Jambolão

Nome científico: 
Syzygium cumini (L.) Skeels
Sinonímia científica: 
Syzygium cumini var. caryophyllifolium (Lam.) K.K.Khanna
Família: 
Myrtaceae
Partes usadas: 
Folha, semente, casca, fruto.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Jambosina, vitamina C, proteína, gordura, celulose, cinza, cálcio, fósforo, ácidos graxos, amido, dextrina, fitosterol, tanino.
Propriedade terapêutica: 
Hipoglicemiante, adstringente, estomáquica, carminativa, antiescorbútica, diurética, antibiótica,
Indicação terapêutica: 
Diabetes, prisão de ventre, distúrbios gástricos e pancreáticos, disfunção nervosa, diarreia, espasmo, gases, asma, bronquite.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: jambolan, java plum, jamun, naval, neredu, Indian allspice
  • Francês:  jamblon, jamelonier
  • Espanhol: jambolan
  • Italiano: jambolan

Origem
Índia. Adaptou-se muito bem às condições de solo e clima do Brasil, tornando-se espécie subespontânea na região Nordeste.

Descrição
Árvore disseminada em toda a região noroeste do Estado de São Paulo. O fruto é pequeno, ovoide, torna-se roxo escuro quando completamente maduro. Sua pele é fina, lustrosa e aderente.

A polpa, também roxa, é carnosa e envolve um caroço único e grande. O sabor é agradável ao paladar e a cor apresenta grande impacto visual, razão pela qual também é indicada em paisagismo.

A coloração característica do jambolão se deve ao alto teor de pigmentos antociânicos. 

Uso popular e medicinal
Mais do que em qualquer outro ramo, o jambolão é bem reconhecido principalmente na medicina popular e no comércio farmacêutico.

O fruto é indicado pelas propriedades adstringente, estomáquica, carminativa, antiescorbútica e diurética.

Preparados como geleia (ou compota) e ingeridos, aliviam a diarreia aguda. O suco do fruto maduro, a decocção do fruto e o vinagre de jambolão são administrados na Índia em casos de aumento do baço, diarreia crônica e retenção de urina. Diluído em água, o suco é usado como gargarejo em dores de garganta e como loção para micose do couro cabeludo.

As sementes, comercializadas em ¼ de polegada (7 mm) de comprimento, e as cascas são muito utilizadas na medicina tropical. São enviadas da Índia, Malásia e Polinésia e, em pequena escala, das Índias Ocidentais para casas farmacêuticas na Europa e na Inglaterra.

Extratos de fruto e especialmente da semente, em forma líquida ou em pó, são administrados livremente por via oral 2 a 3 vezes ao dia em doentes com diabetes mellitus ou glicosúria. Em muitos casos, o nível de açúcar no sangue é rapidamente reduzido, sem efeitos adversos. No entanto, em algumas regiões, o valor hipoglicemiante de extratos de jambolão é reduzido.

Um estudo em 1940 descobriu que o extrato aquoso das sementes, injetado em cachorros, baixou o açúcar no sangue por longos períodos, mas não baixou quando administrado por via oral. A redução de açúcar no sangue foi obtida em aloxana diabetes em coelhos. Em experiências no Central Drug Research Institute, Lucknow, o extrato alcoólico seco de sementes de jambolão, administrado por via oral, reduziu o açúcar no sangue e glicosúria em doentes.

Segundo alguns pesquisadores, as sementes contêm um alcaloide (jambosine) e um glicósido (jambolin ou antimellin) que cessam a conversão diastásica  (ou enzimática) de amido em açúcar. O extrato de sementes reduziu a pressão arterial em 34,6% e essa ação é atribuída ao teor de ácido elágico. Este e outros 34 polifenóis nas sementes e cascas foram isolados e identificados por pesquisadores.

As folhas, mergulhadas em álcool, são prescritas em diabetes. O suco da folha é eficaz no tratamento da disenteria, quer isoladamente quer em combinação com o suco de folhas de mangueira ou emblic (uma euphorbiaceae, Phyllanthus emblica L.), nativa da Ásia tropical.

Folhas de jambolão podem ser úteis como cataplasmas sobre doenças de pele. Elas produzem 12 - 13% de taninos (em peso seco).

Folhas, caules, flores, botões abertos e casca têm alguma atividade antibiótica. A decocção da casca é tomada internamente para dispepsia, disenteria e diarreia, servindo também como clister (enema, enteroclisma, lavagem intestinal, é a introdução de líquido no intestino através do ânus para lavagem, purgação ou administração de medicamentos).

A casca da raiz é empregada similarmente. Decocção da casca serve para asma e bronquite, são usadas em gargarejos ou como elixir de efeito adstringente na ulceração da boca, gengivas esponjosas e estomatite.

Cinza da casca, misturada com água, são distribuídas nas inflamações locais ou misturadas ao óleo e aplicado em queimaduras. Na terapia moderna, o tanino não é mais aprovado em tecido queimado porque ele é absorvido e pode causar câncer.

 Atenção
A ingestão oral excessiva de produtos ricos em taninos vegetais pode ser perigoso para a saúde.

 Culinária
A polpa do jambolão é utilizada na produção de doces e tortas. Estudos indicam que a produção da geleia de jambolão mostrou-se viável principalmente para o pequeno produtor.

Valor nutricional [2]

Valor por 100 gramas da parte comestível
Principais Minerais Vitaminas
Umidade g 83,7 a 85,8 Cálcio mg 8,3 a 15 A   80 UI
    Magnésio mg 35    
Proteína g 0.7 a 0.129 Cloro mg 8    
Lipídeos g 0,15 a 0,30 Fósforo mg 15 a 16,2 mg Tiamina mg 0,008 a 0,030
    Ferro mg 1,2 a 1,62 mg Riboflavina mg 0,009 a 0,010
Carboidrato g 14,0 Sódio mg 26,2 Ácido fólico mcg  3
Fibra bruta g 0,3 a 0,9 Potássio mg 55 Niacina mg 0,20 a 0,29 mg
Cinzas g 0.32 a 0.40g  Cobre mg 0,23 Vitamina C mg 5,7 a 18
    Enxofre mg 13 Colina mg  7
Também estão presentes ácido gálico, tanino e um traço de ácido oxálico.

 

Composição de nutrientes das sementes

Proteina Gordura Celulose bruta Cinzas Cálcio Fósforo Amido Dextrina Tanino
6,3 - 8,5 % 1,18 % 16,9 % 21,72 % 0,41 % 0,17 % 41 % 6,1 %  6 a 19 %
Também estão presentes ácidos graxos saturados (palmítico, esteárico, oleico e linoleico); traços de fitosterol

A composição de nutrientes da geleia pode ser consultada em Food Science and Technology [1].

Outros usos
A espécie cultivada como planta ornamental no Brasil é muito comum nos canteiros e quadras de Brasília (DF). A coloração roxa da polpa dos frutos apresenta um grande impacto visual devido à presença de antocianinas, pigmentos antioxidantes hidrofílicos também encontrados em frutas como a uva (Vitis sp.) e o “blueberrie” (Vaccinium sp.), que apresentam como vantagem a alta solubilidade em misturas aquosas. Entretanto, a coloração arroxeada provoca mancha nas mãos, tecidos, calçamentos e pinturas de carros, tornando-a pouco indicada para preencher espaços públicos.

Apicultura. ​​A árvore de jambolão tem grande valor na apicultura. As flores têm néctar abundante e são visitadas por abelhas (Apis dorsata) durante todo o dia, fornecendo a maior parte do mel no Ghats Ocidental (Western Ghats ou o Sahyadri), cadeia de montanhas do lado ocidental da Índia a uma altitude de 1.370 m e precipitação anual de 750 - 1000 mm. O mel é de grande qualidade, mas fermenta em poucos meses se não for tratado.

 Colaboração

  • Lidia Cunha Nogueira, Sanitarista e Fitoterapeuta, São Paulo (SP)
  • Tarsila Sangiorgi Rosenfeld, Comunicóloga, São Paulo (SP)

 Referências

  1. Food Sciense and Technology (2006). Produção de geleia de jambolão: processamento, parâmetros físico-químicos e avaliação sensorial - Acesso em 4 de dezembro de 2016
  2. Purdue Agriculture: Jambolan - Acesso em 4 de dezembro de 2016
  3. AGOSTINI-COSTA, T.S.; SILVA, D.B (2008). Jambolão: a cor da saúde - Acesso em 4 de dezembro de 2016
  4. Compilação de textos: Jambolão em outros websites - Acesso em 4 de dezembro de 2016
  5. Imagem (árvore): Wikimedia Commons (Author: Forest & Kim Starr) - Acesso em 4 de dezembro de 2016
  6. The Plant List: Sysygium cumini - Acesso em 4 de dezembro de 2016

GOOGLE IMAGES de Syzygium cumini - Acesso em 4 de dezembro de 2016

Galeria: