Sabugueiro

Nome científico: 
Sambucus nigra L.
Sinonímia científica: 
Sambucus graveolens Willd.
Família: 
Adoxaceae
Partes usadas: 
Folha, raiz, casca, baga, flor.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Glicósido samburigina-amigdalina, benzaldeído, ácido cianídrico, óleo essencial, éter.
Propriedade terapêutica: 
Depurativo, diaforético.
Indicação terapêutica: 
Provoca suor nas gripes, sarampo e varíola. Elimina ácido úrico, cálculos renais, toxinas em geral, depurador do sangue. Excelente contra diarreia.

Formulário de Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira
Sabugueiro tem uso científico comprovado como diaforético (faz suar).

Nome em outros idiomas

  • Inglês: elder, elderberry, black elder, european elder, european black elderberry
  • Espanhol: baya del saúco, negro viejo, anciano europeo, europeo saúco, europeo negro

Origem
​Originária da Europa, Ásia e norte da África. No Brasil é cultivada no Estado do Rio Grande do Sul, onde existe uma espécie nativa de sabugueiro muito semelhante ao europeu Sambucus australis, também considerada medicinal com as mesmas indicações.

Descrição
Arbusto de 3 a 6 m de altura. Os frutos são bagas de cor negra, violeta, redondas, com duas sementes ovais. Se forem guardadas, as flores devem ficar isoladas do ar devido ao apodrecimento acelerado, pois absorvem umidade com facilidade.

Uso popular e medicinal
Provoca suor nas gripes, sarampo e varíola. Elimina ácido úrico, cálculos renais, toxinas em geral, depurador do sangue.

Tem efeito diaforético pois atua nos casos de febres de origem desconhecida, fazendo com que seja abortada. Por exemplo: catapora e sarampo, doenças que custam a vir a infecção. A planta expulsa a infecção do sangue.

Indicada para resfriamentos, rouquidão, tosse, espirros, catarros do peito e bronquial, dores dos molares, nevralgias, dores de ouvidos e de cabeça e inflamação da laringe e da garganta. Pelo elevado teor de vitamina B o suco (das bagas) age com êxito contra as inflamações do sistema nervoso.

As bagas secas são excelentes contra a diarreia (mastigar 10 bagas - frutos, 3 vezes por dia). Para efeito sudorífero usam-se as flores. Misturar uma metade de flor de tília e duas colherinhas de suco de limão, tudo sob infusão, desta forma o poder sudorífero (suar mais) aumenta. Para casos de gripe, pneumonias incipientes, bronquite, reumatismo articular febril, etc., tomar a infusão várias vezes por dia.

Nas folhas são encontrados glicósido samburigina-amigdalina, benzaldeído, ácido cianídrico, pequenas quantidades de amigdalina, saponinas, um óleo essencial e éter.

Na casca encontra-se uma resina de efeito drástico e nas bagas pretas tirosinas com abundância de vitamina A, D e C. São ricas em vitaminas B mais que qualquer outra variedade. As bagas também contêm ácidos málico, tartárico, valeriânico, tânico, óleo essencial, samburigina-amigdalina, solina, resinas, hidratos de carbono, glicose e um pouco de albumina.

 Dosagem indicada
Diaforético (preparar por infusão, uso interno). Componentes: flores secas (3 g); água q.s.p. (150 mL). Modo de uso: acima de 12 anos, tomar 150 mL do infuso, 5 minutos após o preparo, 2 a 3 vezes ao dia. Advertência: doses acima das recomendadas podem causar hipocalemia. Não usar folhas pois contêm glicosídeos cianogênicos tóxicos
[1].

Expulsão de água, melhorar a secreção de sucos gástricosCozinhar folhas, raízes e cascas frescas e verdes que se encontram debaixo da casca exterior. Devido às características depurativa do sangue, usam-se as bagas, tomando xarope para limpeza do sangue, o que também limpará todos os órgãos restantes.

Catarro gástrico crônico, doenças de urina e hidropsiaDose: uma xícara (com uma colher de sopa cheia de infusão) diariamente.

Cosmética
A infusão de sabugueiro é usada na cosmética para clarear e amaciar a pele, em cremes contra rugas, loções tônicas e loções para os olhos.

Creme de proteção (receita): 4 colheres de sopa de vaselina e dois punhados de flores frescas de sabugueiro. Derreter a vaselina em fogo brando e juntar as flores de sabugeiro. Deixar macerar durante 45 minutos, derretendo a vaselina sempre que esta se solidificar. Aquecer e coar com uma peneira passando para um frasco com tampa de rosca. Deixar esfriar e fechar.

 Culinária européia
​As bagas azuis escuras/roxas podem ser comidas quando estiverem bem maduras, mas cuidado pois são ligeiramente venenosas quando verdes. 

As partes esverdeadas da planta são venenosas, contendo glicósidos cianogênicos.

As bagas são comestíveis depois de cozidas e podem ser usadas para fazer geléias, gelatinas, chutney e molho Pontack. Esse molho é uma receita britânica tradicional, normalmente servido com pato e caça.  

As cabeças das flores são comumente usadas em infusões, resultando em um típico drinque refrescante no norte da Europa e nos Balcãs.

Comercialmente são vendidos na europa uma bebida estimulante conhecida como Elderflower cordial. Com as flores de sabugueiro são feitos xaropes que são diluidos em água antes de beber. A popularidade dessa bebida tradicional foi estimulada por produtores de refrigerante que introduziram no mercado bebidas de flores de sabugueiro aromatizadas (Fanta Shokata, Freaky Fläder).

As flores também podem ser colocadas numa massa batida para preparar bolinhos fritos.

Na Escandinávia e na Alemanha a sopa feita da baga do sabugueiro (Fliederbeersuppe) é um prato tradicional.

Com flores e bagas pode ser preparado o vinho de sabugueiro. Na Húngria faz-se um conhaque de baga de sabugueiro com 50 kg da fruta para produzir 1 litro da bebida.

No sudoeste da Suécia é típico preparar licor instantâneo aromatizado com flores de sabugueiro. Também são utilizadas em licores como St. Germain e um champanhe espumante ligeiramente alcoólico.

Em Beerse (Bélgica) uma variedade de Jenever chamado Beers Vlierke é feito com as bagas. Jenever é um licor tradicional nos Países Baixos, a partir do qual evoluiu o gin.

 Contraindicação
O abuso da casca, raízes e folhas em grandes quantidades provocam vômitos.

 Colaboração

  • Rosa Lúcia Dutra Ramos, Bióloga, Porto Alegre (RS)
  • Luis Carlos Leme Franco, Médico, Curitiba (PR)

 Referência

  1. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), 1ª ed. 2011. 
  2. Schneider, E. A cura e a saúde pelos alimentos. Casa Publicadora Brasileira, Santo André (SP), 1984.
  3. Herbario Aquiléa - Acesso em 1/3/2015
  4. Wikipedia: Sambucus nigra - Acesso em 1/3/2015
  5. Imagem: Wikimedia Commons 1, 2Hans-Cees Speel - Acesso em 1/3/2015
  6. The Plant List: Sambucus nigra - Acesso em 1/3/2015

GOOGLE IMAGES de Sambucus nigra - Acesso em 1/3/2015

Galeria: