Mucuna

Nome científico: 
Mucuna pruriens (L.) DC.
Sinonímia científica: 
Mucuna cochinchinensis (Lour.) A.Chev.
Família: 
Leguminosae
Partes usadas: 
Semente
Princípio ativo: 
L-DOPA (ou levodopa), proteína, lipídeos, carboidrato, fibra dietética, minerais, compostos fenólicos, taninos, ácido fítico, ácidos graxos, aminoácidos, alcaloides.
Propriedade terapêutica: 
Antiparkinsoniana, hipoglicêmica, hipocolesterolêmica, antioxidante, afrodisíaca, anticoagulante, antimicrobiana, vermífuga, analgésica, anti-inflamatória, antipirética, diurética, anabólica, androgênica, antiespasmódica, imunomoduladora.
Indicação terapêutica: 
Mal de Parkinson, asma, câncer, cólera, tosse, diarreia, mordida de cão, hidropisia, disúria, loucura, caxumba, pleurite, micose, picada de cobra, úlceras, sífilis, tumores, edema, vermes intestinais.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: velvet bean

Origem
Endêmica na Índia e outros países tropicais.

Descrição [6]
Mucuna é uma trepadeira anual, cresce de 3 a 18 m de altura. Suas flores vão do branco ao roxo escuro e pendem em longos cachos. A planta produz cachos de vagens em cujo interior encontram-se sementes conhecidas como "feijão-mucuna".

As vagens são cobertas com pêlos laranja-avermelhado que se desprendem facilmente, podendo causar intensa irritação na pele devido a presença de um fitoquímico denominado mucunaína. O nome da espécie "pruriens" (do latim, "comichão") refere-se ao resultado do contato com os pelos da vagem.

Uso popular e medicinal
No Brasil a semente da planta é utilizada internamente para a doença de Parkinson, edema, impotência, gases intestinais e vermes. É considerada diurético, tônico dos nervos e afrodisíaco [6].

Desde longa data mucuna é considerada erva da maior importância nas medicinas tradicionais mais disseminadas na Índia: ayurveda e unani. Fonte de L-dopa, este composto estimula a liberação de hormônios catecolaminas dopamina, epinefrina (ou adrenalina) e norepinefrina (ou noradrenalina). L-dopa gera também a liberação de HGH (hormônio de crescimento humano) na glândula pituitária (hipófise) e hipotálamo, é um poderoso suplemento antioxidante, melhora o humor, a agilidade mental, o foco, a concentração, a libido e a fertilidade em homens. 

A concentração de L-dopa nas sementes é considerada alta: 7-10%. Concentrações de serotonina são também encontradas na vagem, folhas e frutos [7].

M. pruriens é a erva mais utilizada no tratamento de Parkinson, seja só ou associada a outras ervas. No idioma hindi (falado no norte, centro e oeste da Índia) mal de Parkinson é denominado "kampavata", significando "tremores causados por excesso de vata" (veja quadro).

Esta planta normaliza vata e aumenta kapha e pitta. Por isso, é recomendada em doenças causadas devido a agravação de vata.

A incidência de Parkinson é muito elevada em pessoas de idade avançada. O medicamento levodopa é o mais recomendado, no entanto a sua utilização prolongada pode levar a discinesia (movimento involuntário do corpo, "tique nervoso"), a toxicidade e a diminuição da eficácia.

Na ayurveda existem 3 formas básicas de classificar uma pessoa, dependendo do elemento predominante no seu corpo. São chamados “doshas” ou "tridoshas": vata, pitta e kapha. 

Os sintomas de vata (composição dos elementos éter, ou espaço, e ar) elevado são pele e lábios secos, obstipação, gases, sensação de inchaço, muito ou pouco apetite, ansiedade, medo, preocupação excessiva, mente dispersa, falta de memória.

Pessoas com predominância de vata necessitam essencialmente de uma rotina de exercícios (relaxante, respiratório, meditação), de calor, serenidade e uma boa nutrição [3,4].

Médicos da ayurveda tratam "kampavata" usando sementes de M. pruriens associada a outras plantas medicinais com atividade neuroprotetora como Celastrus paniculatus (conhecida como "planta intelecto", descrita como um tônico cerebral), Withania somnifera (ou "ginseng-indiano", "ashwaganda", conhecida pela atividade anti-stress), Tinospora cordifolia (um sinônimo de Tinospora sinensis, um relaxante muscular), Nardostachys jatamansi (conhecida no Brasil como "nardo", exerce ação calmante e sedativa sobre o sistema nervoso central) e outras, dependendo dos sintomas.

Tradicionalmente M. pruriens é utilizada como agente carminativo, hipertensivo, hipoglicêmico, afrodisíaco, diurético, rubefaciente, vermífugo. É indicado para a asma, câncer, cólera, tosse, diarreia, mordida de cão, hidropisia (acúmulo de líquido nos tecidos do organismo), disúria (ardor ao urinar), loucura, papeira (ou caxumba, doença causada por vírus), pleurite (inflamação dos tecidos que revestem os pulmões), micose, picada de cobra, úlceras, sífilis e tumores [1].

Estudos fitoquímicos relatam que as sementes contém compostos fenólicos, taninos, ácido fítico, ácidos graxos (palmítico, esteárico, oleico, linoleico, linolênico, beênico), vitaminas (B3, C), aminoácidos (ácidos glutâmico e aspártico, serina, treonina, prolina, alanina, glicina, valina, cistina, metionina, isoleucina, leucina, tirosina, fenilalanina, lisina, histidina, triptofano, arginina). 

Dentre os fitoquímicos de importância medicinal são citados os alcaloides harmina, bufotenina, nicotina, prurieninina, prurienina, triptamina, dimetiltriptamina (abreviado como DMT), 5-metoxi-dimetiltriptamina (abreviado como 5-MeO-DMT, um componente do "ayahuasca") e 6-methoxyharman. Harmina é a principal molécula com efeito farmacológico do "ayahuasca" (ou "santo-daime"), bebida que induz ao estado xamânico (ou de êxtase) obtida da combinação de uma planta denominada "cipó-das-almas" (Banisteriopsis caapi) com outras plantas. Outro componente é o 5-MeO-DMT. 

Bufotenina e 5-MeO-DMT são produzidas por sapos do gênero bufo, especialmente sapo-cururu (Bufo marinus, atualmente denominado Rhinela marina) cujo veneno é rico em substâncias tóxicas e alucinógenas, podendo também conter serotonina.

São citados também as alquilaminas, ácidos graxos (araquídico, mirístico, vernólico), betacarbolina, dopamina, flavonas, galactose, ácido gálico, genisteína, glutationa, hidroxigenisteina, 5-hidroxitriptamina, mucunadina, mucunina, riboflavina, saponinas, serotonina, estizolamina, tripsina (um componente do suco pancreático).

Mucunadina, prurienina e prurieninina são os alcaloides adicionais isoladas de extratos das sementes.

A revisão de literatura indica claramente que sementes de M. pruriens contêm várias substâncias que possuem atividades antioxidante e neuroprotetora que suportam a atividade antiparkinsoniana da levodopa.

A genisteína (uma isoflavona) inibe a enzima dopa-descarboxilase, é neuroprotetora, inibe a tirosina-quinase e melhora a plasticidade neuronal (a capacidade que os neurônios têm de formar novas conexões a cada momento).

Ácido fítico é quelante de ferro, suprime a geração de radicais hidroxila induzida por MPTP no corpo estriado de rato. MPTP é uma neurotoxina que provoca sintomas da doença de Parkinson (é usada em experimentos com animais). 

Considerado o mais poderoso antioxidante do corpo humano, glutationa é captadora de radicais livres. 

O tratamento contínuo e intermitente com nicotina reduz a discinesia induzida por levodopa em um modelo de rato da doença de Parkinson.

Bufotenina, DMT, 5 MeO-DMT são agonistas de receptores de 5-HT1A (serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar), reduzem a discinesia.

ß-carbolina é neuroprotetora, antioxidante, inibidora da monoamina oxidase (MAO), facilita a atividade de DMT. 

Os ácidos esteárico, oleico, linolênico são neuroprotetores, ativam o receptor ativado por proliferadores de peroxissoma gama (detém a progressão de Parkinson).

A lecitina diminui a confusão mental, alucinações e pesadelos. Ácido gálico é neuroprotetor. A coenzima Q10 ajuda a retardar o processo degenerativo em fase inicial de Parkinson. A harmina é antagonista do receptor de glutamato. 

L-tirosina, L-triptofano e serotonina têm reconhecido valor nutricional.

 Dosagem indicada [5]

Doença de Parkinson, impotência, disfunção erétil, afrodisíaco, anabólico, androgênico, estimular o hormônio do crescimento. 400 mg do extrato seco, 1 ou 2 vezes ao dia, ou conforme recomendação médica. No tratamento de Parkinson a dose deve ser estabelecida em função do teor equivalente de L-dopa presente no extrato seco padronizado.

Valor nutricional da semente [1]

Principais (g/100 g) Minerais (mg/100 g) Vitaminas (mg/100 g)
Energia (em 100 g) 1641,78 kJ Cálcio 659.0 ± 0.76 Niacina (B3) 54.32
Proteína bruta 30,63 ± 0,14 Manganês 10.30 ± 0.17 Ácido ascórbico (C)  57.3
Fibra dietética total 8,56 ± 0,05 Magnésio 348.10 ± 0.33    
Lipídeos em bruto 8,74 ± 0,07 Fósforo 564.30 ± 0.58    
    Ferro 11.87 ± 0.14    
    Sódio 88.30 ± 0.41    
     Potássio 1964.24 ± 2.21    
    Cobre 0.44 ± 0.01    
    Zinco 2.44 ± 0.03    

 Referências

  1. Oriental Pharmacy and Experimental Medicine (2013): Mucuna pruriens seeds in treatment of Parkinson’s disease - Pharmacological review
  2. Examine Encyclopedia on Supplementation and Nutrition: Mucuna pruriens
  3. Swasthya Ayurveda (2013): Tratamento de vata
  4. Ayurveda: Doshas
  5. Farmanostra Informativo Técnico (2012): Mucuna
  6. Tropical Plant Database (2012): Velvet bean
  7. Zhengdi Biological: Mucuna pruriens extract levodopa/L-Dopa
  8. Imagem: Wikimedia Commons (Author: Scott Zona)
  9. The Plant List: Mucuna pruriens

GOOGLE IMAGES de Mucuna pruriens

Galeria: