Ratânia

Nome científico: 
Krameria lappacea (Dombey) Burdet & B.B. Simpson
Sinonímia científica: 
Krameria triandra Ruiz & Pav.
Família: 
Krameriaceae
Partes usadas: 
Raiz em decocção, infusão ou extrato.
Princípio ativo: 
Alcalóide (ratanina), tanino.
Propriedade terapêutica: 
Adstringente, antisséptica, antidiarréica,
Indicação terapêutica: 
Corrimentos, leucorréia, hemorragias, diarréias, disenterias, afecções na boca e gengivas, suores nos pés e nas axilas, higiene bucal, aftas, inflamações da garganta, hemorróidas.

Esclarecimento

Em muitos trabalhos, a ratânia (Krameria lappacea) é citada como pertencente a família Polygalaceae, porém estamos adotando aqui a classificação APG2, que leva em conta as recentes descobertas e a coloca em sua própria família Krameriaceae.

As flores de Krameria lembram membros de Polygalaceae, talvez esse seja um motivo de confusão.

​Nome em outros idiomas

  • Inglês: rhatany root, rhatany, payta, Peruvian rhatany
  • Alemão: Ratanhia
  • Francês: ratania
  • Espanhol: mapato, ratania

Origem
Peru

Características
Arbusto de pequeno porte medindo até 80 cm de altura. Medra intensamente no Peru, estando aclimada no Brasil. Seu caule é recoberto por uma camada de pêlos sedosos e apresenta uma grande quantidade de ramos pubescentes,de cor cinza-claro.

As folhas são ovaladas, alternas, pontiagudas e rijas, com uma pelugem esbranquiçada na parte superior e verde pálida na inferior. As flores são dotadas de pedúnculos curtos, às vezes culminando com protetores de cor púrpura. Os frutos têm o formato de um peixe, apresentando pontas e contendo poucas sementes.

Uso na medicina caseira

Única parte da planta com propriedades medicinais, a raiz é utilizada sob diversas formas: decocção, infusão ou extrato.

De natureza lenhosa, a raiz apresenta ramificações de forma roliça. Foi muito usada por mulheres em Lima (Peru) como dentifrício no início do século XX, sendo chamada pelo botânico europeu Ruiz como a "raiz dos dentes". O uso da ratânia como auxiliar da saúde dentária é tradicional entre os povos indígenas da Bolívia, do Peru e do Equador há muito tempo. 

A raiz é rica em taninos, conferindo-lhe qualidades adstringentes, antissépticas e antidiarréicas, sendo que ingerida atua positivamente em problemas gastrointestinais como diarréias e disenteria. Dela se extrai goma, uma substância volátil odorífera e um alcalóide, a ratanina.

Estudos revelaram que a planta, utilizada na forma de bochechos e gargarejos, tem efeitos benéficos sobre a higiene bucal, combatendo sangramentos, afecções na boca, gengivas, aftas e inflamações da garganta.

É preparado com a ratânia um unguento considerado eficiente no tratamento de hemorróidas.

É um notável adstringente, apresentando uma ação hemostática positiva. É recomendado também no tratamento de corrimentos, leucorréia, hemorragias, diarréias, disenterias, suores nos pés e nas axilas.

Outras plantas da mesma espécie
Todas essas espécies pertencem à família Krameriaceae e apresentam os mesmos princípios ativos e características da ratânia:

  • Ratânia-do-Brasil (Krameria tomentosa A. St.-Hil.): medra na parte meridional do Brasil.
  • Ratânia-do-Brasil ou ratânia-da-terra (Krameria argentea Mart. ex Spreng.): originária do Brasil, medra principalmente nos estados da Bahia e Minas Gerais.
  • Ratânia-da-Nova-Granada (Krameria ixina L.): vegeta em alguns países da América do Sul. É tambem conhecida como Ratânia-das-Antilhas.
  • Ratânia-do-Texas (Krameria secundiflora Martius): originária da América do Norte.

 Colaboração

  • João Luiz Dias, arquiteto aposentado pelo Centro Federal de Ensino Tecnológico (CEFET/PA). Setembro de 2006.
  • Érika Alves Tavares Marques, Bióloga (Universidade Federal Rural de Pernambuco)

 Referências

​GOOGLE IMAGES de Krameria lappacea

Galeria: