Hibisco

Nome científico: 
Hibiscus sabdariffa L.
Sinonímia científica: 
Abelmoschus cruentus (Bertol.) Walp.
Família: 
Malvaceae
Partes usadas: 
Cálice seco, folha.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Mucilagem, antocianinas (hibiscina, cianidina, delfinina), pigmentos flavônicos, ácidos (tartárico, málico, cítrico, hibístico), fitosteróis (sitosterol, campesterol, ergosterol, estigmasterol).
Propriedade terapêutica: 
Demulcente, colerética, hipotensora, diurética, laxante, antiespasmódica, adstringente, expectorante, protetor da mucosa estomacal, digestivo, fluidificante do suco biliar.
Indicação terapêutica: 
Constipações e irritações de vias respiratórias.

Origem
África oriental e tropical, hoje existe silvestre no Egito, México, Jamaica, Sri Lanka. Exige solo drenado.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: red sorrel, jamaica sorrel
  • Espanhol: té de Jamaica
  • Italiano: carcade
  • Francês: roselle

Descrição
O gênero hibiscus compreende 200 espécies de plantas anuais, perenes, arbustos e árvores que formam parte da flora tropical e subtropical.

H. sabdariffa em geral é anual e alcança em média uma altura de 2 a 3 m. As folhas inferiores são ovaladas e simples, ao passo que as superiores tomam uma forma lobulada.

Os talos terminam em um ralo ramo de flores de um amarelo pálido, rosa arroxeada ou púrpura. A espécie típica tem flores amarelas, existindo o cultivar "Albus" de flores brancas e outras com ramagem verde.

Quando terminam a floração estas formam um cálice vermelho e carnoso. O cálice contém uma quantidade de pigmentos vegetais e ácidos. São usados como bebida popular e refrescante.

O conjunto de cálice e corola formam a parte mais importante da planta, que popularmente é chamado de fruto, é uma cápsula oval com 5 lóbulos, revestida de pelos finos e picantes, contendo no interior várias sementes.

Colhem-se as folhas e as flores, sendo que para consumo deve-se extrair somente o cálice das flores.

Folhas e cálice das flores são secos ao sol, em local ventilado, sem umidade e armazenados em sacos de papel ou de pano.

Atenção. O hibisco que tratamos aqui (H. sabdariffa) não é o hibisco ornamental tão comum no Brasil.

Uso popular e medicinal
Tem mucilagem que o faz demulcente e útil em constipações e irritações de vias respiratórias. Os flavonoides conferem propriedades espasmolítica (intestinal), colerética, hipotensora e diurética. Há trabalho mostrando que a flavona gosipetina inibe a versão de angiotensina I em II.

Também abaixa a taxa de lipídeos totais no sangue. As antocianinas têm efeito vasodilatador.

O povo o usa como diurético, colerético, laxante e antiespasmódico.

Os princípios ativos e minerais concentram-se nas flores e folhas:

  • Flores: mucilagens, ácidos orgânicos (cítrico, málico e tartárico), flavonoides, derivados antociânicos.
  • Folhas: proteínas, fibras, cálcio, ferro, carotenos, vitamina C.

Usado na forma de chás dão um colorido especial e um sabor muito bom. Um efeito medicinal específico ainda não foi comprovado.

Dosagem indicada
Digestivo estomacal, refrescante intestinal, diurético, protetor da mucosa (bucal, bronquial e pulmonar). Em uma xícara (chá) coloque 1 colher (sopa) de flores (cálices) picadas e adicione água fervente. Abafe por 10 minutos e coe. Tome 1 xícara (chá) de 1 a 3 vezes ao dia. Podem ser acrescentadas algumas gotas de limão.

Fluidificante do suco biliar, digestivo estomacal, refrescante intestinal. Coloque 3 colheres (sopa) de folhas (cálices) picadas em meio litro de vinho branco seco. Deixe em maceração por 8 dias, agitando de vez em quando e coe. Tome 1 cálice antes das principais refeições.

Protetor da mucosa (estomacal e intestinal). Coloque 1 colher (chá) de flores (cálices) picadas em 1 xícara (chá) de água em fervura. Desligue o fogo, abafe por 10 minutos, espere amornar e coe. Tome 1 xícara (chá) 3 vezes ao dia.

Curiosidade
Na Suíça, onde é chamado de kerkade, serve para aromatizar vinhos. Os talos dão o que se chama "cânhamo de hibiscus". Há uma variedade, a H. rosa sinensis L, ou rosa china, com corola branca, amarela ou roxo-purpúreo que também ocorre no Caribe onde é usada como adstringente e expectorante.

 Culinária
Os naturalistas usam a gelatina natural, incolor, com o chá do hibisco adoçado devido a cor vermelha natural que substitui os corantes químicos.

Geleia de flores 

  • Em um pilão coloque 5 colheres (sopa) de flores (cálices) frescas e amasse bem até adquirir uma consistência pastosa. Em seguida adicione 3 colheres (sopa) de açúcar cristal.
  • Leve ao fogo brando e deixe em fervura, mexendo sempre com uma colher de pau para não grudar no fundo da panela. Quando adquirir o ponto de geleia, desligue o fogo e ainda quente acondicione em vidros até a boca e tampe. Espere esfriar e armazene em geladeira. Utilize como geleia no desjejum.

 Colaboração

  • Luiz Carlos Leme Franco, médico e professor de Fitoterapia, Curitiba (PR).

 Referências

  1. PANIZZA, S. Plantas que curam - Cheiro de Mato. IBRASA, São Paulo, 4a ed., 1997.
  2. THOMSON, W. A. R. Guia Práctica Ilustrada de las Plantas Medicinales. Editora Hemus, Barcelona, 1981.
  3. LORENZI, H.; SOUZA, H. M. Plantas Ornamentais no Brasil. Instituto Plantarum, Nova Odessa (SP), 4 ed., 2008.
  4. Gotas de Saúde (2003): Hibisco - Acesso em 14 de novembro de 2014
  5. Imagem: Wikimedia Commons (Author: B. Simpson) - Acesso em 14 de novembro de 2014
  6. The Plant List: Hibiscus sabdariffa - Acesso em 14 de novembro de 2014

GOOGLE IMAGES de Hibiscus sabdariffa - Acesso em 14 de novembro de 2014

Galeria: