Ipê-roxo

Nome científico: 
Handroanthus impetiginosus (Mart. ex DC.) Mattos
Sinonímia científica: 
Tecoma impetiginosa Mart. ex DC
Família: 
Bignoniaceae
Partes usadas: 
Entrecasca (líber) ou o lenho (cerne).
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Lapachol, betalapachona.
Propriedade terapêutica: 
Anti-inflamatória, cicatrizante, analgésica, sedativa, tônica, antimicrobiana.
Indicação terapêutica: 
Cura de doenças neoplásicas e inibidoras de várias tumurações.

Origem
Árvore nativa da mata atlântica brasileira. Ocorre praticamente em todas as regiões brasileiras.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: pink lapacho, pink ipe
  • Espanhol: lapacho rosado

Descrição [4]
O ipê-roxo é uma árvore de porte avantajado muito difundida na América. Atinge de 5 a 15 m de altura. Tronco de 60 a 90 cm de diâmetro.

Folhas compostas 5-folioladas, folíolos coriáceos, pubescentes em ambas as faces, com margens inteiras. Inflorescências em panículas roxas. O fruto é uma cápsula septicida grossa, não comestível. Floresce de maio a agosto com a árvore totalmente despida da folhagem. Os frutos amadurecem em setembro e outubro.

Uso popular e medicinal
A parte usada da planta é a entrecasca (líber) ou o lenho (cerne). O cerne contém, entre outros princípios ativos, o lapachol e a betalapachona, substâncias já conhecidas como auxiliares na cura de doenças neoplásicas e inibidoras de várias tumurações.

Em 1956 o pesquisador Oswaldo Gonçalves de Lima, do Departamento de Antibióticos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), extraiu a naftoquinona do ipê-roxo e possibilitou posteriormente a fabricação do lapachol, remédio usado no tratamento de câncer de estômago. A betalapachona, um subproduto do lapachol, também isolada pelo pesquisador, está sendo pesquisada para desenvolver as possíveis formas farmacêuticas do produto.

Pelas suas propriedades anti-inflamatória, cicatrizante, analgésica, sedativa, tônica e potente ação antimicrobiana, pau d´arco é indicado nos casos de úlceras varicosas, feridas de qualquer origem, varizes e hemorroidas, reumatismo, artrite, doenças da pele, eczema, gastrites, inflamação intestinal, inflamação do aparelho genital feminino, cistite, bronquite e anemia.

Favorece a circulação e age em várias formas de diabetes, especialmente a diabetes dos jovens. Preparados em cápsulas, extratos, fluido, tintura e pomada são facilmente encontrados em casas especializadas [1,3].

A entrecasca do ipê-roxo, em qualquer forma de remédio caseiro, deve sempre ser usada seca e nunca fresca. Pode ser preparada na forma de garrafada com vinho branco ou cachaça, ou tintura com álcool de cereais. Prepara-se o chá colocando-se a entrecasca seca de molho na água fria. A entrecasca seca é também utilizada para fazer pomadas.

Garrafada, tintura ou chá da entrecasca seca do ipê-roxo são indicados para inflamações, câncer de útero e próstata, infecção dos rins, problemas de pele, doenças do coração, derrame, pressão alta, prisão de ventre, inflamação do fígado e doenças sexualmente transmissíveis. A pomada do ipê-roxo é usada como cicatrizante de ferimentos, para tratar coceiras e manchas da pele [2].

 Dosagem indicada [1]

Chá: 1 colher da casca rasurada, em 1 litro de água. Ferver. Tomar ao dia como água. É atóxico. Tomar 3 cápsulas ao dia em altas doses. Se ocasionar ligeira urticária, diminuir a dose e administrar um antialérgico, para voltar depois à dose anterior.

O extrato manipulado com o cerne do pau d´arco deve ser usado na dose mínima de 1 colher de chá em um copo com água, 4 vezes ao dia, podendo ainda ser tomado de 3 em 3 horas, de 2 em 2 horas ou de 1 em 1 hora.

Nos casos de feridas ou úlceras varicosas, a pomada deve ser usada 2 vezes ao dia, administrando-se também o extrato ou tintura.

 Atenção [2]
A planta não é indicada para crianças, grávidas ou menstruadas. Remédios caseiros preparados com álcool não devem ser ingeridos por hipertensos ou por quem esteja utilizando medicamentos. 

A quem faz uso da garrafada ou chá de ipê-roxo, recomenda-se seguir uma dieta alimentar sem alimentos gordurosos. 

Outros usos
A árvore é muito usada em arborização urbana, escolas e parques. A madeira é de boa durabilidade e resistência contra organismos que dela se alimentam, sendo difícil de serrar ou pregar. Utilizada na construção civil, currais e acabamentos internos.

Da casca são extraídos os ácidos tânicos e lapáchico, sais alcalinos e corante usados no tingimento de algodão e seda.

 Referências

  1. Laboratório de Plantas Medicinais "Prof. Walter Accorsi", USP/ESALQ (2004).
  2. DIAS, J. E. LAUREANO, L. C. (Coord.). Farmacopeia Popular do Cerrado. s.l., GO: Articulação Pacari, 2009.
  3. Jornal BIOQUIMICAp (2012): Nosso cientista Oswaldo Gonçalves de Lima - Acesso em 8 de janeiro de 2016
  4. Instituto Brasileiro de Florestas (IBF): Ipê-roxo - Acesso em 8 de janeiro de 2016
  5. Imagem: Wikimedia Commons (Author: J. M. Garg) - Acesso em 8 de janeiro de 2016
  6. The Plant List: Handroanthus impetiginosus - Acesso em 8 de janeiro de 2016

GOOGLE IMAGES de Handroanthus impetiginosus - Acesso em 8 de janeiro de 2016

Galeria: