Jatobá

Nome científico: 
Hymenaea courbaril L.
Sinonímia científica: 
Inga megacarpa M.E.Jones
Família: 
Leguminosae
Partes usadas: 
Casca do caule, fruto, seiva ou resina.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Terpenos e compostos fenólicos com propriedades antimicrobianas, antifúngicas, moluscicidas: ácido copálico, brasilcopálico, flavonoides (astilbina, beta-sitosterol, beta-bourboneno, alfa-delta-cadineno, cariofileno, capaeno, cubebeno).
Propriedade terapêutica: 
Aperiente, vermífugo, expectorante, antiespasmódico, estomáquico, adstringente, peitoral, tônico para o cérebro, antioxidante, laxativo.
Indicação terapêutica: 
Úlcera, diarreia, gripe, anemia, tosse, bronquite, asma, enfisema pulmonar, impotência sexual.

Nome em outros idiomas [4]

  • Inglês: brazilian copal, west indian locust, amami-gum
  • Francês: bois de courbaril, caroubier de la Guyane, courbaril, gomme animée, pois confiture
  • Espanhol: paquio, copal, guapinol, curbaril 
  • Alemão: heuschreckenbaum

Descrição [2,3]

Árvore nativa do Brasil, atinge altura de 15 a 20 m, tem copa ampla e densa, tronco mais ou menos cilíndrico de até 1 m de diâmetro, reto e ramos glabros.

Folhas compostas bifoliadas, folíolos coriáceos, de 6 a 14 cm de comprimento. Flores brancas, grandes, reunidas em inflorescências terminais.

O fruto é um legume curto, doce, comestível, indeiscente de até 13 cm de comprimento, de casca dura, cor marrom escura, contém de 3 a 8 sementes de cor marrom, envoltas por uma substância farinácea, com cheiro desagradável. 

É espécie semidecídua, com florescimento entre outubro e dezembro. Prefere solos argilosos e úmidos. Multiplica-se por sementes.

Uso popular e medicinal
Na região da Mata Atlântica, a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites, especialmente em crianças, enquanto o xarope da casca do caule é indicado contra bronquite e tosse. O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites, asma e como estimulante do apetite. A infusão da casca é usada como tônico para crianças. O fruto é amplamente consumido na região do Vale do Ribeira (SP). Outras propriedades atribuídas a casca são: adstringente, vermífugo, sedativo e peitoral. A seiva é excelente tônico para crianças, estimulando a digestão e fortificando o organismo [2].

Recomenda-se o chá contra diarreia, disenteria e cólicas intestinais. Recomenda-se também o chá de suas folhas contra afecções das vias urinárias, prostalite e cistite crônica. Nos EUA esta planta é usada como um energético natural e como remédio para problemas respiratórios como asma, laringite e bronquite, como descongestionante e fungicida, para o tratamento da bursite, infecções da bexiga, hemorragias, infecções fúngicas, artrites e infecção da próstata. As folhas e a casca desta planta possuem um grupo de fotoquímicos denominados terpenos e fenólicos com propriedades antimicrobianas, antifúngicas, antibacterianas, moluscicidas comprovadas em vários estudos [5].

Com a finalidade de dar suporte científico ao uso tradicional do jatobá, um estudo fitoquímico recente (2014) avaliou o potencial miorrelaxante do ácido oleanólico, metabólito secundário isolado da fração acetato de etila obtida do extrato etanólico das cascas do caule de H. courbaril. Segundo os autores, o ácido oleanólico apresenta atividade miorrelaxante e a sua presença é responsável, pelo menos em parte, pelas propriedades miorrelaxantes atribuídas a H. courbaril, tornando essa substância um candidato a marcador químico e biológico dessa espécie [1].

Constituição química [3]
Em sua composição encontram-se terpenos e compostos fenólicos: ácido copálico, brasilcopálico, flavonoides (astilbina, beta-sitosterol, beta-bourboneno, alfa-delta-cadineno, cariofileno, capaeno, cubebeno).

 Dosagem indicada [3]

Aperitivo, vermífugo, expectorante, antiespasmódico, estomáquico, adstringente, peitoral, tônico para o cérebro, antioxidante, laxativo, contra asma, úlcera, diarreia, gripe, tosse, anemia e como anti-inflamatório. Preparar por infusão e decocção 1 xícara de café de casca de ramos mais velhos. Tomar de 3 a 4 xícaras ao dia.

Seiva: tomar de 2 a 3 colheres antes das refeições.

Tosse, bronquite, asma, enfisema pulmonar. Polpa do fruto cozida e misturada ao leite quente e açúcar.

Interações medicamentosas e associações [3]
A raiz do jatobá pode ser associada ao braço-forte e ao cravinho-do-mato na impotência sexual.

Outros usos
A espécie é usada na arborização de parques e jardins, além de ser cultivada em pomares para consumo de seus frutos. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria e a madeira é usada na construção civil [2]

Indicada também na marcenaria e recomposição da mata ciliar. A madeira, pesada, muito dura ao corte, tem média resistência ao ataque de inseto xilófagos sob condições naturais. Os frutos alimentam a avifauna [5].

 Referências

  1. Anais do XXIII Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil: Potencial miorrelaxante do ácido oleanólico, um triterpeno isolado de Hymenaea courbaril L.
  2. STASI, L. C.; HIRUMA-LIMA, C. A. Plantas Medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. Editora UNESP, São Paulo, 2a ed. revista e ampliada. 2002.
  3. GRANDI, T. S. M. Tratado das Plantas Medicinais - Mineiras, Nativas e Cultivadas. Adaequatio Estúdio, Belo Horizonte. 2014.
  4. Plant Resources of Tropical Africa (PROTA4U): Hymenaea courbaril - Acesso em 24 de maio de 2015
  5. Instituto Brasileiro de Florestas (IBF): Jatobá - Acesso em 24 de maio de 2015
  6. Imagem: © Forest & Kim Starr: Árvore - Fruto e sementes - Acesso em 24 de maio de 2015
  7. The Plant List: Hymenaea courbaril - Acesso em 24 de maio de 2015

GOOGLE IMAGES de Hymenaea courbaril - Acesso em 24 de maio de 2015

Galeria: