Macaúba

Nome científico: 
Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd. ex Mart.
Sinonímia científica: 
Acrocomia sclerocarpa var. wallaceana Drude
Família: 
Arecaceae
Partes usadas: 
Polpa, amêndoa.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Ácido láurico (óleo), ácidos graxos (oleico, palmítico, linoleico), antioxidantes naturais (β-caroteno, α-tocoferol), minerais (potássio, cálcio, fósforo, zinco).
Propriedade terapêutica: 
Anti-inflamatória, antioxidante.
Indicação terapêutica: 
Proteção contra aterosclerose, trombolismo, diminuição do colesterol total, prevenção do câncer de mama e cegueira noturna.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: macaw palm, grugru palm, macaúba palm, coyol malm

Origem
Macaúba é uma palmeira oleaginosa originária da América Tropical, encontrada em abundância na Mata Atlântica, Cerrado, Floresta Amazônica e Pantanal.

Descrição [3]
A. aculeata tem raízes primárias grossas e numerosas. O caule (estipe) pode atingir de 10 a 15 m de altura por 30 a 45 cm de diâmetro. É cilíndrico-fusiforme, sem ramificações e com folhas aglomeradas em seu ápice.

As folhas são compostas (limbo dividido em folíolos), pinadas e de coloração verde-escura, variando de 4 a 5 m de comprimento. Possui copa rala e aberta com as folhas inferiores arqueadas. Pecíolo, bainha e a raque são cobertos de espinhos finos, agudos e fortes.

A inflorescência é agrupada em cachos pendentes de tipo espádice (eixo primário carnoso, flores unissexuais, conjunto é envolvido por uma bráctea chamada espata de até 2 m de comprimento). Uma mesma inflorescência possui flores femininas e masculinas. A polinização é por besouros.

O fruto é esférico ou ligeiramente achatado, liso e de coloração marrom-amarelada quando maduro. Contém uma amêndoa oleaginosa e comestível envolvida por um endocarpo rígido e fortemente aderida à polpa. Também comestível, a polpa é amarela ou esbranquiçada, rica em óleo, fibra e mucilagem. A composição média do fruto da macaúba na base seca é epicarpo 21%, mesocarpo 38%, endocarpo 34% e amêndoa 7%.

Uso popular e medicinal [5,6]
A. aculeata tem relevância etnofarmacológica. É utilizada na alimentação e tratamento de doenças, pois contém elevadas concentrações de compostos antioxidantes e ácidos graxos monoinsaturados.

A polpa contém em média 49% de umidade, carboidratos (31%), fibras (13,76%), lipídeos (17%), minerais (1,7%) e proteínas (2%). A amêndoa apresenta alto teor de lipídios (51,7%), proteínas (17,6%) e fibras (15,8%). Dentre os minerais, os de maior concentração são potássio, cálcio e fósforo.

β-caroteno é encontrado na polpa úmida; α-tocoferol é encontrado no óleo da polpa. Os principais ácidos graxos na polpa são oleico (73%), palmítico (16%) e linoleico (2%). Todas essas substâncias são consideradas matérias-primas na formulação de produtos nutracêuticos, alguns podendo ser administrados também como um "shake".

A macaúba possui algumas substâncias funcionais (zinco, fibras, carotenóides e tocoferóis). Segundo estudos, a dosagem de 300 mg/kg do extrato seco apresenta inibição na redução de edemas, uma vez que seus compostos bioativos atuam na fase vascular da inflamação. O ácido oleico (ômega 9), presente em abundância nesta espécie, é conhecido por proteger o organismo contra o desenvolvimento de doenças relacionadas com a aterosclerose ou trombolismo, por atuar na diminuição do colesterol total, aumentar o HDL e inibir a agregação plaquetária. Alguns estudos atribuem efeito protetor para o ácido oleico na prevenção do câncer de mama. Outra ação conhecida do ácido oleico é anti-inflamatória. 

As altas concentrações de antioxidantes naturais como β-caroteno e α-tocoferol desta palmeira oferecem ação protetora contra doenças cardiovasculares. β-caroteno, transformado no intestino delgado e no fígado em vitamina A (ou retinol), exerce importante função na visão humana. O primeiro sinal de deficiência desta vitamina é a diminuição da percepção da luz crepuscular, conhecida como cegueira noturna (ou hemeralopia), por isso a ingestão diária de certa quantidade desta substância é essencial ao nosso organismo.

Outro composto natural abundante na macaúba é o α-tocoferol, considerado o mais biologicamente ativo, faz parte da família da vitamina E. Há evidências de que esta vitamina protege a vitamina A contra oxidações. A vitamina E exerce ainda atividade moduladora na síntese de prostaglandinas e, como consequência, na atividade de agregação plaquetária. A carência dessa vitamina gera perda da capacidade de reprodução.

Um estudo recente avaliou os efeitos citotóxicos, genotóxicos e mutagênicos do óleo extraído da polpa em ratos. Os autores concluiram que os animais tratados não apresentaram quaisquer alterações mutagênicas ou citotóxicas em eritrócitos do sangue periférico, aumentando assim a evidência da segurança do óleo extraído dessa planta [5].

Outros usos [1]
Esta palmeira é fonte de óleo vegetal para a indústria de combustíveis, cosmética e alimentícia. O processamento dos frutos gera coprodutos de grande valor agregado. 

Dependendo do manejo, o óleo da polpa (mesocarpo) pode ser utilizado como óleo de mesa, pois sua composição se assemelha à do azeite de oliva, ou na produção de margarinas, cremes vegetais e os chamados "shortenings" (gordura sólida à temperatura ambiente, próxima a margarina, usada para fazer massa friável, que se esfarela facilmente).

O óleo da amêndoa tem grande valor na produção de cosméticos devido ao alto teor de ácido láurico (38-45%). Como resíduo final do processo de extração dos óleos, as tortas da polpa e da amêndoa são matérias-primas para a produção de ração de uso animal. O endocarpo (revestimento da amêndoa), pode ser utilizado como carvão e combustível para caldeiras de alto-fornos.

A árvore tem utilidade na recuperação de pastagens degradadas, plantios consorciados e sistemas agrossilvipastoris, proporcionando uma atividade com sustentabilidade econômica e ambiental.

Arara, papagaio, periquito, tuim, tucano são as principais áves atraídas pela macaúba [2].

 Referências

  1. MOTOIKE, S. Y et. alli. A cultura da macaúba: implantação e manejo de cultivos racionais. Editora da UFV, Viçosa (MG), 2013.
  2. WikiAves: Macaúba - Acesso em 12 de julho de 2015
  3. Universidade Federal de Viçosa (2011): Ecologia, Manejo, Silvicultura e Tecnologia da Macaúba - Acesso em 12 de julho de 2015
  4. Scientific World Rural 21: Acrocomia aculeata - A sustainable oil crop - Acesso em 12 de julho de 2015
  5. US National Library of Medicine (2015): Assessment of the cytotoxic, genotoxic, and mutagenic potential of Acrocomia aculeata in rats - Acesso em 12 de julho de 2015
  6. INTERBIO (2013): Utilização do extrato de bocaiúva Acrocomia aculeata como alimento funcional do tipo "shake" - Acesso em 12 de julho de 2015
  7. Imagem:  Universidade Federal de Viçosa - Rede Macaúba de Pesquisa - Acesso em 12 de julho de 2015
  8. The Plant List: Acrocomia aculeata - Acesso em 12 de julho de 2015

GOOGLE IMAGES de Acrocomia aculeata - Acesso em 12 de julho de 2015

Galeria: