Sacaca

Nome científico: 
Croton cajucara Benth.
Sinonímia científica: 
Oxydectes cajucara (Benth.) Kuntze
Família: 
Euphorbiaceae
Partes usadas: 
Folha, casca do caule.
Princípio ativo: 
Nas folhas: esteroides, flavonoides, aminoácidos. Casca: clerodanos diterpenos (trans-desidrocrotonina, trans-crotonina, cis-cajucara B, trans-cajurina B, cajurina A e outros) e o triterpeno ácido acetilaleuritólico.
Propriedade terapêutica: 
Anti-inflamatória, analgésica, antitumoral, antiúlcera, hipoglicemiante, hipolipidêmica, antioxidante, antimutagênica, antitumoral, antiulcerogênica, antiespasmódica, anti-inflamatória, antinociceptiva
Indicação terapêutica: 
Desordens gastrointestinais, inflamação do fígado, distúrbios hepáticos, baixar colesterol, diabete, doença de Chagas.

Origem
Espécie nativa do Brasil. Distribui-se na Região Amazônica principalmente nos Estados do Pará e Amapá. No Estado do Amazonas é encontrada em plantações cultivadas.

Descrição [3]
Sacaca é uma árvore que atinge de 6 a 10 m de altura, casca pulverulenta, folhas alternas, lanceoladas, exala cheiro agradável. Folhas alternas, simples, subcoriáceas, lisas na superficie superior, de 7 a 16 cm de comprimento.

Inflorescência em racemos terminais com 9 cm de comprimento, apresenta-se com flores femininas e masculinas de cor amarela. Frutos são cápsulas globosas de aproximadamente 1 cm de comprimento. 

É resistente a pragas e não necessita de solos ricos, adaptando-se bem até em solos de argila. Multiplica-se por sementes. A colheita da sacaca consiste na extração das folhas da arvore, normalmente realizada a cada três meses.

Uso popular e medicinal [1,2]

Sacaca tem tradição de uso na medicina popular. São utilizadas pela população a casca e as folhas na forma de infuso, óleo, cápsulas, pílulas e extratos para doenças incluindo diarreia, diabetes, desordens gastrointestinais e inflamação do fígado. Cientificamente foi comprovado efeito terapêutico das cascas do caule de C. cajucara, espécie que detém grande número de publicações.

Análise fitoquímica do extrato da casca revelou a presença de clerodanos diterpenos como trans-desidrocrotonina, trans-crotonina, cis-cajucara B, trans-cajurina B, cajurina A, cajucarinolida, isocajucarinolida, isosacacarina e o triterpeno ácido acetilaleuritólico (AAA). 

Nas folhas detectou-se esteróides, flavonóides e aminoácidos como os mais representativos.

O composto 19-nor-clerodânico trans-desidrocrotonina (t-DCTN) é o principal componente de extratos da casca de indivíduos adultos de C. cajucara, sendo diretamente correlacionado com os efeitos terapêuticos popularmente atribuídos ao vegetal. 

Estudos farmacológicos de t-DCTN demonstraram que o composto possui atividades anti-inflamatória, analgésica, antitumoral, antiúlcera, hipoglicemiante, hipolipidêmica e antioxidante. Demonstra ainda ter atividade antimutagênica e não induzir efeitos clastogênico (quebra de cromossomos), anticlastogênico, apoptótico (morte celular programada) e citotóxico, sugerindo que o consumo deste fitoterápico por parte da população é seguro e pode estimular a indústria farmacêutica a desenvolver produtos derivados de C. cajucara.

AAA, o principal componente da casca do caule em plantas com até 18 meses de idade, exibe atividades antitumoral, antiulcerogênica, antiespasmódica, anti-inflamatória e antinociceptiva (anula ou reduz a percepção e transmissão de estímulos que causam a dor). AAA também foi descrito como um agente bactericida e antifilariose (filariose ou elefantíase é uma doença causada por vermes nematóides, as "filárias") em concentrações que mostraram ser não tóxica para células de mamíferos.

Nas últimas décadas tem havido um interesse crescente no uso terapêutico de produtos naturais para o tratamento da Doença de Chagas, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi. Um estudo avaliou a atividade tripanossomicida do extrato bruto e isolados terpenos de C. cajucara usando diferentes populações de T. cruzi [1].

Cuidado

Tem sido observado na prática clínica efeitos colaterais (hepatoxicidade) do Croton cajucara. Deve-se atentar para o desenvolvimento de hepatite pelo uso crônico de sacaca. Existe relato de óbito de paciente [4].

 Referências

  1. Springer-Verlag: Croton cajucara crude extract and isolated terpenes: activity on Trypanosoma cruzi - Acesso em 18/1/2015
  2. Congresso Brasileiro de Química 2014: Progresso biotecnológico da espécie medicinal Croton cajucara Benth - Acesso em 18/1/2015
  3. Universidade Federal do RGS: Croton cajucara Benth - Avaliação do potencial antioxidante - Acesso em 18/1/2015
  4. Biblioteca Virtual em Saúde: Revisão crítica do uso da Sacaca (Croton cajucara, Benth) como fitoterápico - Acesso em 18/1/2015
  5. Scientific American: Plantas que trazem alívio - Acesso em 28/1/2015
  6. The Plant List - Acesso em 18/1/2015

GOOGLE IMAGES de Croton cajucara - Acesso em 18/1/2015

Galeria: