Samaúma

Nome científico: 
Ceiba pentandra (L.) Gaertn.
Sinonímia científica: 
Eriodendron anfractuosum var. guianense Sagot
Família: 
Malvaceae
Partes usadas: 
Raiz, casca da haste, folha, seiva da folha, fruto em pó.
Propriedade terapêutica: 
Emética, antiespasmódica, estimulante, anti-helmíntica, adstringente, emoliente.
Indicação terapêutica: 
Lepra, diarreia, disenteria, acelerar o parto, dismenorreia, hipertensão, hérnia, gonorreia, problemas cardíacos, edema, febre, asma, raquitismo.

 Esta espécie é considerada planta alimentícia não convencional.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: silk-cotton tree, ceiba, god tree, Java cotton, java kapok, kapok
  • Francês: arbre a boure, arbre á coton, arbre à kapok, cotonnier faux, faux kapokier, fromager

Origem
Trópicos americanos, área que inclui o sul dos EUA, o litoral atlântico da América Central, as ilhas do Caribe e o norte da América do Sul). Nativa da África Ocidental e Central.

Descrição [3,4]
Caracteriza-se como planta aculeada de 30 a 40 m de altura, com tronco dotado de sapopemas basais de 80-160 cm de diâmetro. Folhas compostas, 5-7 digitadas, sustentadas por pecíolo de 28 cm, de folíolos glabros na página superior e pálidos na inferior. 

A madeira é leve e macia, de baixa durabilidade natural. Floresce durante os meses de agosto a setembro com a árvore quase totalmente despida de folhagem. Os frutos amadurecem em outubro/novembro, de onde se extraem as sementes, que são envoltas por uma pluma, denominada kapok, muito utilizada industrialmente para confecção de bóias e salva-vidas, para enchimento de colchões e travesseiros e como isolante térmico. 

Uso popular e medicinal [2]
Sumaúma tem ampla aplicação na medicina tradicional africana. A raiz faz parte de preparações para tratar a lepra. As raízes pulverizadas e as decocções radiculares são tomadas contra diarreia e disenteria. Decocções de raízes são oxitócicas (acelera o parto). Macerações da casca da raiz são bebidas contra dismenorreia e hipertensão. 

As cascas da raiz e haste são tidas como eméticas e antiespasmódicas. Decocções da casca do caule são usadas em lavagens bucais para tratar problemas de dor de dente e boca, e ingeridas para tratar problemas de estômago, diarreia, hérnia, gonorreia, problemas cardíacos, edema, febre, asma e raquitismo. São também aplicadas em dedos inchados, feridas, furúnculos e máculas leprosas. 

Extratos da casca são considerados eméticos, são bebidos ou aplicados como um enema. As macerações da casca servem para problemas cardíacos e hipertensão, são creditadas com propriedades estimulantes e anti-helmínticas. A casca em pó é aplicada em feridas. A goma da casca é um adstringente usado para tratar diarreia e como abortivo. 

As folhas têm propriedades emoliente e sedativa sendo indicadas contra a sarna, diarreia, fadiga e lumbago. Folhas jovens são aquecidas e misturadas com óleo de palma para consumo contra problemas cardíacos. Folhas picadas são aplicadas como um curativo de feridas, tumores e abscessos. 

A seiva da folha é aplicada em infecções de pele e ingerida para tratar doenças mentais. As macerações das folhas são ingeridas ou usadas em banhos contra fadiga geral, rigidez dos membros, dor de cabeça e sangramento de mulheres grávidas. 

Preparações de folhas servem como um banho de olhos, para remover os corpos estranhos dos olhos. 

A decocção das folhas é aplicada para tratar conjuntivite e feridas nos olhos e também usada em banhos e massagens para tratar a febre. Na medicina veterinária, uma decocção das folhas é administrada para tratar a tripanossomíase. As flores são tomadas para tratar constipação, e flores e frutas são creditadas com propriedades emolientes. 

O fruto em pó é tomado com água contra parasitas intestinais e dor de estômago. A fibra serve para limpar feridas. O óleo da semente é esfregado para tratamento de reumatismo e aplicado para curar feridas.

 Culinária [1]

Bolinho de folhasColha apenas os ramos terminais jovens e retire as folhas bem tenras (verde-avermelhadas). Lave e pique fininho. Bata 4 ovos, sal e temperos (orégano, alho, pimenta) a gosto e 12 colheres (sopa) de farinha de trigo. Incorpore várias folhas picadas à massa e misture bem. Frite em óleo bem quente. Escorra em papel toalha e sirva quente. 

Folhas refogadasColha e processe as folhas como descrito acima. Refogue com adição de uma pitada de bicarbonato de sódio para amenizar a alteração da coloração. Doure os temperos (alho, cebola, orégano) e sal a gosto na manteiga ou azeite. Adicione as folhas picadas, mexa, tampe e deixe cozinhar sempre em fogo baixo por alguns minutos até murchar. Sirva quente, pura ou com farofa. 

Sopa com acari-bodóUse filés de acari-bodó, cascudo ou outro peixe ou carne. Tempere com sal, limão, alho e pimenta a gosto. Refogue na manteiga em fogo baixo até dourar, virando para dourar por igual. Acrescente água fervente e cozinhe bem. Quando estiver macio jogue uma boa quantidade de folhas finamente picadas. Deixe cozinhar rapidamente e sirva quente.

Outros usos [2]
Samaúma tem importância histórica como fonte de fibra extraída da parede interna da fruta. Serve para encher almofadas, colchões, como material de isolamento (acústico, térmico) e absorvente. O uso da fibra diminuiu no final do século XX após a introdução de substitutos sintéticos. No entanto, há um interesse renovado nessas filbras devido a novas técnicas de processamento, especialmente em aplicações têxteis e também como uma alternativa biodegradável aos materiais sintéticos, devido às suas propriedades hidrofóbicas-oleofílicas (aversão a água e afinidade com óleo).

O uso atual principal de C.pentandra é como fonte de madeira para marcenaria leve, instrumentos musicais, argamassas, esculturas e itens semelhantes. A madeira é adequada para fabricação de papel. A cinza da madeira é usada como sal de cozinha e para fabricação de sabão. Folhas e rebentos são forragens para cabras, ovelhas e gado. As flores são visitadas por abelhas.

Há interesse comercial no óleo da semente, já usado em sabão, produtos farmacêuticos, iluminação, fabricação de tinta e lubrificação. 

 Referências

  1. KINUPP, V. F; LORENZI, H. Plantas alimentícias não convencionias no Brasil. Instituto Plantarum de Estudos da Flora, Nova Odessa (SP), 2014. - Acesso em 3 de setembro de 2017
  2. Plant Resources of Tropical Africa (PROTA4U): Ceiba pentandra - Acesso em 3 de setembro de 2017
  3. LORENZI, H. Árvores Brasileiras: Manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa, Plantaram, 1992. 352p.
  4. PIO CORRÊA, M. & PENNA, L. A. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, SIA, IBDF, 1926-1978. 6 vols.
  5. Imagem: © Sigrist SR 2017. Local: Parque da USP/ESALQ (Piracicaba, SP).
  6. The Plant List: Ceiba pentandra - Acesso em 3 de setembro de 2017

GOOGLE IMAGES de Ceiba pentandra - Acesso em 3 de setembro de 2017

Galeria: