Muirapuama

Nome científico: 
Ptychopetalum olacoides Benth.
Sinonímia científica: 
Não existe para esta espécie, segundo o sistema de classificação APG III.
Família: 
Olacaceae
Partes usadas: 
Raiz, casca.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Allo-aromadreno, β-bisaboleno, borneol, δ-cadineno, canfeno, cânfora, β-cariofileno, óxido de cariofileno, p-cimeno, α-copaeno, cubebeno, α-elemeno, elixeno, trans- β-farneseno, α-guaineno, limoneno, linalol, mirceno, γ-muuroleno, α-pineno, β-pineno, etc.
Propriedade terapêutica: 
Tônico muscular, cardiotônico, antidepressivo, afrodisíaco, estimulante do sistema nervoso central, analgésico.
Indicação terapêutica: 
Calvície, dispepsia, cansaço, fraqueza gastrointestinal, impotência, infertilidade, aumento da libido, irregularidades menstruais, paralisia muscular, dor nos nervos, problemas neuromusculares, distúrbios reprodutivos, reumatismo, estresse, disenteria.

Origem
Muirapuama é nativa da Amazônia brasileira e outras áreas da Floresta amazônica.

Descrição [2,3]
Árvore de tamanho médio (cresce até 5m de altura), apresenta folhas pequenas verdes na parte superior e cinza-azulada na parte inferior, pendentes em ramos longos e finos. 

Flores são pequenas, brancas e tem fragrância pungente similar ao jasmim.

Uso popular e medicinal [1,3]
Historicamente todas as partes de muirapuama tem sido utilizadas pela medicina popular, mas a casca e raiz são as mais indicadas. Povos indígenas da Amazônia ao longo do Rio Negro usam o caule e a raiz de plantas jovens como um tônico para tratar problemas neuromusculares. A decocção da raiz serve em banhos e massagens para o tratamento da paralisia e beribéri. E o chá de raiz e casca serve para tratar a debilidade sexual, reumatismo, gripe, fraqueza cardíaca e gastrointestinal. Também é valorizada como preventivo da calvície. 

Na fitoterapia brasileira, muirapuama é tida como estimulante sexual, sendo reputada como poderoso afrodisíaco. Foi listada na Farmacopeia Brasileira na década de 1950. As propriedades mais evidenciadas são tônico neuromuscular para fraqueza e paralisia, dispepsia, distúrbios menstruais, reumatismo crônico (uso tópico), impotência sexual, gripe e distúrbios do sistema nervoso central.

A British Herbal Medicine Association recomenda muirapuama para disenteria e impotência. Na Alemanha é indicada como tônico do sistema nervoso central, ancilostomíase (conhecida como "amarelão", doença causada por vermes parasitas), distúrbios menstruais e reumatismo. Na Europa é indicada para tratar a impotência, infertilidade, distúrbios menstruais e disenteria.

Marapuama vem ganhando popularidade nos EUA, onde herbalistas e profissionais de saúde a usam para tratar impotência, depressão, cólicas menstruais, TPM, dores nos nervos e distúrbios do sistema nervoso central.

Em outros países muirapuama é indicada como afrodisíaco, estimulante do sistema nervoso central, para a calvície, dispepsia, cansaço, fraqueza gastrointestinal, impotência, infertilidade, baixo libido, irregularidades menstruais, paralisia muscular, dor nos nervos, problemas neuromusculares, distúrbios reprodutivos, reumatismo, estresse, trauma.

Uma análise química dos componentes do óleo essencial de muirapuama foi feita pelo Laboratório de Tecnologia Química (LATEC) do Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB). A extração foi realizada por dois métodos: tintura (raiz e casca); e Soxhlet com solvente (casca da raiz, caule e folha). No óleo essencial das raízes foram encontrados allo-aromadreno, β-bisaboleno, borneol, δ-cadineno, canfeno, cânfora, β-cariofileno, óxido de cariofileno, p-cimeno, α-copaeno, cubebeno, α-elemeno, elixeno, trans- β-farneseno, αguaineno, limoneno, linalol, mirceno, γ-muuroleno, α-pineno, β-pineno e α-terpineno.

Outras substâncias também presentes, citadas em outros trabalhos, são flobafenos (0,6%), taninos, ácidos behênico, lignocérico, α-resínico, β-resínico e araquídico, lupeol, campesterol, estigmasterol, β-sitosterol, cumarina e um alcalóide relacionado a ioimbina chamado muirapuamina (0,05%).

Outros usos [1]
O extrato de muirapuama é empregado em formulações cosméticas para o tratamento de queda de cabelo. Uma receita consiste em água-de-colônia (250g), glicerina (20g), tintura de muirapuama (15g) e nitrato de pilocarpina (50cg).

 Dosagem indicada [2]

Uso geral. Usam-se o infuso da casca em dose normal: 20g do material verde ou 10g do material seco para cada litro de água. Adultos tomam de 4 a 5 xícaras por dia. Adolescentes entre 10 a 15 anos tomam 3 a 4 xícaras ao dia.

Afecções locomotoras. Triturar 100g de muirapuama e colocar em 1 garrafa com álcool. Deixar repousar por aproximadamente 6 dias. Friccionar as partes afetadas pela paralisia parcial ou antiga.

Reumatismo. Esmagar 20g de raiz de muirapuama, 20g de raiz de gengibre e 20g de mucura-caá. Colocar em infusão em 1 litro de álcool, deixando em repouso por 7 dias. Em seguida, friccionar a parte afetada.

Aumentar a potência sexual. Colocar em infusão em 1 garrafa de vinho moscatel 10g de muirapuama e 10g de catuaba. Deixar em repouso e tomar 1 cálice às refeições.

 Colaboração
Antônio dos Santos, Gestor do Centro de Estudos Amazônicos (Manaus, AM), 2015.

 Referências

  1. ARAUJO, V. F. et. alli. Plantas da Amazônia para produção cosmética. Universidade de Brasília (UNB), Brasília (DF), Instituto de Química. 2005.
  2. VIEIRA, L. S. Fitoterapia da Amazônia - Manual das Plantas Medicinais. Editora Agronômica Ceres, São Paulo (SP). 1992
  3. Tropical Plant Database (Raintree): Ptychopetalum olacoides - Acesso em 6 de dezembro de 2015
  4. The Plant List: Ptychopetalum olacoides - Acesso em 6 de dezembro de 2015

GOOGLE IMAGES de Ptychopetalum olacoides - Acesso em 6 de dezembro de 2015

Galeria: