Pepino-do-diabo

Nome científico: 
Ecballium elaterium (L.) A.Rich.
Sinonímia científica: 
Bryonia elaterium (L.) E.H.L.Krause
Família: 
Cucurbitaceae
Partes usadas: 
Raiz, fruto.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Cucurbitacina, elaterina, elatéridos, profetina, hidroclaretina, ácido ecbálico.
Propriedade terapêutica: 
Antimicrobiana, antifúngica, anti-inflamatória, analgésica, abortiva, antirreumática, purgativa.
Indicação terapêutica: 
Sinusite crônica, febre, câncer, distúrbios hepáticos, icterícia, constipação, hipertensão, hidropisia, doenças reumáticas e renais, problemas cardíacos.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: squirting cucumber, spitting cucumber

Origem
Europa (Mediterrâneo). Naturalizada na Grã-Bretanha ao longo da costa sul.

Descrição
É uma erva decumbente (o caule pende e se alastra sobre o solo), perene, limitada à Bacia do Mediterrâneo e cultivada na Europa Central e na Inglaterra.

A planta tem gavinhas peludas, as folhas são também peludas, palmada lobada. O fruto é ovoide parecido a um pequeno pepino, carnoso, com aproximadamente 4 cm de comprimento, cor verde pálido, coberto com numerosos pêlos glandulares uniseriados.

O fruto ejeta sementes escuras e um suco após a maturidade em resposta à leve pressão (vídeo).

Uso popular e medicinal
O extrato aquoso diluído dos frutos de E. elaterium é usado na região mediterrânea em diferentes sistemas medicinais como anti-inflamatório e analgésico para sinusite crônica. Outras indicações são tratamento da febre, câncer, distúrbios hepáticos, icterícia, constipação, hipertensão, hidropisia, doenças reumáticas e fungicida.

A cucurbitacina parece ser a responsável pelos principais efeitos farmacológicos e biológicos da planta. Devido ao forte sabor amargo, a cucurbitacina atua como agente purgativo estimulando a secreção gástrica. Foi constatado que diminui o dano da hepatite crônica e é responsável pelos efeitos antimicrobiano e antifúngico. Verificou-se que a atividade anti-inflamatória da cucurbitacina B isolada do suco de E. elaterium pode ser devido a uma modificação na produção de leucotrieno B4. Cucurbitacinas inibem a proliferação de células cancerosas através de vários mecanismos.

Um estudo mostrou que o extrato etanólico de frutos de E. elaterium tem atividade antimicrobiana contra Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), S. aureus sensível à meticilina (MSSA) e C. albicans. S. aureus (bactéria, ou superbactéria, muito comum em ambientes hospitalares) encontra-se com frequência na pele e nas fossas nasais de humanos. O extrato mostrou significativa diminuição nas concentrações inibitórias mínimas da penicilina contra as estirpes de MRSA e MSSA. Os autores sugerem que há uma possibilidade de uso simultâneo de penicilina e o extrato no tratamento de infecções causadas por cepas de MRSA e MSSA [1].

O suco do fruto é antirreumático, purgativo, indicado para problemas cardíacos. A planta é um purgante poderoso que causa a evacuação de água do intestino. É utilizada internamente no tratamento de edema associada a queixas renais, problemas cardíacos, reumatismo, paralisia e herpes (doença causada pelo vírus varicela-zoster, "cobreiro", caracterizada por erupções na pele e dor ao longo dos nervos sensoriais). Externamente tem sido utilizada para tratar sinusite e articulações dolorosas. A raiz contém um princípio analgésico [2].

Na composição química encontram-se verdadeiros repelentes naturais, que impedem a digestão das estruturas vegetativas da planta, não permitindo que seja alvo fácil ou apetecível para os potenciais predadores. Além da já citada cucurbitacina, elaterina (purgante) e elatéridos, profetina (glicósido que se obtém do fruto), hidroclaretina e ácido ecbálico são os principais compostos até hoje conhecidos deste vegetal [3].

 Atenção [2]
Deve ser usada com muita cautela e apenas sob a supervisão de um profissional qualificado. Existe relato de que doses excessivas causaram gastroenterite e morte. Não deve ser utilizada por mulheres grávidas, pois pode causar aborto.

Esta planta tem efeito violento sobre o corpo, por isso é pouco usada no herbalismo moderno. 

 Referências

  1. Asian Pacific Journal of Tropical Biomedicine (2011): Effect of ethanolic extract of Ecballium elaterium against Staphylococcus aureus and Candida albicans - Acesso em 13 de novembro de 2016
  2. Plants for a Future: Ecballium elaterium - Acesso em 13 de novembro de 2016
  3. Jardim Botânico da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD): Ecballium elaterium - Acesso em 13 de novembro de 2016
  4. Imagem: Wikimedia Commons (Author: Symac) - Acesso em 13 de novembro de 2016
  5. The Plant List: Ecballium elaterium - Acesso em 13 de novembro de 2016

GOOGLE IMAGES de Ecballium elaterium - Acesso em 13 de novembro de 2016

Galeria: