Mio-mio

Nome científico: 
Baccharis coridifolia DC.
Sinonímia científica: 
Eupatorium montevidense Spreng.
Família: 
Compositae
Partes usadas: 
Partes aéreas.
Princípio ativo: 
Flavonoides (genkwanina, cirsimaritina, apigenina, hispidulina), tricotecenos macrocíclicos (roridina A e E, miotoxina A, B, C e D, miopitoceno A e B e verrucarol).
Propriedade terapêutica: 
antioxidante, citotóxica, anti-inflamatória.
Indicação terapêutica: 
Câncer, tumores (cérebro, fígado, intestino), feridas, inflamações.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: toxic groundsel
  • Espanhol: romerillo, ajenjo del campo, ñio-ñio

Origem
Endêmica no Brasil (Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo), Uruguai e norte da Argentina.

Descrição [6]
Subarbusto dioico, atinge altura de 50 a 80 cm, folhas lineares de 1,5 a 5 cm de comprimento, inteira, margem do limbo inteira. Brota na primavera e floresce no outuno. 

Surge apenas em solos rasos e firmes. Prefere terrenos que na estação das chuvas estagnam água do subsolo até a superfície e que sejam muito secos na época de estiagem. Depende da pobreza do solo em molibdênio.

Resistente a seca, infestante em pastagens, é considerada tóxica para bovino.

Uso popular e medicinal
Esta planta possui princípios toxicos para animas e compostos químicos importantes para o tratamento de câncer humano.

As sementes e flores contêm altas concentrações dos princípios tóxicos identificados como tricotecenos macrocíclicos: roridina A e E, miotoxina A, B, C e D, miopitoceno A e B e verrucarol. Espécimes femininas são mais tóxicas segundo análises químicas mensais de plantas femininas e masculinas. Essas substâncias são produzidas por fungos do gênero Myrothecium que habitam o solo e se desenvolvem próximo às raízes de B. coridifolia [5].

Confirmado pela Dirección General de la Salud do Ministerio de Salud Público (Uruguai), a planta em si não é tóxica, mas a sua ação é proveniente da simbiose com um fungo, o qual é o verdadeiro responsável pela produção de substâncias nocivas [3].

Ensaios farmacológicos mostraram que o extrato aquoso de B. coridifolia apresenta atividade antioxidante in vitro e o extrato diclorometanólico demonstra efeito citotóxico. As partes aéreas são utilizadas na medicina popular para uso tópico no tratamento de processos inflamatórios. O Instituto Nacional do Câncer nos EUA tem avaliado várias espécies de Baccharis para detectar a presença de tricotecenos macrocíclicos devido ao seu potencial medicinal no combate ao câncer e pela atividade antiviral. Roridinas e verrucarinas encontradas em B. coridifolia têm mostrado atividade contra células derivadas de carcinoma humano de nasofaringe [4].

Espécies de Baccharis são consumidas principalmente como chás para problemas de estômago, fígado, próstata, anemia, inflamações, diabetes e desintoxicação corporal. No Brasil e na Argentina B. coridifolia é usada para curar feridas e inflamações [2].

Quatro flavonoides foram isolados do extrato metanólico de folhas de B. coridifolia: genkwanina, cirsimaritina, apigenina e hispidulina. Estes compostos mostraram atividade antimutagênica, indicando que eles são responsáveis por tal atividade nesta planta. Estudos demonstram que esta espécie tem potencial efeito antiofídico, inibindo atividade proteolítica, hemorrágica, miotoxicidade e edema induzido pelo veneno de algumas espécies de Bothrops (por exemplo jararaca, cotiara e urutu) [2].

Um tratamento auxiliar para o câncer foi desenvolvido pelo médico veterinário uruguaio Edelmar Siqueira em 1995 tendo o mio-mio como principal componente. Produzidas em escala caseira durante 18 anos as "gotas GS", como assim ficaram conhecidas, teve efeito comprovado por pacientes com tumores de cérebro, fígado e intestino. De 1995 a 2013 o remédio natural pôde ser encontrado nas prateleiras homeopáticas do Uruguai. Além do tratamento convencional, os pacientes usaram as gotas em paralelo, resultando aumento de vitalidade e resistência. 

Em 2013 devido a problemas com o Ministério da Saúde do país vizinho, o medicamento foi colocado fora de circulação oficial. Espera-se que a partir de 2015 possa novamente ser produzido, agora em cooperação com uma empresa farmacêutica brasileira [1].

Interação com medicamento [2]
Um estudo avaliou os efeitos do extrato etanólico de B. coridifolia na atividade antimicrobiana de antibióticos utilizados em terapia clínica. Mostrou que as frações oleosa e aquosa dos extratos podem interferir na eficácia de alguns antibióticos durante a terapia.

 Referências

  1. Jornal Estado de São Paulo. Gotas da discórdia. Caderno Aliás, 2016.
  2. Scientific & Academic Publishing (2013): Interference of extracts obtained from Baccharis coridifolia action of antibiotics - Acesso em 4 de dezembro de 2016
  3. El Diario (2013): MSP prohíbe gotas homeopáticas GS usadas en casos de cáncer - Acesso em 4 de dezembro de 2016
  4. Latin American Journal of Pharmacy (2007): Caracteres morfoanatômicos de partes vegetativas aéreas de Baccharis coridifolia - Acesso em 4 de dezembro de 2016
  5. Pesquisa Veterinária Brasileira (2005): Intoxicação espontânea por Baccharis coridifolia em bovinos - Acesso em 4 de dezembro de 2016
  6. Agro Link: Baccharis coridifolia - Acesso em 4 de dezembro de 2016
  7. Imagem: Flora Digital (Autora: Rosângela G. Rolim, 2012 ) - Acesso em 4 de dezembro de 2016
  8. The Plant List: Baccharis coridifolia - Acesso em 4 de dezembro de 2016

GOOGLE IMAGES de Baccharis coridifolia - Acesso em 4 de dezembro de 2016

Galeria: