Maracujazeiro

Nome científico: 
Passiflora alata Curtis
Sinonímia científica: 
Passiflora alata var. latifolia (DC.) Mast.
Família: 
Passifloraceae
Partes usadas: 
Folha seca, farinha da casca, fruto, suco.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Alcaloides indólicos (harmana, harmina, harmol, harmalina), flavonoides (vitexina, isvitexina, orientina, apigenina), glicosídeos cianogênicos, álcoois, ácidos, gomas, resinas, taninos.
Propriedade terapêutica: 
Diurético, depurativo, sedativo, anti-inflamatório, calmante, antitérmico, vermífugo, antiespasmódico.
Indicação terapêutica: 
Dores de cabeça de origem nervosa, ansiedade, perturbação nervosa da menopausa, insônia, taquicardia nervosa, doenças espasmódicas, nevralgias, asma.

 


Formulário de Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira
Maracujazeiro tem uso científico comprovado como ansiolítico e sedativo leve. Pode ser preparado como infuso ou tintura. Para mais informações, consulte a monografia.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: wingstem passionflower

Origem
O maracujazeiro é originário da América Tropical, com mais de 150 espécies nativas do Brasil.

Descrição
É uma planta trepadeira com fruto comestível muito apreciado no Brasil. A folha tem formato oval ou oblongo, 10 a 15 cm de comprimento e 1 a 10 cm de largura. As flores perfumadas têm de 7 a 10 cm de diâmetro e florescem no final do verão ou início do outono. O seu néctar atrai abelhas, borboletas e pássaros.

O fruto é amarelo ou alaranjado de 8 a 15 cm de comprimento e 5 a 10 cm de diâmetro, pesando entre 90 e 300 g. 

Uso popular e medicinal
A primeira referência ao maracujá no Brasil foi em 1587 como "erva que dá fruto". Em 1569 foi descrita a primeira espécie do gênero Passiflora, P. incarnata, sob o nome de granadilla.

As folhas têm valor medicinal e o suco contém passiflorina, um sedativo natural. O chá preparado com as folhas tem efeito diurético.

Possui valor ornamental devido as suas belas flores. Seu uso principal é na alimentação humana na forma de sucos, doces, geléias, sorvetes e licores.

Na década de 7 a comercialização do produto baseava-se apenas no mercado in natura. Nos anos 80, as indústrias extratoras de suco estimularam a expansão da cultura e o mercado do produto industrializado. Na década de 90 a cultura apresenta sua maior expansão em terras paulistas, já que tem sido a alternativa agrícola mais atraente para a pequena propriedade cafeeira.

Representa uma boa opção pois o retorno do capital investido é rápido e permite ao produtor dispor de um capital de giro durante quase o ano todo, variando esse período de acordo com o local de produção, podendo ser de 12 meses no Estado do Pará, 10 meses na Bahia, 7 a 9 meses em São Paulo e assim por diante.

O maracujá é uma boa fonte de carboidratos, contém vitaminas (A, C, complexo B), é rico em minerais (cálcio, fósforo e ferro).

Apresenta propriedades depurativas, sedativas e anti-inflamatórias. As sementes atuam como vermífugo. Por essas características, está incluído na Farmacopéia Brasileira. Os efeitos calmantes da planta, especialmente em quadros insones e ansiosos, foram confirmados pelo Ministério da Saúde.

Acredita-se popularmente que além de calmante, o chá de suas folhas é também um antitérmico eficaz que ajuda no combate às inflamações cutâneas, mas essas duas ações não têm confirmação científica.

Existem vários "maracujás" e a composição de cada um pode ser diferente. Há o edulis, o incarnarta, o corulea, etc. (mais ou menos 600 espécies). Podem ter (e quase todos tem) alcaloide indóico (passiflorina, harmina, harmanol, harmol, harmalina), flavonosídeos (vitexina, isovitexina, isoorientina, orientina, lucelina, saponarina, quercitina, crisina), esteróis.

Devido às frações alcaloídicas e flavonoídicas, o maracujá age como depressor inespecífico do sistema nervoso central, resultando em uma ação sedativa, tranquilizante e antiespasmódica da musculatura lisa.

A passiflorina é similar à morfina, é um medicamento de grande valor terapêutico como sedativo e que apesar de narcótico, não deprime o sistema nervoso central.

O seu uso diminui por instantes a pressão arterial e ativa a respiração, deprimindo a porção matriz da medula.

Possui efeitos analgésicos o que justifica seu emprego nas nevralgias.

Um trabalho analisou em Viçosa (MG, 2010) os efeitos do consumo da aveia em flocos e da farinha da casca de maracujá sobre a glicemia e a lipemia em um grupo de voluntários com hábitos sedentários. No grupo havia 28 pessoas com idade variando entre 30 a 60 anos. Em relação a aveia em flocos, observou-se que a concentração de HDL aumentou e a concentração sérica de glicose diminuiu significativamente, porém as variáveis peso, colesterol total e LDL não diferiram estatisticamente. Com a ingestão da farinha da casca do maracujá, houve diminuição significativa das concentrações de glicose e de colesterol total, contudo, as variáveis peso, HDL e LDL não diferiram estatisticamente. Os produtos utilizados foram eficazes na redução da concentração sérica de glicose e houve também melhora no perfil lipídico [1].

 Dosagem indicada

  • Contra inquietações nervosas, irritação frequente e insônia. Usam-se as folhas (infusão) na porção de 4 a 6 xícaras (chá). Toma-se 1 a 2 xícaras à noite.

 Contraindicações e efeitos colaterais
Contraindicado a pessoas com hipotensão. Deve-se controlar o uso das folhas em forma de chá, pois existem riscos de intoxicação cianídrica, consequência do uso de doses exageradas.

Interações
Pode haver potencialização dos efeitos com álcool, anti-histamínicos e do sono induzido pelo pentabarbital e também dos efeitos analgésicos da morfina.

Pode provocar um bloqueio parcial do efeito das anfetaminas. Pode ser associado com a valeriana e lúpulo nos casos de insônia.

Cultivo e manejo
Informações sobre cultivo e manejo do maracujazeiro, clima, solo, formação de mudas, plantio, tratos culturais, pragas, doenças, rendimento, etc., podem ser consultadas em Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC).

 Referências

  1. Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada (2013): Efeito do consumo da aveia e farinha da casca de maracujá sobre a glicemia e lipemia em um grupo de voluntários - Acesso em 24 de setembro de 2017
  2. TESKE, M.; TRENTINI, A. M. M. Compêndio de Fitoterapia. Herbarium, Curitiba (PR), 3ª ed. 1997.
  3. SIMÕES, C. M. O. et al. Plantas da Medicina Popular no Rio Grande do Sul. Editora da UFRGS, Porto Alegre (RS), 3ª ed., 1989.
  4. BIAZZI, E. S. Saúde pelas Plantas. Casa Publicadora Brasileira, Tatuí (SP), 10ª ed. 1996.
  5. USP/ESALQ (Estágio Supervisionado, 1999): Cultivo da Horta Medicinal - Acesso em 24 de setembro de 2017
  6. Imagem: FloraRS (Autor Marcio Verdi); Portal São Francisco - Acesso em 24 de setembro de 2017
  7. The Plant List: Passiflora alata - Acesso em 24 de setembro de 2017

GOOGLE IMAGES de Passiflora alata - Acesso em 24 de setembro de 2013

Galeria: