutas Brasil. Empresa das Artes, São Paulo (SP), 2005.
  6. Imagem: Wikimedia Commons (Autor: Fábio Barros) - Acesso em 13 de setembro de 2015
  7. The Plant List: Spondias purpurea - Acesso em 13 de setembro de 2015

GOOGLE IMAGES de Spondias purpurea - Acesso em 13 de setembro de 2015

Galeria: