Fumo, tabaco

Nome científico: 
Nicotiana tabacum L.
Sinonímia científica: 
Nicotiana chinensis Fisch. ex Lehm.
Família: 
Solanaceae
Partes usadas: 
Folha.
Princípio ativo: 
Nicotina, terebentina, formol, amônia, naftalina, entre outras.
Indicação terapêutica: 
No passado o tabaco foi tido como remédio para várias doenças: dor de cabeça, enxaqueca, males do estômago, úlcera, gengivite, dor de dente. A partir de meados do século XX, foi comprovado que provoca câncer.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: tobacco
  • Alemão: tabak
  • Italiano: tabacco

Origem
N. tabacum é nativa da América Tropical e Subtropical, é comercialmente cultivada em todo o mundo. Outras variedades são cultivadas como plantas ornamentais ou crescem como erva daninha.

Descrição
Nicotiana tabacum L. é planta anual robusta de 2,5 m de altura, pouco ramificada, com folhas grandes e verdes e flores brancas. Todas as partes são pegajosas, coberta de pêlos que exalam uma secreção amarela contendo nicotina.

Há mais de 60 espécies (N. rustica, N. petunoides, etc.), entretanto somente a Nicotiana tabacum tem interesse, pois é a única que sintetiza o alcaloide nicotina nas raízes, que se acumula nas folhas na concentração de 2 a 4%. A nicotina estimula a síntese da dopamina no cérebro, que provoca a sensação de prazer e bem estar.

Além da nicotina, encontra-se no tabaco um número muito grande de outras substâncias, algumas muito tóxicas como por exemplo terebentina, formol, amônia e naftalina.

As formas de uso comum são fumar ou inalar através de cigarro, charuto, cachimbo, rapé e mascar o assim chamado "tabaco de mascar."

Uso popular e medicinal
Em seu trabalho de mestrado Os significados do tabagismo construídos na dinâmica social [1], o autor destaca o tabaco como um remédio para "todas as doenças". Relembra o contato dos colonizadores portugueses com os indígenas brasileiros, com quem aprenderam a pulverizar o pó sobre feridas (poder cicatrizante) e a fumar para diminuir o tédio das viagens marítimas.

A espécie foi levada a Portugal, plantada nos jardins da Infanta D. Maria e devido as suas propriedades medicinais passou a ser chamada de "erva santa" ou "erva das Índias", capaz de curar dores de cabeça, males do estômago, úlceras cancerosas, gengivites e fístulas, sendo até cultivada pela Farmácia Real em Lisboa.

Em pouco tempo surgiu uma literatura médica empenhada em provar que a erva podia curar nevralgias, dores de dente, pústulas (infecção que forma bolha de pus), enxaqueca, gota, febre intermitente e até "expulsar demônios". Acreditavam que os germes da sífilis poderiam se espalhar pelo ar e provavelmentae o fumo poderia também curar os sintomas dessa doença.

Na França o tabaco prosperou por influência da rainha Catarina de Médici. Esta tinha como embaixador em Portugal Jean Nicot, que propagou seu uso como remédio para gargarejo, inalações e limpeza dos dentes. Sua importância foi tal que o nome científico do tabaco passou a ser Nicotiana tabacum. Por ironia, o principal alcalóide do tabaco, a nicotina, é também a substância que suja os dedos e dentes quando se fuma.

No Sri Lanka o tabaco foi introduzido como remédio para beribéri. 

Por muitos anos o tabaco foi considerado um "remédio infalível", talvez por isso tenha se difundido para o mundo todo. A partir do século XVII o tabaco começou a receber críticas e em meados do século XX descobertas científicas comprovaram que a erva provoca câncer.

Cultura do fumo (fumicultura)
O setor fumageiro tem grande importância social pois gera renda para um grande número de pessoas, além de ser uma cultura que viabiliza a pequena propriedade, tendo boa rentabilidade por hectare.

Dados de 2014 apontam que aproximadamente 183 mil famílias vivem da cultura do fumo no Brasil. Nosso país é o 2º maior produtor, atrás apenas da China, e o 1º exportador.

A propagação é por sementes, fazendo-se o plantio em bandejas. A semeadura em estufas pode ser feita em junho e julho e a germinação ocorre entre 7 a 10 dias. O transplante das mudas se faz com 10 a 15 cm de altura.

A retirada das folhas e flores é feita em torno de 70 a 90 dias após o transplante. A planta de fumo produz de 20 a 23 folhas que, depois de seca, equivale em média de 80 a 110 gramas por planta.

Após o corte, a planta revigora-se, nasce um novo caule e dependendo da saúde, suporta até 5 cortes. As flores são removidas manualmente (mais de 50 por pé), no processo chamado desbotoamento, para dirigir a força vital às folhas.

 Referências

  1. SOUZA, D. L. B. Os significados do tabagismo construídos na dinâmica social. UFRGN, Natal (RN), 2006. 
  2. FAVARIM, J. L. Tecnologia da produção de fumo. ESALQ/USP, Piracicaba.
  3. Escola Paulista de Medicina (UNIFESP): Tabaco - Acesso em 3 de janeiro de 2016
  4. Wikipedia: Nicotiana tabacum - Acesso em 3 de janeiro de 2016
  5. Charutos: Como se faz um charuto - Acesso em 3 de janeiro de 2016
  6. Globo Rural (2014): Produção de tabaco no Brasil - Acesso em 3 de janeiro de 2016
  7. Imagem: Wikimedia Commons (Author: Magnus Manske) - Acesso em 3 de janeiro de 2016
  8. The Plant List: Nicotiana tabacum - Acesso em 3 de janeiro de 2016

GOOGLE IMAGES de Nicotiana tabacum - Acesso em 3 de janeiro de 2016

Galeria: