Fruta-pão

Nome científico: 
Artocarpus altilis (Parkinson ex F.A.Zorn) Fosberg
Sinonímia científica: 
Sitodium altile Parkinson ex F.A.Zorn
Família: 
Moraceae
Partes usadas: 
A planta toda.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Artocarpina, papaiotina, quercetina, canferol, ácido gama-aminobutírico, esteróis ciclopropânicos.
Propriedade terapêutica: 
Emoliente (flor), tônico (sementes), cicatrizante (látex), adstringente, purgativa (raiz).
Indicação terapêutica: 
Ossos quebrados, contusões, entorses, abcessos, dor ciática, feridas nos olhos, doenças da pele e fúngicas, diarreia, dor de estômago, disenteria.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: Bread-fruit, bread-nuts
  • Francês: Artocarpe
  • Espanhol: Arbol-del-pan

Origem
Originária das partes quentes da Ásia, mais precisamente das Índias Orientais. Introduzida no Brasil no início de 1800.

Descrição
Árvore de bela copa, porte corpulento. Folhas grandes, alternas, grossas, recortadas em 5 a 11 lobos acuminados. Planta monóica, tem no mesmo pé flores unissexuadas (os sexos estão distintos nas flores).

O fruto é um sincarpo de oval a globoso com 12-20 cm de diâmetro, pesando 2-4 kg quando maduro, casca fina e enrugada. Com o tempo a casca vai se alisando e adquirindo cor verde-amarela e suave perfume.

Polpa brancacenta, massa abundante, farinácea, dividida em alojamentos, contendo ou não sementes. Assim são conhecidas as formas de fruta-pão: a variedade sem sementes chamada "fruta-pão de massa", de maior valor alimentar e culinário, substitui o pão comum quando assada com manteiga. Também se fazem pudins e muitas guloseimas regionais. E "fruta-pão de caroço", muito apreciada após cozida ou assada por adquirir sabor de castanha européia (o "bread-nuts"' dos ingleses).

Uso popular e medicinal [2,3,4]
Fruta-pão tem uma ampla gama de aplicações na medicina tradicional. Todas as suas partes são utilizadas no tratamento de uma variedade de condições.

Pesquisas mostraram a presença de vários compostos ativos. O fruto contém artocarpina e a enzima papaiotina. A folha contém os fenóis quercetina e canferol, além de ácido gama-aminobutírico, que reduz a pressão arterial. A casca do caule e o fruto contêm esteróis ciclopropânicos.

As flores torradas são esfregadas nas gengivas ao redor dos dentes doloridos para aliviar a dor. Um extrato das flores é eficaz no tratamento do edema da orelha.

O látex é massageado na pele para tratar ossos quebrados, contusões, entorses, abcessos etc, e é enfaixado na coluna vertebral para aliviar a dor ciática. É comumente usado para tratar feridas nos olhos, doenças da pele e doenças fúngicas como aftas. Este último também é tratado com folhas esmagadas.

O látex diluído é tomado internamente para tratar a diarreia, a dor de estômago e a disenteria. Látex e suco das folhas esmagadas são tradicionalmente usadas em infecções de ouvido.

Um filtrado de folhas novas e desdobradas é empregado como remédio contra envenenamento por peixes e como relaxante muscular em casos de espasmos convulsivos. A folha amarelada é transformada em chá e tomada para reduzir a pressão alta.

Acredita-se que o chá serve também para controlar o diabetes. Os medicamentos para hipertensão e diabetes são preparados a partir de uma mistura das folhas cozidas desta espécie combinada com Persea americana (abacateiro), Carica papaya (mamoeiro) e Annona muricata (graviola).

Em Taiwan as folhas são usadas para tratar doenças do fígado e febres.

A raiz é um adstringente e é usada como um purgante.

O fluido prensado da raiz é utilizado no tratamento de doenças respiratórias que incluem respiração difícil e dolorosa. Quando macerado, é utilizado como cataplasma para doenças da pele.

A casca é usada para tratar a dor de cabeça. Extratos da casca exibiram fortes atividades citotóxicas contra células de leucemia em cultura de tecidos, e extratos de raízes e cascas do caule mostraram alguma atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e podem ter potencial no tratamento de tumores.

Líquido espremido da casca ou das folhas é aplicado para remediar dores no peito e vômitos resultantes de problemas cardíacos.

O líquido prensado da casca do caule é empregado no tratamento de dor nos ossos e infecções maternas pós-parto. 

A casca também é usada para tratar dores de estômago e problemas do aparelho digestivo.

O fluido prensado do fruto jovem é administrado para tratar dor nos pulmões e vômitos de sangue.

Valor nutricional [1]

Fruta-pão crua
Principais Minerais Vitaminas
Umidade % 80,9 Cálcio mg 34 Retinol µg NA
Energia 67 kcal; 281 kJ Magnésio mg 24 RE µg  
Proteína g 1,1 Manganês mg 0,04 RAE µg  
Lipídeos g 0,2 Fósforo mg 27 Tiamina mg 0,03
Colesterol mg NA Ferro mg 0,2 Riboflavina mg Tr
Carboidrato g 17,2 Sódio mg 1 Piridoxina mg Tr
Fibra alimentar g 5,5 Potássio mg 188 Niacina mg Tr
Cinzas g 0,7 Cobre mg 0,07 Vitamina C mg 9,9
    Zinco mg 0,1    

NA: Não Aplicável Tr: Traços 

 Dedicado a Nélia Nascimento Santos (Salvador, BA)

 Referências

  1. Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), 4a ed. 2011. - Acesso em 15 de abril de 2018
  2. Useful Tropical Plants: Artocarpus altilis - Acesso em 15 de abril de 2018
  3. World Agroforestry Centre: Artocarpus altilis - Acesso em 15 de abril de 2018
  4. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA Amazônia Oriental, 1987): A fruta-pão - Acesso em 15 de abril de 2018
  5. Image: Cortesy of Forest & Kim Starr
  6. The Plant List: Artocarpus altilis - Acesso em 15 de abril de 2018

GOOGLE IMAGES de Artocarpus altilis - Acesso em 15 de abril de 2018

Galeria: