Jacareúba, guanandi

Nome científico: 
Calophyllum brasiliense Cambess.
Sinonímia científica: 
Calophyllum brasiliense subsp. mariae (Planch. & Triana) Vesque
Família: 
Clusiaceae
Partes usadas: 
Casca, látex, folha.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Flavonoides, xantonas, guanandina, jacareubina, quercetina, ácidos (gálico, protocatético, brasiliênsico, isobrasiliênsico, betulínico).
Propriedade terapêutica: 
Antirreumática, antifúngica, gastroprotetora, analgésica, anti-HIV, antibacteriana, antitumoral, inibidora da H+,K+-ATPase gástrica e enzima conversora da angiotensina.
Indicação terapêutica: 
Supuração de abscessos, ulcerações crônicas, diabetes, fortalecimento de tendões de animais.

Origem
Nativa de regiões tropicais e subtropicais da América Central, América do Sul e Caribe.

Descrição [3,4,5]

Árvore gutífera alta e frondosa, tronco reto e cilíndrico, fuste até 15 m. Casca com espessura até 40 mm, de cor marrom-escura ou pardacenta.

Flores brancas, pequenas, aromáticas, em racimos multifloros, axilares e terminais. 

Fruta tipo drupa globosa, verde, carnosa, de endocarpo com crosta, cobiçada por aves silvestres e talvez suínos. Tem polpa oleaginosa de cheiro agradável de onde extrai-se óleo industrial com 44% de pureza.

A madeira é valiosa por apresentar múltiplos usos: construção civil e fluvial, marcenaria, compensados, papel, recomposição de matas ciliares, paisagismo e arborização urbana.

Uso popular e medicinal [1,2]

A goma-resina que exsuda da casca, quando ferida, é conhecida como “bálsamo-de-jacareúba” ou “bálsamo-de-landim”. Tanto a goma-resina quanto as folhas e a própria casca são empregadas na medicina tradicional em suas regiões de ocorrência. A goma é aromática, amarga, adstringente e reputada como antirreumática. Externamente é empregada para estimular a supuração de abscessos e tratamento de ulcerações crônicas. 

Na região amazônica o chá de suas folhas e casca é empregado no tratamento de diabetes.

Na medicina veterinária é usada como anti-inflamatório e para fortalecer os tendões dos animais. 

Uma análise da composição química e atividade analgésica das folhas de C. brasiliense e do extrato aquoso da casca do tronco mostrou efeito gastroprotetor, in vivo, em lesões experimentais realizadas na mucosa gástrica de ratos.

Um estudo farmacológico em ratos com folhas e casca do tronco constatou a ação hipoglicemiante, largamente preconizada pela medicina tradicional. Nos estudos fitoquímicos constatou-se a presença de xantonas em sua parte lenhosa, além de guanandina, jacareubina e derivados da guanandina.

Quanto a quimiossistemática, plantas desse gênero consistem principalmente de cumarinas, xantonas, esteroides, triterpenos e biflavonoides. Nas folhas foram isolados quercetina, ácido gálico, ácido protocatético, hiperosídeo, amentoflavonas e derivados cumarínicos do tipo mameína (A/BA, B/BB), isomameigina; da casca, foram isolados ácidos brasiliênsico e isobrasiliênsico, ácido isoapetálico, ácidos cromanomas, canofilol, amentoflavona, toxiloxantona A, desoxijacareubina, desoxigartanina, piranojacareubina, garcinina B, latisxantona C, brasixantonas A, B, C, D, E, F e G (sob forma de óleo amarelo) e derivados cumarínicos, as brasimarinas A, B e C.

Das raízes isolaram-se dihidroxi-xantonas, friedelina e ácido betulínico, enquanto nos frutos, os principais compostos são ácidos gálico e protocatético, com predominância nas flores de ácido protocatético e epi-catequina.

Um trabalho científico atesta o uso popular da entrecasca de C. brasiliense para úlceras gástricas. Foi realizada uma triagem anti-Helicobacter pylori (agente da úlcera péptica humana) in vitro de extratos de várias plantas do Cerrado Brasileiro, para seleção da mais potente e ativa. A autora registra que C. brasiliense é rica fonte de substâncias bioativas com propriedades antifúngica, gastroprotetora, analgésica, anti-HIV, antibacteriana, antitumoral e inibidora da H+,K+-ATPase gástrica e enzima conversora da angiotensina.

Na triagem utilizou-se os métodos de difusão em disco e microdiluição em caldo. A análise fitoquímica preliminar do extrato hidroetanólico de C. brasiliense e diclorometânica 2 destacou a presença de flavonoides e xantonas, sendo que as cromanonas – ácido brasiliênsico, isobrasiliênsico e inofilóidico, isolados da fração diclorometânica 2, figuram como potenciais compostos responsáveis, em parte, pela atividade anti-H. pylori e antiúlcera deste vegetal.

Tais resultados indicam que a atividade antiúlcera de ambos os extratos envolve diferentes compostos e mecanismos de ação, incluindo uma ação anti-Helicobacter pylori, o que suporta o uso popular da entrecasca desta espécie para úlceras gástricas.

 Dedicado a Antonio dos Santos (Manaus, AM)

 Referências

  1. Universidade Federal de Mato Grosso (2008): Atividade anti-Helicobacter pylori in vitro de plantas medicinais do cerrado matogrossense e atividade anti-Helicobacter pylori in vivo do extrato hidroetanólico e fração diclorometânica de Calophyllum brasiliense - Acesso em 13 de maio de 2018
  2. Universidade Estadual Paulista (UNESP, Campus de Rio Claro, 2007): Estudo da atividade antimicrobiana de algumas árvores medicinais nativas com potencial de conservação ou recuperação de florestas tropicais - Acesso em 13 de maio de 2018
  3. SOUZA, J. S. I; PEIXOTO A. M.; TOLEDO, F. F. Enciclopédia Agrícola Brasileira. Editora da USP (EDUSP), São Paulo. 1995.
  4. Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF): Calophyllum brasiliensis - Acesso em 13 de maio de 2018
  5. Informativo Técnico Rede de Sementes da Amazônia (2005): Jacareúba - Acesso em 13 de maio de 2018
  6. Imagens: Wikimedia Commons (Autor: Mauro Guanandi)
  7. The Plant List: Calophyllum brasiliense - Acesso em 13 de maio de 2018

GOOGLE IMAGES de Calophyllum brasiliense - Acesso em 13 de maio de 2018

Galeria: