Losna

Nome científico: 
Artemisia absinthium L.
Sinonímia científica: 
Artemisia absinthia St.-Lag.
Família: 
Compositae
Partes usadas: 
Folha, flor.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Tujona, flavonoides, ácidos fenólicos (cafeico), taninos, ácidos graxos, esteróis, carotenoides, vitaminas B e C, compostos azulênicos, metilcamazuleno.
Propriedade terapêutica: 
Carminativa, diurética, colagoga, emenagoga, abortiva, antiparasitária, vermífugo, aperiente.
Indicação terapêutica: 
Queimaduras, otite, micose de pele, ulcerações na pele (tópico), feridas, anemia.

Origem
Ásia e Europa.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: common wormwood, green ginger
  • Francês: absinthe
  • Alemão: wermut
  • Italiano: assenzio
  • Espanhol: ajenjo

Descrição
Planta herbácea, mede de 0,40 a pouco mais de 1 m de altura, perene. Caule piloso, curto e sedoso. Folhas pecioladas, alternas, trilobadas na base da planta, com segmentos lanceolados e obtusos; nas medianas são bilobadas e as próximas das flores são de margem inteiras.

Possuem cor esverdeada na parte superior e branco-prateada na parte inferior. As sumidades floridas estão em capítulos subglobosos, amarelos, agrupados em panículas. O epiderme é formado de células sinuosas, contém estomas nas duas faces. Pêlos tectores, glândulas sésseis ou curtissimamente pedunculadas. O mesófilo é heterogêneo.

Todas as partes da planta possuem sabor muito amargo e forte aroma. Cresce espontaneamente em locais pedregosos da Europa, Ásia e norte da África. No Brasil é cultivada em hortas e jardins em locais agrestes; produz melhor em climas temperados. Tem preferência por solo argilo-arenoso, mas cresce em todos os solos desde que permeáveis. A propagação é feita por divisão de touceiras com raízes, estacas de galhos ou sementes.

As folhas devem preferencialmente ser colhidas antes da floração nas primeiras horas do dia. Em cultivos comerciais, corta-se toda a planta após dois anos.

História do absinto. Planta conhecida na Grécia antiga por celtas e árabes para tratamentos digestivos. O licor de absinto (ou "fada verde", líquido verde-esmeralda como também era conhecido) era muito apreciado por poetas e artistas como Van Gogh, Toulouse-Lautrec, Artur Rimbaud, Degas, Manet, Baudelaire, Picasso e outros. O consumo do licor de absinto está proibido na França desde 1915 e atualmente em outros países da Europa e EUA.Na Grécia Antiga esta planta era dedicada a Ártemis, deusa da fecundidade e da caça, daí a origem de seu nome científico.

Uso popular e medicinal
Seu principal componente é um óleo essencial que varia de cor verde-azulada ao amarelo-castanho composto principalmente de tujona e alfa e beta-tujona, representando uma porcentagem superior a 40% dependendo do período de colheita. Foram identificados aproximadamente 60 compostos, mono e sesquiterpenos, muitos deles oxidados. Estão presentes o linalol, 1,8-cineol, beta-bisabolol, alfa-curcumeno e espatulenol, nerol elemol.

Possui lactonas sesquiterpênicas (do tipo guaianólidos) responsáveis pelo sabor amargo que são a absintina(0,20 - 0,28%), artabsina, matricina e anabsintina.

Outros constituintes identificados são flavonoides, ácidos fenólicos (cafeico), taninos, ácidos graxos, esteróis, carotenoides e vitaminas B e C. A cor azulada indica a presença de compostos azulênicos, metilcamazuleno e outros.

O óleo essencial obtido das flores, principalmente no início da floração, contém mais tujona do que o óleo extraído das folhas.

A absintina tem propriedade amargo-estomáquica. A tujona possui ação anti-helmíntica contra Ascaris lumbricoides, efeito estimulante do coração e musculatura uterina. Possui também ação antagônica para envenenamentos por narcóticos.

As preparações administradas por via oral produzem um aumento das secreções biliares, gástricas, devido a presença das substâncias amargas. Tem ação estimulante do apetite e favorece a digestão. O óleo essencial possui propriedades carminativas, espasmolítica, antibacteriana e fúngica.

Segundo a Comissão E e ESCOP é indicada principalmente para a perda de apetite, dispepsia e distúrbios biliares, espasmos gastrointestinais e flatulência.

Um trabalho publicado sobre o óleo essencial da artemisia coletada na França e Croácia testou a atividade antimicrobiana in vitro de Candida albicans e Saccharomices cerevisae var. chevalieri [10].

Outro trabalho feito no Canadá testou na A. absinthium a propriedade acaricida do seu óleo essencial, principalmente pelo composto tujona.

Uma outra espécie (Artemisia annua) está sendo estudada por sua propriedade antimalárica.

 Formas de utilização e dosagem

Utilizar na forma de infusão, tintura e extrato fluido. Decocção para uso externo em feridas, úlceras de pele e compressas.

Outros usos
É muito utilizada na preparação de aperitivos amargos.

 Toxicologia

O óleo essencial puro da losna não é recomendado para uso interno. É altamente tóxico por conter tujona na sua composição. A intoxicação manifesta-se através de espasmos gastrointestinais, vômitos, retenção de urina por complicações renais severas, vertigem, tremores e convulsões. O uso prolongado do absinto (bebida alcoólica feita com a losna) produz um efeito conhecido como absintismo, que se caracteriza por transtornos nervosos, gástricos e hepáticos podendo provocar perturbações da consciência e degeneração do sistema nervoso central.

Não deve ser usada por gestantes e crianças menores. Um trabalho publicado em 2002 na Itália confirmou os efeitos neurotóxicos da tujona.

A planta não dever ser usada continuamente e sem prescrição médica.

 Colaboração

  • Ana Lúcia T. Lima Mota, Bióloga, São Paulo (SP). Março, 2004.
  • Maria Cecília Miranda. Março, 2004.

 Referências

  1. LORENZI,H.; MATOS,F.J. A. Plantas Medicinais no Brasil, nativas e exóticas. 2002
  2. PANIZZA, S. Plantas Curam. Cheiro de mato, 27a. edição.
  3. SOUZA, M. P. et. al. Constituintes químicos ativos de plantas medicinais brasileiras. Ed. EUFC, 1991. 
  4. Pharmacopeia dos Estados Unidos do Brasil ,1929.
  5. FitoterapiaVademecum de Prescripción – CD Rom.
  6. CD-Rom Plantas Medicinais UFLA.
  7. NETEstado. Pesquisa de artemísia está avançada. O Estado de São Paulo, 1997. 
  8. GAMBELUINGE, C.; MELAI, P. Absinthe: enjoying a new popolary among young people?. 2002
  9. HOLSTEGE,C. P et. al. Absinthe: return of the Green fairy. 2002.
  10. JUTEAU, F. et al. Composition and antimicrobial activity of the essencial oil of Artemisia absinthium L. from Croatia and France”. 2003.
  11. Abdin, M.Z. et al. Artemisinin, a novel antimalarial drug: biochemical and molecular approaches for enhanced production.
  12. The Plant List: Artemisia absinthium - Acesso em 5 de março de 2017
  13. Imagem: The Poisson Diaries - Acesso em 5 de março de 2017

GOOGLE IMAGES de Artemisia absinthium - Acesso em 5 de março de 2017

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