Parar de fumar e melhorar os pulmões, com plantas e outros meios!

Sugestões, dicas e orientações para deixar o vício de fumar... muito já se escreveu sobre isso.

A dependência ao fumo é um dos grandes males que afeta o ser humano. Desde muito jovens somos levados ao vício, movidos com certeza pela intensa propaganda que associa o cigarro a coisas glamourosas e conquistas. Quem não se lembra do “leve vantagem você também”?

Reconheça-se, o tema é delicado, mexe com a cabeça, além do que (e talvez por isso) é muito explorado nas mais diversas formas. Uma rápida consulta no Google traz à tona uma lista de autoajudas, algumas até bem apelativas:  

  • Dicas para ajudar quem você ama a parar de fumar, sem ser chato.
  • Pare de fumar ou seu dinheiro de volta.
  • Pare de fumar...fumando.
  • Duas simpatias e uma oração para quem quer parar de fumar.
  • Como parar de fumar e ainda continuar vivo.
  • Como parar de fumar sem emagrecer.
  • Deixe de fumar em 5 dias.
A essa profusão de sugestões, acrescente-se o objetivo deste texto, “meios para parar de fumar e melhorar os pulmões com apoio de ervas medicinais”, veja Nota ao lado. Aqui novamente, mais uma constatação: muito já se escreveu sobre isso também. Não acredito que exista pronta e infalível receita, mesmo por que a decisão de largar “a preferência nacional” é do fumante. Mas é importante partir de um pressuposto: acima de tudo, o tabagismo é uma dependência a todas as substâncias químicas presentes no cigarro além do próprio tabaco e da nicotina. A maioria das pessoas fuma por causa do nervosismo e ansiedade. E o cigarro deixa uma sensação de alívio temporário, “um raro prazer”, fazendo com que a pessoa pense em outras coisas. Portanto, para parar de fumar, é importante relaxar o corpo e a mente.

Nota

Esta matéria é uma adaptação do artigo publicado na OMTimes Magazin "Natural Ways to Stop Smoking & Heal Lung Tissue" ("Meios naturais de parar de fumar e restaurar o tecido do pulmão", em tradução literal), autoria do Dr. Paul Haider, reconhecido herbalista e orientador espiritual.

Uma extensa lista de espécies medicinais são citadas pelo nome popular em inglês.

Sabe-se que a referência a uma planta pelo nome popular não é o ideal então, na tentativa de encontrar a melhor correspondência possível, procurei traduzir ao idioma português o nome de cada planta  e acrescentei o nome científico.

O que segue são ervas e orientações úteis que podem ajudar o indivíduo a largar “o gostoso sabor da vitória” e restaurar os pulmões, um dos órgãos muito afetado pelo fumo.

Erva-de-são-joão, St. John's wort (Hypericum perforatum), é um bom agente relaxante que contribui para melhorar o humor e a passar os momentos difíceis de acabar com o vício. Extrato de açafrão causa liberação de serotonina, que provoca uma agradável sensação, similar à perda de peso em pessoas que desejam emagrecer.

Erva-de-são-joão

Lobélia, tabaco indiano, tabaco índio, hierba dei asma, planta norteamericana (Lobelia inflata) é reconhecida por ajudar a quem sente a necessidade de nicotina. Quando se usa lobélia o tabaco fica com gosto ruim. Lobélia funciona em receptores da dopamina e da nicotina no cérebro ajudando assim a afastar o fantasma da abstinência que persegue o candidato a deixar o vício. Dopamina é a substância do cérebro liberada pela nicotina, receptoras da nicotina nas terminações nervosas recebem a dopamina. Lobélia contém uma substância semelhante a nicotina e é encontrada na mesma forma que os adesivos e gomas de mascar que contém nicotina, mas sem a nicotina.

Mas cuidado, lobélia contém lobelina, um alcalóide de efeitos semelhantes ao da nicotina, embora menos intenso. Antigamente usava-se como emética (vomitiva), antiasmática e expectorante. Hoje já não se usa como remédio, dado que se dispõe de muitas outras plantas não tóxicas com estas mesmas propriedades.

Recentemente a lobélia adquiriu um novo interesse no tratamento do tabagismo. Ao fumante  inveterado recomenda-se substituir o tabaco pela lobélia (em pastilhas) e desta forma tentar sumir com o imperativo desejo de buscar “mais que um cigarro, um estilo de vida”.  Na realidade, o que se consegue é trocar a dependência da nicotina pela dependência da lobelina, cujos efeitos são igualmente tóxicos, mas um pouco mais suave, permitindo uma libertação mais amena da nicotina. O indivíduo terá então de abandonar progressivamente o consumo da lobelina.

Doses altas de lobélia produzem dificuldade respiratória, taquicardia e hipotensão. O tratamento substitutivo com lobelina não é o ideal, embora possa ser útil nos casos rebeldes de tabagismo, em que tenham fracassado todos os outros tratamentos. Na Europa existe uma espécie similar, conhecida na Madeira como cabreira (Lobelia urens), igualmente tóxica.

Erva-gateira, erva-de-gato, catnip (Nepeta cataria) é ótima para relaxar, acalmar os nervos e superar a ansiedade de dar um “chega prá lá” no hábito. A CaoSu (erva chinesa) ajuda a controlar a vontade de “pedir para fumar um cigarro” e ao mesmo tempo desintoxica o corpo. A valeriana (Valeriana officinalis), aprovada pela Comissão E da Alemanha , funciona muito bem contra stress, ansiedade e insônia. Sabe-se que com valeriana muitas pessoas são capazes de passar os primeiros dias sem “o fino que satisfaz”. A camomila (Matricaria chamomilla) é ótima calmante e, como a valeriana, também ajuda a dormir.

Chá de hortelã, peppermint tea (Mentha piperita) ameniza o stress, a ansiedade e ainda acalma os efeitos gastrointestinais que às vezes decorre em função da interrupção do fumo. Olmo-vermelho, elm slippery (Ulmus rubra), espécie originária da América do Norte, raiz de marshmallow (Althaea officinalis) uma erva arbustiva e ginger, o rizoma do gengibre (Zingiber officinale), também ajudam a acalmar o trato gastrointestinal.

Gengibre

Solidéu, calota craniana, skullcap (Scutellaria lateriflora) é outra erva que aumenta os níveis de endorfina e traz sentimentos de paz e descontração que ajudam a passar o dia sem o “naturalmente suave”. Pertence a mesma família da hortelã e do alecrim e recebeu esse nome devido à forma das suas flores se assemelhar a uma caveira humana. É uma erva relaxante indicada para reprimir medos, ansiedade e nervosismo.

Verbena, vervain (Verbena officinalis), uma das 38 plantas usadas na preparação dos Florais de Bach, é um bom agente relaxante do corpo e também ajuda a controlar a ansiedade.

Ginseng (Panax ginseng) aumenta o nível de energia e de equilíbrio do corpo, trazendo-o ao normal.

Chá de aveia, oat straw (Avena sativa) é calmante, relaxante e ajuda a se livrar de tremores, stress e fadiga decorrentes da decisão de largar o vício. O vegetal seco é muito fibroso para ser consumido diretamente, daí a opção pelo chá.

Kava kava (Piper methysticum) ​​é um grande agente relaxante, funciona como o valium (remédio para depressão) e Mimosa (Acacia dealbata) é outra erva indicada para controlar a ansiedade.

A hipnose é a ferramenta mais poderosa para parar de fumar, a sugestão é encontrar um bom hipnoterapeuta.

Médicos da medicina tradicional chinesa têm lotes de boas fórmulas que ajudam a largar o hábito de fumar. E a acupuntura pode ajudar o corpo a se sentir tranquilo, centrado e equilibrado.

Kava kava

Cúrcuma (Curcuma longa) é ótima para melhorar o sistema imunológico, livrar o corpo de agentes causadores de câncer e prevenir os pulmões de inflamação.

Tussilago ou tussilagem, coltsfoot  (Tussilago farfara) solta tudo dos pulmões permitindo que ele seja expectorado, restaurando o tecido pulmonar. Alho, garlic (Allium sativum) é excelente para o sistema imunológico e os pulmões.

Suco de sabugueiro, elderberry juice (Sambucus nigra) é ótimo para rejuvenescer os pulmões, impulsionar o sistema imunológico e conter a irritação. Barbasco ou vela-de-bruxa, mullen (Verbascum thapsus), indicada para constipações e gripes, também acalma a irritação e inicia o processo de cura. Raiz de astragalus (Astragalus propinquus) energiza os pulmões e abre os bronquíolos para que se possa respirar melhor.

Sabugueiro

Outras ervas que restauram os pulmões afetados pelo fumo são:

  • Campainha-da-china ou flor-balão, ballon flower (Platycodon grandiflorus)
  • Eucalipto (Eucalyptus globulus)
  • Bromelia, bromelian (Vriesea inflata)
  • Flor de ameixeira, plum flower (Prunus domestica)
  • Chuchu, chayote (Sechium edule)
  • Chichá ou amendoim-de-macaco, sterculia (Sterculia striata)
  • Raiz de alcaçuz, licorice root (Glycyrrhiza glabra),
  • Tanchagem, plantain (Plantago major)
  • Tomilho, thyme (Thymus officinalis)
  • Hidraste, goldenseal (Hydrastis canadensis)
  • Erva-doce ou funcho, fennel (Foeniculum vulgare)
  • Morrião-dos-passarinhos, chickweed (Stellaria media)

Cardo-mariano, milk thistle (Silybum marianum) e raiz de bardana, burdock root (Arctium lappa) limpam o corpo de produtos químicos e rejuvenescem o fígado. E cápsulas de carvão vegetal ajudam a limpar o trato gastrointestinal de fortes toxinas.

Importante manter o cólon equilibrado com probióticos. Probióticos são micro-organismos vivos que podem ser ingeridos pelo ser humano, como por exemplo Lactobacillus acidophilus, produzindo efeitos positivos na saúde já que vivem no intestino, ajudando na digestão de alimentos e disputando espaço com os prejudiciais micro-organismos patogênicos. Dessa maneira, não permitem que haja colonização do intestino por essas bactérias, promovendo o equilíbrio da microbiota (flora) intestinal, cujo desequilíbrio é causado por diversos fatores, dentre os quais stress e má alimentação.

Uma dieta de desintoxicação à base de feijão-mungo, feijão-da-china ou feijão-rajado (Vigna radiata) e arroz num período de 7 a 10 dias funciona bem na limpeza de produtos químicos ruins que ficam no corpo. O feijão-mungo possui vagens comestíveis com sementes ovóides, pequenas, verde-amareladas, de grande valor alimentício e propriedades medicinais.

Sugere-se começar a desintoxicação do corpo consumindo alimentos alcalinos como pepino, aipo, brócolis, repolho, outros vegetais crus de folhas verdes, gramíneas, ervas frescas e especiarias (salsamanjericãocoentropimentagengibre), frutas (melancia, abacate, coco jovem) e brotos (alfafa, feijão verde). Tais alimentos aumentam a quantidade de oxigênio que o sangue leva para dentro, assim ajudamos o nosso corpo a curar a si próprio da maioria das doenças.

O oposto de alimentos alcalinos são alimentos ácidos. Durante a maior parte de nossas vidas, a maioria dos alimentos que ingerimos são (muito) ácidos. Estes fazem-nos doentes e cansados.

Prefira alimentos orgânicos e fique longe dos transgênicos, evite também trigo, cevada, soda, cafeína (exceto chá verde), açúcar, aromatizantes artificiais, adoçantes, alimentos processados ​​e fast-food.

Tomar um bom suplemento vitamínico e grande quantidade de vitamina C e B são boas dicas, porque o corpo precisa deles para se curar.

Outra dica é consumir aminoácidos não-essenciais. Aminoácidos não-essenciais são substâncias orgânicas contendo nitrogênio que o corpo humano pode produzir ou obter de certos alimentos para a construção de proteínas. O problema é que o cigarro esgota os aminoácidos não-essenciais do corpo do fumante.

É sempre recomendável praticar exercício para impulsionar o sistema imunológico, o metabolismo, as endorfinas, a imagem corporal e fazer a pessoa sentir-se bem consigo mesma.

Muitas pessoas fumam por causa do stress, então é recomendável encontrar novas formas de se livrar do stress, trocar o “Gostoso sabor da vitória” pela arte da meditação, Chi Kung, yoga, tai chi, artes marciais e métodos de relaxamento que ajudam a se sentir em paz e a esquecer que fuma.

Talvez agora seja a hora de tentar uma nova vida, de reavaliar e fazer alterações, repensar o “Gente que sabe o que quer” pelo “começar a cuidar de si mesmo”, tendo tempo para seu corpo, mente, espírito, vida social, relacionamentos, situação e coisas em que acredita.

Agradecimentos

  • Carla Rafaela de Oliveira (Piracicaba, SP), estudante de Sistemas de Informação da UNIMEP, pelo apoio na tradução.
  • Rico Mäder, engenheiro (São Paulo, SP), por oferecer o texto-base desta matéria. 

Referências

Comentários

muito bom o texto

agradecido por compartilhar e ensinar!!!