Pata-de-vaca

Nome científico: 
Bauhinia forficata Link
Família: 
Leguminosae
Sinonímia científica: 
Não há sinonímia segundo o sistema de classificação APG III.
Partes usadas: 
Folhas, flores, raízes, cascas do tronco.
Propriedade terapêutica: 
Purgativa, diurética, hipoglicêmica, antioxidante.
Indicação terapêutica: 
Problemas do aparelho urinário, diabetes, problemas renais, retenção de líquidos, colesterol, venendo de cobra.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: brazilian orchid tree

Origem
Sul do Brasil e nordeste da Argentina. Ocorre em r
egiões subtropicais em matas baixas, locais secos e declivosos ou cultivadas como ornamental e medicinal em ruas, cercas e beiras de matos.

Descrição [1]

Muitas plantas do gênero Bauhinia são popularmente conhecidas como pata-de-vaca: B. forficataB. rufaB. guianensis, B. variegata, B. galpinii, B. tomentosaB. purpurea.

As patas-de-vaca são plantas consagradas pelo uso popular e diversos estudos comprovaram sua eficácia.

B. forficata é a mais estudada como medicinal. Atinge cerca de 5 a 9 m de altura, possui flores brancas, pétalas lineares (longas em comprimento e curtas em largura) e folhas com formato parecido às marcas deixadas pelas patas de bovinos.

Caracteriza-se por espinhos pareados na base foliar (estípulas modificadas). Suas folhas apresentam ápices pontiagudos.

Uso popular e medicinal

O primeiro ensaio farmacológico dessa espécie ocorreu no início do século XX e atestou suas propriedades hipoglicêmicas. Seu uso combinado com outros medicamentos deve ser feito sob acompanhamento médico, uma vez que pode ocasionar hipoglicemia. Deve ser evitada por pessoas que apresentam distúrbios na coagulação sanguínea.

Através de análise qualitativa por cromatografia em camada delgada, foi evidenciado seu potencial antioxidante. Outros estudos verificaram que extratos aquosos de B. forficata são capazes de neutralizar a ação coagulante do veneno de jararacuçu (Bothrops jararacussu) e cascavel-de-quatro-ventas (Crotalus durissus) [1].

O chá de pata-de-vaca combate a diabetes promovendo no pâncreas a produção de mais insulina. Reduz o colesterol, é emagrecedor e diurético. Indicado também para problemas no fígado, intestino, estômago, rins, diarreias, impedindo o aparecimento de açúcar na urina, insuficiência urinária, prisão de ventre, nos casos de poliúria ou urina solta 

 Preparo e dosagem [2]

Indicações: hipogliceminante (antidiabético), purgativo e diurético, problemas do aparelho urinário. Partes usadas: folhas, flores e raízes e (ou cascas do tronco).

Diabetes (infusão). 2 xícaras de cafezinho da folha picada em ½ litro de água ou 1 folha picada por xícara de chá. Tomar 4 a 6 xícaras de chá ao dia. Não interromper a dieta específica para diabetes. 

Purgativo. Infusão das flores. 

: feito com cascas e folhas secas. Usar na forma de decocção, com 1 colher (sopa) em 150 ml de água (1 xícara). Tomar ½ a 1 xícara de chá ao dia.

Outros usos
Planta melífera. Pioneira e rústica, pode ser usada em recomposição florestal.

Cultivo

Variedades. Não são conhecidas. Existem outras espécies de Bauhinia africanas ou até nativas, sem espinhos, trepadeiras ou não de flores lilases e mesmo brancas, mas que não foram estudadas quanto à sua ação medicinal. É tratada aqui a B. candicans (um sinônimo de B. forficata subsp. pruinosa).

Clima. Subtropicais e temperados-brando. Resiste ao frio e aos calores do verão. Produz maior volume de folhas quando há maior distribuição de chuvas. É espécie pioneira (heliófita), mas pode ser plantada à meia-sombra.

Solos. Prefere os solos férteis, levemente úmidos e com bom teor de matéria orgânica. Pode ser plantada em várzea, encosta e locais pedregosos. Nos solos fracos seu desenvolvimento é lentro, o caule fino e ramos espinhentos em demasia.

Propagação. Por sementes que a planta produz em grande quantidade. As sementes devem ser previamente tratadas com água quente e deixadas de molho por uma noite para facilitar a germinação. O nascimento é demorado e irregular. As mudas devem ficar no viveiro até que tenham 0,20 m a 0,40 m, mas não mais que isso devido a sua raiz principal que é longa e pivotante.

Plantio. É feito em linhas a 2,50 m - 3,00 m, deixando as mudas a 2,0 m – 2,5 m entre si na linha. O plantio deve ser feito no fim do verão, outono ou inicio do inverno.

Tratos culturais. Roçagens para manter o mato baixo na cultura. Capinas em coroa ao redor das mudas. Replantes, tutoramento e regas para manter um bom número de plantas por hectare.

Pragas e doenças. A praga mais preocupante é de gorgulhos, que atacam as sementes ainda nas vagens, inutilizando-as. Com isso escasseia o número de sementes para o  plantio.

Colheita. A colheita das folhas é feita no fim da primavera e início do verão, ou no início do outono, antes da desfolha. No verão as folhas estarão em flor sendo portanto desaconselhável cortar os ramos e no outono não há folhas para serem colhidas. As folhas devem ser colhidas livres de orvalho e levadas para secagem o mais rápido possível para não perderem a cor verde ou ficarem mofadas.

 Colaboração

  • Sérgio Antonio Barraca, estudante de graduação da ESALQ/USP, Piracicaba (SP), 1999.

 Referências

  1. DOMINGOS, A.H; CAPELLARI Jr., L. Plantas medicinais: patas-de-vaca. Série Produtor Rural, Piracicaba (ESALQ), 2016.
  2. ESALQ/USP (1999): Cultivo de horta medicinal - Acesso em 29 de maio de 2016
  3. CASTRO, L. O.; CHEMALE, V. M. Plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares – Descrição e Cultivo. Livraria e Editora Agropecuária, Guaíba (RS). 1995.
  4. Imagem: Flora RS (Autores: Eduardo L.H. Gihel, Daniel Grasel, Sergio Campestrini) - Acesso em 29 de maio de 2016
  5. Farmácia Homeopática Dias da Cruz - Acesso em 29 de maio de 2016
  6. Árvores do Brasil - Acesso em 29 de maio de 2016
  7. The Plant List: Bauhinia forficata - Acesso em 29 de maio de 2016

GOOGLE IMAGES de Bauhinia forficata - Acesso em 29 de maio de 2016

 

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