Maria-sem-vergonha

Nome científico: 
Catharanthus roseus (L.) G.Don
Sinonímia científica: 
Ammocallis rosea (L.) Small
Família: 
Apocynaceae
Partes usadas: 
Raíz, folhas, partes aéreas.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Vinblastina, vincristina.
Propriedade terapêutica: 
Hipoglicemiante, antisséptica, diaforética, diurética, emética, purgante, vermífuga, depurativa.
Indicação terapêutica: 
Câncer, doença de Hodgkin, crianças com leucemia, melhorar as funções cerebrais em idosos, distúrbios de audição, demência senil.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: Madagascar periwinkle, rosy periwinkle
  • Espanhol: vinca
  • Francês: pervenche de Madagascar, rose amère

Origem
Planta endêmica de Madagascar, já naturalizada em muitas regiões de clima tropical e subtropical.

Descrição
Planta resistente, cresce em solo pobre e ensolarado. As folhas são ramificadas, opostas, com nervura central bem definida e brilhante. As flores são de 5 pétalas, com cores e dimensões conforme a variedade podendo ser branca, roxa, vermelha e rósea. A floração acontece quase o ano inteiro.

C. roseus é popular em jardins ornamentais devido ao baixo custo, escassas exigências de cuidado e abundância de flores. É cultivada como perene nos trópicos e anualmente em regiões temperadas, entretanto pode passar o período mais frio do ano em jardins de inverno. É valorizada por sua ramagem de arbustos e pelas flores que situam-se acima de sua folhagem verde escura. Mesmo tendo sido podadas as flores velhas, os ramos durarão semanas, até meses, produzindo novas e pequenas flores o tempo todo. 

Uso popular e medicinal
Na África, mais especificamente nas ilhas do oceano Índico, os usos medicinais da C. roseus são diversos e similares aos da Ásia. A decocção de todos os componentes é conhecida por ser um agente hipoglicemiante oral. A decocção é também utilizada para tratar malária, febre de dengue, diarreia, diabetes, câncer e doenças de pele.

O extrato preparado das folhas é aplicado como agente antisséptico para curar feridas, contra hemorragia e erupção cutânea e como enxaguante bucal para tratar dos dentes.

As partes aéreas são consideradas diaforéticas (sudoríficas), diuréticas e as decocções são utilizadas no alívio de indigestão, dispepsia, disenteria, dor de dente e nos efeitos da picada de vespas, como emético, purgante, vermífugo e depurativo. Em Uganda, a infusão de folhas é usada no tratamento de úlceras. Em Botsuana, as folhas mergulhadas no leite são aplicadas para amolecer abscessos. No Togo a decocção das raízes é utilizada para tratar dismenorreia.

As partes aéreas da planta são usadas para a extração dos alcaloides medicinais vincristina e vimblastina. Os alcaloides são prescritos em terapia anticâncer, normalmente como parte dos complexos protocolos de quimioterapia. A raiz seca é uma fonte industrial de ajmalicina, que aumenta a circulação do sangue no cérebro e em partes periféricas do corpo.

As preparações com ajmalicina são usadas no tratamento de problemas psicológicos e comportamentais de senilidade, problemas sensoriais (vertigem, zumbido no ouvido), traumas craniais e suas complicações neurológicas.

Os alcaloides extraídos das partes aéreas da C. roseus são comercializadas liofilizadas (soluções de sal) para aplicações intravenosa. Vindesina e vinorelbina, semissintéticos derivados da vimblastina, são comercializados como sulfato e um bitartrato, respectivamente. Essas prescrições são de remédios em países ocidentais.

A descoberta do valor medicinal
C. roseus tem valor ornamental mas seu papel mais importante, e muitas vezes esquecido, é na medicina, com uma história interessante. Embora nativa de Madagascar e da Índia, a espécie foi transportada ao longo dos trópicos muito antes de existir o interesse na ornamentação de paisagem.

 

A planta escapou do cultivo em sua origem e naturalizou-se em torno da linha do Equador. Uma diversidade de culturas, de Madagascar, Jamaica até as Filipinas têm uma história de uso especialmente no tratamento de pessoas com diabetes. Os usos terapêuticos da planta chamou a atenção de pesquisadores médicos canadenses e americanos durante a II Guerra Mundial, quando souberam que os soldados estacionados nas Filipinas usavam folhas da C. roseus em substituição à indisponível insulina.

Durante a década de 1950, ao investigar os efeitos do extrato da planta, os pesquisadores descobriram que eles não tinham nenhum efeito significativo sobre os níveis de açúcar no sangue, mas que reduziram a contagem de células brancas do sangue em animais de laboratório, sem efeitos colaterais significativos. 

Mais recentemente os dois alcaloides presentes na folha da C. roseus, vinblastina e vincristina, foram identificados como agentes anticâncer que podem ser utilizados na quimioterapia.

Vinblastina é usada para pacientes com doença de Hodgkin e vincristina é utilizado para crianças com leucemia. Com a introdução de vincristina, a taxa de sobrevivência de crianças com leucemia saltou entre 20 e 80 por cento.

Medicina espagíria
Na medicina espagíria (veja quadro), C. roseus simboliza a idéia de eternidade e de sentimentos perenes.

Medicina espagíria

A Medicina Espagíria é um antigo sistema natural de cura que baseia-se no conceito alquímico da transformação, precursora da química moderna.

Derivadas inteiramente das plantas, cada essência espagírica individual é feita a partir de uma planta em particular e o seu poder de cicatrização é aumentado pela "transformação espagírica". A palavra "espagíria" vem de duas palavras gregas que significa "para separar ou purificar" e "para reunir", aludindo ao processo de preparação específica de uma essência espagírica. Dado a um paciente como um remédio, mobiliza suas forças de autocura.

A espagíria consiste então em provocar uma evolução da matéria para purificar e exaltar o que não é possível fazer sem longas e sutis operações. Busca extrair da matéria a sua quintessência, cuja constituição pode ser enobrecida de forma que possa ser assimilada pelo ser humano. A tintura é uma simples maceração de uma planta medicinal num meio alcoólico, normalmente a 60 graus. A preparação espagírica abre a planta, isto é, separa alquimicamente os seus componentes primordiais, mercúrio, enxofre e sal e depois volta a uní-los numa combinação íntima na circulação.

A Medicina Espagíria é atribuída inicialmente ao suiço Paracelso, pseudônimo de Phillipus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim, curandeiro, médico e professor de medicina do século XVI. Na infância foi educado por seu pai, que também era alquimista e médico. Ele o acompanhou em caminhadas pelas montanhas e cidades, observando a manipulação de medicamentos e outras formas de cura. 

Seu ensinamento foi amplamente discutido na maioria das escolas médicas na Europa. Tornou-se famoso por sua luta contra a ortodoxia. Ele trouxe a medicina e alquimia em conjunto para criar o seu próprio método. Paracelso acreditava firmemente na conexão entre a humanidade e a natureza e que as plantas foram colocadas na Terra para nosso benefício. A ele é atribuída a Doutrina das Assinaturas, o conceito de que o potencial de cura de uma planta é mostrado em sua própria forma, ou "assinatura". As plantas são remédios naturais e seu poder de cura pode ser aumentada através da transformação espagírica.

A espagíria oferece uma solução completa para doenças físicas e psicológicas, tratando o ser humano como um todo - corpo, alma e espírito - e, neste aspecto, tem o mesmo fundamento que as antigas formas de cura da humanidade como a chinesa, tibetana e ayurvédica. 

A pesquisa moderna confirmou também a propriedade de melhorar as funções cerebrais em idosos, memória ou distúrbios de audição, demência senil, acidentes vasculares cerebrais, assegurando uma melhor irrigação do cérebro. Outros constituintes baixam a pressão arterial e apresentam propriedades ansiolíticas.

A essência espagíria de C. roseus pode ser usada em casos de cistos, miomas, pólipos, verrugas, doenças pré-cancerosas, hipertensão, dores de cabeça congestiva, perda de equilíbrio, vertigem, insuficiência circulatória cerebral, melhora a oxigenação cerebral, falta de memória e concentração, zumbido nos ouvidos (tinnitus), problemas de visão, condição pré-diabética (resistência à insulina), eczema com a pele vermelha e sensível, perda de cabelo, dor de garganta (catarro), permitir uma melhor assimilação dos nutrientes e regularizar o sistema digestivo.

Nível energético
No nível energético, a essência de C. roseus representa a energia do fogo e do calor. Por um lado acalma o temperamento explosivo ajudando a resistir à tentação. Por outro, como um fogo de chaminé, nos consola em situações dolorosas e nos ajuda a enfrentar os problemas. 

Traz a energia do amor e respeito e ajuda a libertá-los do nosso coração, nos ensina a perdoar, compartilhar e ver o outro lado da moeda. Remove as máscaras da ilusão, de hipocrisia, de modo que vemos as coisas de forma diferente e verdadeira, trazendo a alegria de volta em nossas vidas.

 Cuidado
Sabe-se que esta planta é venenosa para os animais quando ingerida em grandes quantidades.

 Colaboração

  • Carla Rafaela de Oliveira, estudante de Sistemas de Informação (UNIMEP), estagiária da ESALQ/USP (Piracicaba, SP), 2013.

 Referências

  1. Schmelzer, G.H., 2007. Catharanthus roseus (L.) G.Don. In: Schmelzer, G.H. & Gurib-Fakim, A. (Editors). Prota 11(1): Medicinal plants/Plantes médicinales 1. [CD-Rom]. PROTA, Wageningen, Netherlands.
  2. Spagyric Medicine: Medicinal Plants - Acesso em 12 de fevereiro de 2017
  3. WebMD: Madagascar periwinkle - Acesso em 12 de fevereiro de 2017
  4. Nutritional Therapy and Natural Medicine: Spagyric medicine - Acesso em 12 de fevereiro de 2017
  5. Wikipedia: Paracelso - Acesso em 12 de fevereiro de 2017
  6. Wikipedia: Espagíria - Acesso em 12 de fevereiro de 2017
  7. Imagem: Flora Canaria Zier - und Nutzpflanzen (© P. Schöenfelder)Missouri Botanical Garden - Acesso em 12 de fevereiro de 2017 
  8. The Plant List: Catharanthus roseus - Acesso em 12 de fevereiro de 2017

GOOGLE IMAGES de Catharanthus roseus - Acesso em 12 de fevereiro de 2017

Galeria: