Guaco

Nome científico: 
Mikania laevigata Sch.Bip. ex Baker
Sinonímia científica: 
Não há sinônimo para este nome
Família: 
Compositae
Partes usadas: 
Folha, ramos novos e flores.
Princípio ativo: 
Óleo essencial, esteróis, cumarinas livres, traços de saponina, taninos, resina.
Propriedade terapêutica: 
Broncodilatador, antisséptico, expectorante, antiasmático, febrífugo, sudorífico, anti-reumático, cicatrizante.
Indicação terapêutica: 
Prevenção e tratamento do asma (atua como dilatador dos brônquios, desobstruindo as vias respiratórias), contra picada de cobra e inseto.

Formulário de Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira
Duas espécies de guaco (M. glomerata e M. laevigata) têm uso científico comprovado como expectorante nas preparações infusão, tintura e xarope. Para mais informações, consulte a monografia.

Descrição
É uma planta trepadeira, de caule volúvel, delgado, cilíndrico e sem gavinhas. Ramos abundantes, longos, lisos e quando novos, tenros, de coloração verde-clara ou arroxeada.

Flores grossas, coriáceas e membranáceas, aromáticas, glabras, simples, opostas de ápice acuminado e face obtusa, de cor verde-escura na base superior e verde mais clara na face inferior com até 15 cm de comprimento e até 9 cm de largura.

Os pecíolos são longos e podem se enrolar nos suportes, contribuindo para a sustentação da planta. Flores brancas e amareladas, em inflorescências do tipo capítulo, reunidas em panículas vistosas.

A espécie M. glomerata é muito semelhante à M. laevigata, mas segundo alguns pesquisadores há diferenças marcantes. M. laevigata tem folhas ovalado-lanceoladas enquanto M. glomerata tem folhas lanceolado-hastadas. Nesta última é comum apresentar folhas não hastadas nos ramos novos e perto das inflorescências.

Guaco desenvolve-se bem em solos profundos, bem drenados e ricos em matéria orgânica. Prefere climas tropicais e temperados brandos. Não tolera frio e morre com geada. A planta prefere locais semi-sombreados.

A propagação se dá por estacas, alporquia ou mergulhia. Para fazer as estacas, corta-se o ramo com 0,5 a 1 cm de diâmetro e 30 a 50 cm de comprimento. Retiram-se as folhas e mergulham-se 10 a 12 cm da parte inferior dessa estaca num vaso com água. Deixa-se assim em torno de 45 a 60 dias para se produzirem raízes na extremidade submersa.

Após esse período, com muito cuidado para não prejudicar as raízes, faz-se o plantio procurando produzir sombra parcial no local pelo período de 1 mês e mantendo-se o solo úmido. O espaçamento é de 2 m entre plantas e de 2,5 m entre linhas. As plantas devem ser conduzidas em cercas ou espadeiras (na vertical, como parreiras) com 1,20 a 1,50 m de altura.

As plantas podem ainda ser conduzidas em latadas (na horizontal, como parreiras) com 1,50 a 1,80 m de altura. Essa condução das plantas muitas vezes exige amarrações.

O plantio deve ser feito na primavera, sendo que o período de enraizamento pelo processo anteriormente referido pode ser feito no inverno.

A colheita das folhas deve ser feita quando estiverem bem desenvolvidas (adultas) e enxutas. O ideal é colher a partir do 2º ano.

Para armazenamento as folhas devem ser bem secas à sombra ou em estufa, com temperatura de até 35º C durante um período de aproximadamente 48 horas.

Uso popular e medicinal
O guaco apresenta comprovada e importante ação sobre as afecções do trato respiratório, principalmente nos casos de asma, tosse, bronquite e resfriados com efeito broncodilatador, expectorante, anti-inflamatório, antisséptico e analgésico. Possui também ação antirreumática, diurética e contra os efeitos das picadas de insetos.

Externamente é usado nos casos de dermatite e micose na forma de chá, ou o sumo da planta fresca usado como compressas locais ou banhos.

Para as afecções do trato respiratório o guaco é usado na forma de infusão ou xarope.

O guaco contém óleo essencial (diterpenos constituídos por ácido isobutiriloxi-caurenóico e levepol, ácido caurenóico, engenol, cineol, ácido cinamiol, ácido grandiflórico e estigurasterol), esteróis, cumarinas livres e traços de saponina. Contém ainda taninos, resinas e flavonoides.

A cumarina é a substância responsável pelo cheiro característico da planta fresca.

 Preparo e dosagem
Xarope. O xarope deve ser preparado em banho-maria, usando-se as folhas secas ou frescas picadas, que são colocadas em calda preparada com 1 copo de água (200 ml) e 4 copos de açúcar mascavo ou 2 copos de açúcar cristal. Após a fervedura da calda, acrescentam-se 2 colheres (sopa) de folhas secas ou 4 colheres (sopa) de folhas verdes picadas.

Deixa-se aquecer por 3 a 5 minutos cuidando para que a temperatura não ultrapasse os 80º C, pois não pode ferver. Deixa-se esfriar, coa-se e coloca-se em frasco de vidro esterilizado (fervido) e bem tampado. Guarda-se na geladeira devidamente etiquetado pelo prazo máximo de 15 dias.

Para adultos recomenda-se 1 colher (sopa) 3 a 4 vezes ao dia. Para crianças menores de 5 anos usar 1/3 da dose do adulto. Para menores entre 5 a 12 anos usa-se a metade da dose do adulto, também 3 a 4 vezes ao dia.

Infusão. O chá deve ser feito usando-se 6 colheres (sopa) de folhas verdes ou 3 colheres (sopa) de folhas secas para 1 litro de água fervente. Adultos devem tomar 1 xícara; crianças até 5 anos 1/3 de xícara e as que tenham entre 5 e 12 anos, meia xícara 3 a 4 vezes ao dia.

Interações com medicamentos
A varfarina cuja estrutura química resulta de uma modificação da cumarina, é um anticoagulante oral que atua como inibidor da vitamina K, um cofator essencial para a síntese de fatores da coagulação II, VII, IX e X. Outras moléculas com o esqueleto químico das cumarinas, como acenocumarol, femprocumona e dicumarol também apresentam atividade anticoagulante.

Como o guaco é rico em cumarinas, é desaconselhável para crianças com idade inferior a um ano e mulheres no período gestacional. Além disso, o uso prolongado pode provocar acidentes hemorrágicos, pelo antagonismo à vitamina K.

Além da interação com anticoagulantes, um estudo demonstrou que extratos secos de guaco poderão interagir sinergicamente in vitro, com alguns antibióticos como tetraciclinas, cloranfenicol, gentamicina, vancomicina e penicilina, no entanto o mecanismo de ação ainda é desconhecido.

 Cuidados

  • O guaco quando usado em excesso pode causar vômitos, diarréia e hipertensão.
  • Não deve ser usado no período pré-menstrual porque aumenta o fluxo sanguíneo.
  • O xarope não deve ser usado por diabéticos por conter muito açúcar.
  • Em uma pesquisa científica, foi encontrado em média um teor de 80% de atividade antimicrobiana com relação a Pseudomonas aeruginosa
  • Guaco é contraindicado para crianças menores de 1 ano por causar sonolência e a criança não conseguir tossir, não podendo assim expelir o catarro

 Referências

  1. NOLLA, D.; SEVERO, B. M. A.; MIGOTT, A. M. B. Plantas Medicinais. Editora Universitária UPF, Passo Fundo. 2005.
  2. Jornal da UNICAMP (2002): CPQBA demonstra eficiência do guaco contra úlcera e outros males - Acesso em 20/12/2014
  3. ESALQ/USP (1999): Manejo e Produção de Plantas Medicinais e Aromáticas - Acesso em 20/12/2014
  4. ESALQ/USP (1999): Cultivo de Horta Medicinal - Acesso em 20/12/2014
  5. Revista Brasileira de Plantas Medicinais (2012): Farmacobotânica, fitoquímica e farmacologia do guaco - Acesso em 20/12/2014
  6. Imagem: Banco de Dados CBQPA (UNICAMP) - Acesso em 20/12/2014
  7. The Plant List: Mikania laevigata - Acesso em 20/12/2014

GOOGLE IMAGES de Mikania laevigata - Acesso em 20/12/2014

GOOGLE IMAGES de Mikania glomerata - Acesso em 20/12/2014

Galeria: