Karitê

Nome científico: 
Vitellaria paradoxa subsp. nilotica (Kotschy) A.N.Henry, Chithra & N.C.Nair
Sinonímia científica: 
Butyrospermum parkii subsp. niloticum (Kotschy) Hepper
Família: 
Sapotaceae
Partes usadas: 
Fruto, sementes, raizes.
Princípio ativo: 
Tocoferol (vitamina E), catequina, álcoois de triterpenos, ésteres de ácido cinâmico, lupeol, ácidos graxos insaturados ômega 3 e ômega 6.
Propriedade terapêutica: 
Nutritiva, protetora, hidratante, calmante, elasticizante.
Indicação terapêutica: 
Afecções da pele, queimaduras, dores reumáticas, rinite, tratamento de cabelo.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: shea tree, shea butter
  • Alemão: schibutterbaum
  • Francês, Espanhol: karité

Origem
África.

Descrição
Árvore de ciclo perene, cresce espontaneamente nas savanas do oeste africano (Mali e Burkina Faso) em solos bem drenados e balanceados.

A árvore é robusta, medindo até 20 m de altura, com o tronco medindo até 1 m de diâmetro. Só produz seus primeiros frutos quando alcança 25 anos de idade e chega a sua plenitude aos 40 ou 50 anos. Seu fruto em forma de uma grande ameixa chega a medir até 6 cm.

A polpa do pericarpo é comestível enquanto fresca e contém de 1 a 3 sementes, envolvidas por uma casca fina e quebradiça. Seus dois cotiledôneos são grossos e contém cerca de 50% de uma substância gordurosa.

Cada árvore produz entre 15 e 20 kg de frutas frescas, as quais produzem de 3 a 4 kg de polpa. Para produzir 1 kg de manteiga de karitê, é preciso cerca de 4 kg de polpa. O fruto é espalhado no chão para secar por um certo período e então a polpa é separada da casca e esmagada a frio. A manteiga é extraída por pressão. A produção é pequena, mas esse processo mantém os princípios ativos da fruta intactos.

Quando pronta, a manteiga apresenta um aspecto de pasta cremosa, de cor esbranquiçada e um odor mais ou menos característico. Depois de corretamente refinada, a manteiga perde quase que completamente este odor.

A exploração do karitê tem sido essencial na formação da renda familiar de milhões de famílias na África Ocidental. As nozes são coletadas anualmente para consumo doméstico e para atender a demanda dos mercados locais.

Das castanhas de carité extrai-se uma gordura vegetal de grande valor usada na preparação de alimentos e de cosméticos de alta qualidade para a pele e cabelos. 

O fruto da árvore é rico em vitaminas e minerais e a semente é rica na mistura de óleos e gorduras comestíveis. A polpa doce do pericarpo também representa uma valiosa fonte de energia durante o início da estação chuvosa.

Uso popular e medicinal
A manteiga de karitê tem sido usada há séculos (talvez milênios) para tratamento de pele na África, especialmente em recém-nascidos, conforme comprovado por estudos científicos.

As substâncias bioativas na manteiga residem na fração insaponificável - os componentes solúveis em óleo que não reagem com álcalis para formar sabão - que é um subproduto do processo de produção CBE (Cocoa Butter Equivalent, equivalente a manteiga de cacau) / CBI (Cocoa Butter Improver, melhorador da manteiga de cacau). Elas incluem o antioxidante tocoferol (vitamina E) e catequinas, cuja maior fonte na natureza é o chá- verde.

Outros compostos específicos foram identificados como os álcoois de triterpenos, conhecido por reduzir a inflamação; ésteres de ácido cinâmico, que têm uma capacidade limitada de absorver a radiação ultravioleta (UV); e o triterpenoide lupeol, que impede os efeitos do envelhecimento da pele, inibindo as enzimas que degradam as proteínas da pele.

Algumas empresas européias estão usando o karitê ​​para produzir um medicamento anti-inflamatório para artrite, um tratamento tópico para exzema e outras condições de pele como a herpes e produtos nutracêuticos clinicamente comprovados para reduzir o colesterol humano.

Tradicionalmente a manteiga de karitê foi a única fonte de gordura para grupos étnicos puramente agrícolas como o Mossi (o maior grupo étnico em Burkina Faso). Atualmente karitê é provavelmente a gordura de cozimento primário para uma grande parte das populações rurais onde a espécie ocorre. 

As sementes são exportadas principalmente para as indústrias européias e japonesas de alimentos. Sua gordura é usada em produtos de confeitaria como substituta da manteiga de cacau. Devido a estas características, a manteiga de karitê é usada como base para preparações cosméticas e farmacêuticas para o tratamento de cabelo, queimaduras, etc..

A manteiga é ótima regeneradora celular e contém ácidos graxos insaturados ômega 3 e ômega 6, que são importantes no funcionamento do organismo e na manutenção da pele. O corpo não fabrica estes ácidos, logo eles devem ser ingeridos ou aplicados diretamente, onde passam a formar parte da membrana celular. A carência desse elemento torna a pele, unhas e cabelos secos e descamados.

Um trabalho científico brasileiro analisou o desenvolvimento de fotoprotetores labiais contendo manteiga de karitê como composto bioativo.

Em uso externo, é também indicada em dores reumáticas (massagem) e congestão da mucosa nasal nas rinites (aplicação local).

Outros usos
No campo da cosmiatria, a manteiga é recomendada em pele muito sensível, sujeita à desidratação e irritação. É antialergênica, o que a habilita a ser usada em áreas como os tecidos das mucosas e em volta dos olhos. Tem propriedades nutritiva, protetora, hidratante, calmante e elasticizante

A madeira é utilizada na fabricação de ferramentas e o óleo é empregado na impermeabilização de paredes de residências e fabricação de sabão.

 Cuidado
É levemente irritante quando em contato com os olhos.

 Colaboração

  • João Luiz Dias, arquiteto aposentado pelo Centro Federal de Ensino Tecnológico (CEFET/PA). Setembro de 2006.
  • Érika Alves Tavares Marques, Bióloga (Universidade Federal Rural de Pernambuco)

 Referências

  1. FAO Corporate Document Repository: Shea nut (Vitellaria paradoxa) production and collection in agroforestry parklands of Burkina Faso - Acesso em 13/11/2016
  2. FAO Corporate Document Repository. Reinforcing sound management through trade: shea tree products in Africa - Acesso em 13/11/2016
  3. Biblioteca Digdital (USP, 2013): Influência da manteiga de karitê, do dióxido de titânio e do p-metoxicinamato de octila sobre parâmetros físicos e eficácia in vitro de fotoprotetores labiais moldados - Acesso em 13/11/2016
  4. University of Minnesota (2013): Cocoa Butter Equivalent: The Future of Chocolate? - Acesso em 13/11/2016
  5. Imagem: Medicinal Plants in Nigeria - Acesso em 13/11/2016
  6. The Plant List: Vitellaria paradoxa - Acesso em 13/11/2016

GOOGLE IMAGES de Vitellaria paradoxa - Acesso em 13/11/2016

Galeria: