Janaúba

Nome científico: 
Euphorbia umbellata (Pax) Bruyns
Sinonímia científica: 
Synadenium grantii Hook.f.
Família: 
Euphorbiaceae
Partes usadas: 
Folha, látex, raiz, caule.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Forbol, bufadienolídeos, ácido gama-aminobutírico, ácidos (behênico, cinâmico, cumárico, siríngico, ferúlico), ácidos graxos saturados, compostos fenólicos, fitosteróis, triterpenos, ácidos orgânicos saturados, flavonoides, astragalina, benzenoides.
Propriedade terapêutica: 
Antioxidante, anticancerígeno, antibacteriana, inseticida, antitumoral.
Indicação terapêutica: 
Verruga, sífilis, problemas cardíacos, menstruação excessiva, dor de garganta, psoríase, impetigo, malária, tosse, doenças cerebrais, câncer.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: African milk bush, African milkbush
  • Espanhol: Carne de perro (Honduras)

Origem
África Tropical, Vale do Zambeze, República do Malawi, Quênia Ocidental e Uganda. Introduzida e naturalizada em muitos países tropicais e subtropicais.

​​Uso popular e medicinal
Embora considerado muito tóxico, irritante da pele e da membrana mucosa, costuma-se ingerir o látex das folhas aquecidas para expulsar parasitas intestinais e às vezes tênia (solitária). Algumas gotas de látex são aplicadas topicamente em verrugas e feridas para o tratamento de sífilis. O látex serve também para expulsar a placenta retida.

A seiva da folha serve para tratar problemas cardíacos e menstruação excessiva.  

A decocção da folha é ingerida como abortivo. Cinzas da folha são tomadas com água para tratar dor de garganta. Aplicado externamente, a decocção da folha serve no tratamento da psoríase e impetigo.

Folhas pulverizadas são esfregadas em escarificações para tratar a dor nas costas. 

Pinga-se um extrato de raiz ou seiva da haste esmagada em gotas nos ouvidos para tratar a dor de ouvido. Uma preparação da raiz é usada como remédio para malária. O pó de caules secos jovens, misturado com sal e lambido, serve para acalmar a tosse [2].

Na medicina popular do Brasil o látex é usado para tratar vários tipos de câncer, alergias, doença de Chagas, hemorragia interna, impotência sexual, lepra, obesidade, úlcera nervosa e cólicas menstruais. É comum as pessoas prepararem a tradicional "garrafada" dissolvendo 18 gotas de látex em 1 litro de água e beber a dose recomendada (um copo 3 vezes ao dia) [3].

O agente químico responsável pelo efeito urticante do látex é o ester 4-deoxiforbol. Outros componentes químicos do látex encontrados na literatura são forbol, bufadienolídeos e ácido gama-aminobutírico. Forbol é um composto orgânico da família dos terpenos com propriedade anticancerígena. Compostos bufadienolídeos são investigados clinicamente devido a possível ação antibacteriana, inseticida, preventiva de câncer e antitumoral. Ácido gama-aminobutírico ("gaba" na sigla em inglês) apresenta importante função neuronal: é consumido pelas células nervosas como energia para o metabolismo cerebral. Alguns estudos com "gaba" misturado a outras substâncias apontam que a seiva de janaúba tem aplicabilidade em doenças cerebrais.

Outros princípios ativos encontrados na seiva são ácidos (behênico, cinâmico, cumárico, siríngico), ácidos graxos saturados (eicosanóico, palmítico), compostos fenólicos (ácidos cafeico, protocatecuico), ácido ferúlico (um potente antioxidante fenólico), fitosteróis (sitosterol, campesterol, estigmasterol), triterpenoide (clionasterol), triterpenos (friedelina, glutinol), ácidos orgânicos saturados (oxálico, succínico), flavonoides (epigalocatequina, kaempferol, patuletina, quercetina), astragalina, benzenoides, cardenolideos, isofucosterol, fosfoenolpiruvato, pseudo-taraxasterol, piruvato, triacontana, hentriacontana [4].

Uma análise recente (2016) mostrou que as frações do látex de E. umbellata têm efeito citotóxico contra três linhagens de diferentes células cancerosas. A fração hexano mostrou elevados efeitos citotóxicos in vitro contra células Jurkat, possivelmente devido a constituintes não polares. Os dois terpenos isolados (euphol e acetato de germanicol) mostraram atividade citotóxica pobre indicando que as propriedades anticâncer do extrato pode ser causada por outras substâncias presentes na fração hexano [1].

Outros usos [2]
O látex de caules jovens e as folhas são usadas em tatuagem. 

O extracto de acetona do látex seco apresentou alta atividade moluscicida contra Biomphalaria alexandrina e Bulinus truncatus (caramujos de água doce), e também propriedades acaricidas. Relata-se que em um experimento em Uganda o extrato matou 62% dos carrapatos. O látex apresentou atividade nematicida significativa contra Meloidogyne javanica (nematóide de galha) infectando a planta "girassol" em casa de vegetação.

 Referências

  1. Journal of Ethnopharmacology (2016): Cytotoxic biomonitored study of Euphorbia umbellata - Acesso em 24 de julho de 2016
  2. Useful Tropical Plants (2016): Euphorbia umbellata - Acesso em 24 de julho de 2016
  3. Revista Brasileira de Farmacognosia (2015): Cytotoxicity of latex and pharmacobotanical study of leaves and stem of Euphorbia umbellata - Acesso em 24 de julho de 2016
  4. Academia.edu: Composição química do látex de Euphorbia umbellata - Acesso em 24 de julho de 2016
  5. The Encyclopedia of Succulents: Euphorbia umbellata - Acesso em 24 de julho de 2016
  6. Imagem: Maurício Mercadante (2012) - Acesso em 24 de julho de 2016
  7. The Plant List: Euphorbia umbellata - Acesso em 24 de julho de 2016

GOOGLE IMAGES de Euphorbia umbellata - Acesso em 24 de julho de 2016

Galeria: